domingo, 17 de abril de 2011

JOSÉ SIMÃO

Dilma é o Elefantinho da Cica!

E o partido do Kassab, o PSD? É de esquerda? Não! É de direita? Não! Então o que é? Partido Sem Direção Fonte: folha.uol.com.br 17/04



BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Bagulhos, mocreias e bactérias. Olha este anúncio: "Atenção! Você que é feio ou feia, a agência Assombração está cadastrando gente feia de todo o Brasil para o novo filme "A Verdadeira História do Lobisomem" de Toninho do Diabo".
Olha, olha um emprego pro Serra. Ele vai matar de susto esse Toninho do Diabo. E no Nordeste, feio não é feio, é desabonitado. Um design desarranjado! E este novo partido do Kassab, o PSD? É de esquerda? Não! É de direita? Não! Então o que é? Partido Sem Direção, PSD! Rarará.
E sabe por que o Falcão aceitou ser técnico do Inter? Pra se livrar do Galvão! Rarará. Pelo menos no Inter ele consegue falar! E a Dilma na China? Sempre chic com aquele look vermelho extrato de tomate Elefantinho da Cica! Rarará. A Dilma tá parecendo o Elefantinho da Cica! Ela podia entrar pro programa de emagrecimento do "Fantástico". Junto com o Adriano, o Caminhão de Usina! E a foto dela com o presidente da China. Quer dizer, a gente acha que é o presidente da China. Porque todo chinês é cópia pirata de outro chinês. Rarará. E a Dilma voltou tão entusiasmada da China que vai incluir uma nova obra no PAC: ampliação da 25 de março. Rarará. PAC: Programa de Aceleração do Camelódromo!
E o Sarney quer repeteco do Plebiscito do Desarmamento. O Sarney quer desarmar o Brasil! Então manda a família dele pro espaço. Rarará. Eu também sou a favor do desarmamento. Tenho até slogan: Desarme-se! Mande sua sogra pro espaço! E uma amiga minha que tem razão: "Arma em casa termina em duas coisas: ou você mata o marido ou mata a vizinha". E uma outra disse que vai entregar a pistola do marido prum museu!
E essa: "Pato ficará um mês sem fazer sexo com a namorada". Que é filha do Berlusconi! Tudo bem, o pai faz sexo pela família inteira!
E mais uma predestinada! Nutricionista de Vitória, no Espírito Santo: Roberta Larica. Clínica Roberta Larica de Nutrição. Rarará!
Ah, doutora Roberta, tá me dando uma larica. Vou assaltar a geladeira. Comer o macarrão de ontem com a calda do pêssego em calda! E leite condensado!
E mais uma do Gervásio. Olha a placa na empresa em São Bernardo: "Se eu descobrir quem foi o cusparolo que escarrou na persiana da minha sala, vou arrancar as amígdalas deste Shrek sebento com uma colher de pedreiro enferrujada no estilo doutor Fritz. Conto com todos. Assinado: Gervásio". Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

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FERREIRA GULLAR

Tragédia em Realengo

Ter-se como puro passou a ser o seu valor no mundo e o pretexto para castigar os que deveriam ser punidos Fonte: folha.uol.com.br 17/04


COMO O próprio Wellington Menezes de Oliveira admitiu, já há bastante tempo decidira praticar uma chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, onde estudara dos 12 aos 14 anos. Tanto é verdade que se preparou para isso cuidadosamente, comprando armas e munição e se adestrando ao máximo, a fim de realizar sua tarefa com a maior eficiência possível.
Trata-se de uma decisão louca, mas que resultou não de um surto psicótico repentino, e sim de uma demorada elaboração patológica.
É impossível dizer como isso se deu, que fatores subjetivos e biográficos determinaram aquela decisão. É certo, porém, que Wellington era uma personalidade esquizofrênica, resultante possivelmente de herança genética, como parece indicar o fato de que sua mãe verdadeira, moradora de rua, sofria da doença. Todas as demais informações sobre ele mostram-nos uma pessoa fechada em si mesma, sem amigos, sem amigas ou namoradas.
Já era assim no colégio, quando foi motivo de brincadeiras discriminatórias por parte dos colegas. Se se considera que, além de filho de uma mendiga, era manco, pode-se imaginar facilmente quanto de ressentimento acumulou num mundo que nada lhe oferecia de afeição ou de felicidade.
A mulher que o criou terá sido a única pessoa que lhe dera afeto e o reconhecera como ser humano, merecedor de carinho e atenção. Para os demais, não era ninguém, conforme entendia em sua visão magoada e ressentida. A morte da mãe adotiva precipitou tudo.
Por sentir-se hostilizado e negado pelas pessoas em geral, encontrou na religião um espaço no qual poderia ser reconhecido como ser humano, como criatura de Deus, merecedor de afeto e respeito. Foi ali que, possivelmente, aprendeu a noção de pureza, que o distinguiria da maioria das pessoas.
Talvez mesmo em função dos problemas psíquicos e sociais que o afastavam das mulheres, encontrou na noção de pecado um fator que o distinguia e o valorizava: como a experiência sexual não fazia parte de sua vida, considerava-se puro e, nisso, superior ao comum dos indivíduos, para os quais o sexo tinha importância fundamental. Ele, Wellington, livre do pecado sexual, estava mais perto de Deus.
Ter-se como puro passou a ser o seu valor no mundo e o pretexto para castigar os que, ao contrário dele, eram impuros e deveriam ser punidos por isso. E punidos por ele, que foi por todos aqueles -pela humanidade impura- discriminado e humilhado.
Ao convencer-se disso, sua vida ganhou sentido. Ele, filho de mendiga, manco, desamado, ridicularizado, nascera, na verdade, com a missão de livrar o mundo da impureza. E, então, passou a se preparar para a grande missão: comprou dois revólveres, munição em quantidade e passou a exercitar-se para atirar com precisão.
O lugar escolhido, não por acaso, foi a escola Tasso da Silveira, onde sofrera humilhações de jovens, iguais aos que agora lá estudavam. Eliminaria preferencialmente as meninas -adolescentes em flor, recendendo a sexo e pecado. Meninas iguais àquelas que nele despertaram, no passado, o desejo de pecar, para torná-lo impuro. Não poderia matar todas as adolescentes do planeta, mas, de qualquer modo, matando aquelas da escola de Realengo, cumpriria com a missão para a qual estava predestinado.
Sabia muito bem ser aquele, de fato, um modo de suicidar-se, mesmo porque, cumprida a missão, não havia razão para continuar vivendo. Aliás, pôr fim à própria vida era o seu desejo mais fundo. Mas não naquele obscuro quarto onde dormia, pois sua aspiração era escapar do anonimato, mostrar ao mundo quem de fato era. Ninguém jamais imaginaria que aquele pobre diabo, que todos desprezavam, seria capaz de uma façanha tão espantosa quanto assassinar a tiros dezenas de meninas.
Antes de sair de casa naquela manhã, destruiu móveis e objetos, como para apagar todo e qualquer vestígio material de sua existência. E partiu para a missão suprema e definitiva, depois da qual tornar-se-ia apenas um puro espírito. Mas corre o risco de ser enterrado como indigente, como um mendigo, igual à mãe. E assim, depois de tudo, terminará voltando à origem humilhante de que tentara escapar.

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ANÁLISE DROGAS

Sugestões de deputado do PT merecem ser debatidas

Para posição libertária ter sentido, é preciso abarcar todas as drogas ilícitas

O PROBLEMA NAS DISCUSSÕES SOBRE A LEGALIZAÇÃO DE DROGAS É QUE ELAS AINDA SÃO MUITO MAIS PAUTADAS PELA EMOÇÃO DO QUE PELA RAZÃO Fonte: folha.uol.com.br 17/04


Se a recente demissão de Pedro Abramovay da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas por ter defendido o não encarceramento de pequenos traficantes serve de precedente, Paulo Teixeira não foi muito esperto ao propor a liberação da maconha e a criação de cooperativas para plantá-la.
A imunidade parlamentar não o protege contra a perda do cargo de líder do PT.
Independentemente do que o governo e a cúpula do partido possam querer fazer com o deputado, suas sugestões têm mérito e precisam mesmo ser debatidas.
O problema nas discussões sobre a legalização de drogas é que elas ainda são muito mais pautadas pela emoção do que pela razão.
O primeiro fato a reconhecer é que o vício é um efeito colateral da evolução de nossas mentes. Determinadas substâncias químicas ativam muito facilmente os centros de recompensa do cérebro e são associadas a sensações de prazer intenso.
Por razões não de todo conhecidas, uma fração das pessoas que experimentam e usam por certo tempo drogas que contenham tais substâncias passa a viver quase exclusivamente em função da memória desse prazer: tornaram-se dependentes.
Assim, a menos que se descubra um remédio quase miraculoso que altere a bioquímica do prazer, vício e dependência são fenômenos com os quais a sociedade tem de aprender a conviver.

PRÓS E CONTRAS
A vantagem de manter substâncias como maconha, cocaína e heroína fora da lei é que reduzimos as chances de elas virem a ser tão amplamente difundidas quanto o álcool. Enquanto o total de usuários de todas as drogas ilícitas não ultrapassa 4% da população adulta, os alcoólatras chegam a 15%.
Já a desvantagem é a associação das drogas com o crime. Trata-se de um negócio fácil -em qual outra atividade ilegal a suposta vítima faz fila para ser "atendida"?-, que proporciona aos traficantes enormes lucros e, portanto, poder para corromper estruturas do Estado.
Aqui é preciso cuidado. Ninguém deve ser ingênuo a ponto de achar que uma eventual legalização resolveria o problema da violência associada ao tráfico.
Delinquentes que hoje vivem do comércio de drogas não se tornariam da noite para o dia respeitáveis homens de negócios. O mais provável é que migrassem para outras atividades criminosas.
Ainda assim, seria razoável esperar que, no médio e longo prazos, parte da violência e da corrupção desaparecesse. O fim da Lei Seca nos EUA ajudou a reduzir o poder de gângsteres.
O ponto falho na posição de Teixeira é que, para uma abordagem mais libertária fazer sentido, ela deve abarcar todas as drogas ilícitas.
Dependendo da base eleitoral, é até fácil para um político defender a liberação da maconha. Poucos têm a coragem de dizer que, se a meta é mudar o "statu quo" do tráfico, a heroína e o crack devem ter o mesmo tratamento.

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Brennand abre em Recife biblioteca com raridades do período holandês no país

Empresário pernambucano conseguiu reunir acervo com 60 mil itens, que incluem livros, manuscritos e partituras musicais

Fonte: folha.uol.com.br 17/04


O empresário pernambucano Ricardo Brennand, 83, tem duas qualidades que o permitem acumular grandes acervos: a sanha de colecionador e dinheiro suficiente para extravagâncias.
Ele é dono de uma das maiores coleções de armas brancas do mundo, com 3.000 itens, incluindo espadas, clavas e armaduras.
Seu acervo de arte tem 15 quadros de Franz Post -a maior coleção privada existente do pintor holandês. Para conseguir as obras, Brennand chegou a arrematar lotes inteiros de quadros porque neles havia um de Post.
Foi com esse mesmo entusiasmo que ele montou uma biblioteca, que será oficialmente aberta ao público neste semestre, ao lado das outras duas coleções no Instituto Brennand, em Recife. O espaço é praticamente desconhecido dos pesquisadores, já que o acesso sempre foi restrito a poucos visitantes com agendamento prévio.
"É a mais importante biblioteca para o estudo do período holandês no Brasil. Ela reúne raridades que doutor Ricardo comprou em leilão ou que chegaram até ele", afirma Leonardo Dantas, historiador e consultor do Instituto Brennand.
São no total 20 mil livros, além de manuscritos e partituras musicais totalizando 60 mil itens.

GOSTO DUVIDOSO
Brennand, que é famoso pelo seu ecletismo, com aquisições muitas vezes de gosto duvidoso, não reuniu esse conjunto sozinho. Ele foi auxiliado por Dantas, que é especialista no tema. Também adotou a estratégia de adquirir acervos inteiros construídos ao longo dos anos por pesquisadores.
Sua primeira grande aquisição foi a biblioteca completa do historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos principais estudiosos no país do período holandês (1630-1654).
São 5.000 livros e periódicos, muitos deles com anotações do ex-proprietário.

MÚSICA BARROCA
Outro conjunto completo adquirido por Brennand foi o do músico e pesquisador Jaime Cavalcanti Diniz, especialista em música barroca.
Ao longo da vida, ele garimpou 1.500 partituras, principalmente de compositores brasileiros eruditos do século 18, muitas das quais são originais únicos.
Passear pelo acervo da biblioteca revela surpresas, como um manifesto manuscrito de portugueses que moravam em Pernambuco, contra a Companhia das Índias Ocidentais, datado de 1646.
No documento, que circulou em poucas cópias na Europa, o grupo relata as atrocidades cometidas pelos invasores da Holanda, que entregavam seus inimigos para os índios tapuias devorarem em praça pública.
Entre as raridades, há livros como "Historiae Naturalis Brasiliae", de 1648, primeiro tratado sobre história natural escrito nas Américas, cujos autores integravam a comitiva de Maurício de Nassau. Além dos atlas de Gaspar Barleus, ricamente ilustrados, como é o caso da edição colorida de "Rerum per Octennium in Brasilia", de 1647, considerada um tesouro pelos bibliófilos.

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CONGRESSO

R$ 10 mi a mais na reforma

Investimento nos reparos dos apartamentos funcionais já chega a R$ 46 milhões. Previsão original era de R$ 36 milhões Fonte: correioweb.com.br 17/04

Prevista inicialmente para ser finalizada em 12 meses e contemplar quatro blocos na 302 Norte, a reforma dos imóveis funcionais destinados aos deputados já dura mais de três anos e ultrapassa a casa dos R$ 36 milhões planejados originalmente para custear a obra. Nesse período, que inclui problemas como a falência da construtora que tocava o empreendimento, outros dois edifícios na mesma quadra também foram incluídos nos planos da Casa. Até agora, pelo menos R$ 46 milhões já foram desembolsados pela Câmara para concluir a reforma nos seis prédios, que inclui instalação e troca de portas, pisos e todo o acabamento dos imóveis. Ontem, o Correio mostrou que o cronograma foi atrasado mais uma vez porque a Câmara não pediu à Companhia Energética de Brasília a ligação definitiva da luz.

Quando se planejou os reparos estruturais dos 432 apartamentos para atender aos 513 deputados, 207 estavam desocupados por falta de condições de uso. Naquela legislatura, em 2008, 295 parlamentares optavam por receber auxílio-moradia, hoje equivalente a R$ 3 mil mensais. A alegação da Mesa Diretora é de que os blocos foram construídos na década de 1970 e nunca passaram por amplos reparos. Além disso, a Casa avalia que os gastos serão compensados com economia no pagamento do auxílio-moradia e redução das despesas com manutenção, que neste ano poderão custar até R$ 15,4 milhões. Atualmente, 250 deputados estão na lista de espera para ocupar um apartamento em Brasília. Eles encontrarão um amplo apartamento de 240m², avaliado em

R$ 2,5 milhões, duas suítes, duas vagas na garagem e eletrodomésticos já comprados pela Câmara.

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CONGRESSO

Ficou só na promessa

O aumento de 61,2% nos salários dos parlamentares serviria para diminuir os gastos com verba indenizatória, mas, dois meses depois do início da legislatura, 70 dos 81 senadores já pediram ressarcimento de despesas Fonte: correioweb.com.br 17/04

Ao aprovar o reajuste de 61,2% nos próprios salários no fim do ano passado, os parlamentares alegaram que, com o aumento, o Congresso economizaria nos recursos da verba indenizatória. À época, chegaram a condicionar a elevação do subsídio de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil ao fim do benefício. Mas levantamento realizado pelo Correio dos gastos indenizados nos dois primeiros meses da legislatura que começou em 1º de fevereiro mostra que os senadores continuam a usar a verba como uma espécie de complemento salarial. Até mesmo congressistas milionários aproveitam o benefício parlamentar a que têm direito para pedir ressarcimento de despesas realizadas em churrascarias e restaurantes requintados da capital.

Em fevereiro e março, 70 senadores apresentaram notas fiscais para pedir o ressarcimento de despesas com alimentação, hospedagem, gasolina e manutenção de escritórios políticos. A conta chega a R$ 1,3 milhão. Apenas 11 não fizeram uso do benefício. Apesar de apresentarem notas de ressarcimento, o Senado oferece a todos os parlamentares auxílio-moradia, diárias para missões e carros oficiais.

Além de recorrerem ao orçamento do Senado para custear despesas da rotina das rodas políticas de Brasília, que se confundem com a atividade parlamentar, a verba indenizatória é usada para resguardar a segurança jurídica de senador que responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Réu em um inquérito de trabalho escravo que tramita na Suprema Corte, o senador João Ribeiro (PR-TO) apresentou uma nota de R$ 50 mil em abril reclamando ressarcimento de despesa com o escritório de advocacia Guinzelli e Lorenzi, cujo integrantes do corpo jurídico já atuaram em sua defesa. A reportagem ligou para a sede do escritório, em Palmas (TO), e a secretária informou que o escritório passa por fase de dissolução e o advogado Juvenal Klayber, que também defendeu João Ribeiro no processo trabalhista, está à frente da sociedade que mudará de nome. “Advoguei para o senador na causa trabalhista que deu origem ao inquérito. Estamos com pedido na Ordem dos Advogados para registro do novo escritório”, afirmou Klayber. A assessoria do senador justifica que o escritório foi contratado para auxiliar o parlamentar em “causas complicadas” que ele relatará no Senado e que o gabinete recorreu à iniciativa privada porque “não encontrou consultorias” na Casa.

Milionário
Um dos senadores milionários que utilizam a verba indenizatória para custear despesas em restaurantes badalados de Brasília — para depois apresentar nota fiscal pedindo ressarcimento — é o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi (PR-MT). O parlamentar, conhecido por lucrar com a produção de soja no cerrado, tem patrimônio declarado de R$ 152 milhões e apresenta gastos com churrascarias para ser reembolsado. A assessoria de imprensa de Maggi informou que as despesas são legais e previstas em regulamento da Casa e que continuarão sendo executadas até o fim do mandato, respeitando o limite mensal.

Dos R$ 15,4 mil que a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) gastou em verba indenizatória no mês de março, R$ 5,8 mil foram utilizados para pagar contas de restaurantes que atingiram até R$ 1,2 mil em locais badalados de Brasília, como um bistrô especializado em vinhos e uma casa conhecida pela programação musical de jazz. Em fevereiro, a parlamentar apresentou nota de diária na Pousada das Cerejeiras, que fica em Alto Paraíso de Goiás (GO). A assessoria da parlamentar informou que o pedido de ressarcimento de R$ 715 — do estabelecimento descrito como adega no registro da Receita Federal é relativo a um bistrô onde Lúcia Vânia realizou reunião de trabalho. A diária em Alto Paraíso, afirmou a assessoria, foi usada para custear a participação da senadora no seminário Circuito Verde, para discutir integração da Chapada dos Veadeiros no roteiro turístico da Copa do Mundo de 2014.

O senador Cacildo Maldaner (PMDB-SC) também registra despesas com alimentação, hospedagem, locomoção e combustíveis que somaram R$ 14,7 mil no seu primeiro mês este ano no Senado. Na lista, estão pagamentos a supermercados das cidades de Florianópolis e São José (SC) que o parlamentar pede reembolso. A reportagem procurou o parlamentar, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

Balanço
Senadores que mais gastaram nos
dois primeiros meses do mandato

Gim Argello (PTB-DF) R$ 45 mil
Renan Calheiros (PMDB-AL) R$ 31 mil
Romero Jucá (PMDB-RR) R$ 31 mil
Lúcia Vânia (PSDB-GO) R$ 30,5 mil
Inácio Arruda (PCdoB-CE) R$ 30,3 mil
Fernando Collor (PTB-AL) R$ 30 mil
Casildo Maldaner (PMDB-SC) R$ 29,8 mil
Eduardo Amorim (PSC-SE) R$ 29,8 mil
Demostenes Torres (DEM-GO) R$ 29,5 mil
Delcídio Amaral (PT-MS) R$ 29,1 mil


Senadores que não utilizaram
a verba indenizatória
Aloysio Nunes (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Itamar Franco (PPS-MG)
Ivo Cassol (PP-RO)
João Alberto (PMDB-MA)
José Sarney (PMDB-AP)
Marta Suplicy (PT-SP)


Não constam do sistema de transparência do Senado:
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) Lindbergh Farias (PT-RJ) Clésio Andrade (PR-MG)

Para saber mais
Gastos de
até R$ 15 mil

Os senadores têm direito a R$ 15 mil mensais para ressarcimento de gastos no exercício da atividade parlamentar. Os recursos podem ser usados para pagar aluguel de escritórios políticos, locomoção, hospedagem e despesas com combustível, aquisição de material, gastos com remessas postais e divulgação do mandato. Após sucessivos escândalos envolvendo a má utilização da verba, Senado e Câmara decidiram unificar as regras para utilização do benefício. Além de instituir a divulgação das notas fiscais, as Casas restringiram os gastos com a verba. Na Câmara, os deputados têm limite de R$ 4,5 mil para despesas com combustível. No Senado, o montante aplicado em gasolina ainda é liberado. Em 2009, o Congresso chegou a admitir o veto à apresentação de notas fiscais de despesas com restaurantes em Brasília. Depois de pressão dos parlamentares, Câmara e Senado voltaram atrás e autorizaram o gasto.

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Marcos Coimbra

Um aspecto engraçado do episódio é a reação de seus correligionários. Era

compreensível que os adversários o recebessem mal, mas não que fosse ignorada ou rejeitada por aqueles aos quais era destinada Fonte: correioweb.com.br 17/04

Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

FHC e as suas

Havia anos que Fernando Henrique não fazia tanto sucesso. Esta semana, nada teve tanto Ibope quanto sua recomendação aos companheiros de PSDB: “Parar a disputa pelo povão com o PT” e ir à procura das “novas classes médias”. Analistas, comentaristas, colunistas e blogueiros passaram os últimos dias debruçados sobre ela.

Não foi a mais polêmica das declarações do ex-presidente. Mas foi, sem dúvida, uma das mais surpreendentes.

Ele tem um histórico curioso nessa matéria. Enquanto esteve na academia e mesmo mais tarde, no início de sua vida como político profissional, Fernando Henrique era conhecido pela verve e pela capacidade de verbalização. Suas palestras nas universidades e simpósios mundo afora encantavam. As plateias ficavam cativadas por suas elaborações originais e frases elegantes.

Quando começou a ganhar mais evidência na po
lítica, continuou no mesmo diapasão. No Congresso, cunhou frases famosas, algumas cruéis contra quem era seu inimigo na ocasião. Quem não se lembra do que dizia de Sarney, que a “crise viajava” quando ele deixava Brasília? Até amigos eram, frequentemente, alvo de seu frasismo (caso não estivessem por perto). Com notável capacidade de síntese, com três palavras conseguia encontrar o lado pior de uma pessoa.

Da campanha presidencial de 1994 em diante, no entanto, as coisas mudaram. Em vez de achar facilmente a boa frase, passou a se complicar com declarações desnecessárias e inconvenientes. Nelas, na maior parte das vezes, não se percebia nem espírito crítico, nem inteligência.

Em muitas, até inesperados preconceitos apareciam. Como aceitar a frase do “pé na cozinha”, vinda de quem havia escrito uma análise tão importante e progressista sobre a escravidão no Brasil? E, quando quis explicá-la falando do carinho pela “mãe preta”, só piorou o problema.

E o “esqueçam o que eu escrevi”? E os “aposentados vagabundos”? Por algumas, pagou um preço injusto, pois sequer é certo que as tivesse dito (pelo menos, com as palavras através das quais entraram para o imaginário popular). Nos “vagabundos”, por exemplo, seu alvo não eram todos os aposentados, só os precoces. Apesar disso, como, àquela altura, já era tido e havido como político elitista, nunca mais se livrou da frase na sua pior versão. Tornou-se símbolo de seu desprezo pelas pessoas mais pobres.

E esta de agora, que já está entrando para nosso anedotário como o “esqueçam o povão”?

É certo que nenhuma, desde quando deixou o Planalto, provocou reações tão intensas. Quem acompanhou o noticiário político, em qualquer mídia, da terça-feira em diante, viu mais FHC nestes dias que em quaisquer outros dos últimos anos. Mas não deve ter sido por estar à procura de impactos que ele a formulou.

Um aspecto engraçado do episódio é a reação de seus correligionários. Era compreensível que os adversários o recebessem mal, mas não que fosse ignorada ou rejeitada por aqueles aos quais era destinada. O nome do artigo não era “O Papel da Oposição”? Seu objetivo não era afirmar posições e propor novos caminhos para ela?

Nas oposições, FHC é mais que um cientista social ilustre e um ex-presidente da República. Foi como “presidente de honra do PSDB” que assinou o artigo na (boa) revista Interesse Nacional. Pelo que parece, contudo, seus companheiros sequer sabiam que era isso que o presidente pensava.

Estranho modo de exercer um papel de liderança política e intelectual. Comunicar uma opinião (com a qual, aliás, ninguém concorda) através de uma revista talvez não seja a melhor maneira de consolidar o sentimento partidário e motivar os filiados. Especialmente em um momento tão delicado, em que as feridas de 2010 continuam abertas e os maus resultados eleitorais ainda são recentes.
E a sociologia por trás da frase? Onde está o “príncipe da sociologia no Brasil”, como dizia Glauber Rocha do jovem Fernando Henrique da década de 1970?
Quem o conheceu tem motivos de sobra para decepcionar-se, tanto com o raciocínio quanto com a parte empírica do artigo. A menos que já tenha se esquecido de tudo que ele escreveu.

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Militares temiam a UnB

Documentos indicam que a ditadura via nos estudantes uma ameaça ao regime Fonte: correioweb.com.br 17/04

O governo temia perder o controle dos movimentos estudantis depois da invasão da Universidade de Brasília (UnB) por policiais, em 29 de agosto de 1968. Na ocasião, agentes dos órgãos de repressão pretendiam prender os líderes que protestavam no local. Os estudantes resistiram e houve confronto até que os universitários terminassem rendidos e detidos. Documentos da época divulgados agora mostram que o regime enxergava força de contestação nos estudantes e recomendava combater com “todas as armas” o que chamava de inimigo, que estaria provocando ações de “guerra psicológica”. A partir do episódio, a UnB passou a ser um dos principais alvos dos órgãos de informações da ditadura.

A cronologia da invasão é relatada em documento confidencial do gabinete do Ministério da Aeronáutica datado de 4 de setembro de 1968, uma semana depois do confronto no câmpus. “A UnB vem vivendo momentos de grande agitação e balbúrdias até por decorrência da falta de solução a diversos problemas, alguns surgidos no decurso da atual administração”, observou o analista da Aeronáutica, em referência à gestão do médico mineiro Caio Benjamin Dias na reitoria, definida pelos militares como “duas faces”: uma para os estudantes, outra para o governo.


No relatório de 12 páginas, que integra o acervo do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), aberto na semana passada pelo Arquivo Nacional, os militares avaliam que os universitários pretendiam tornar a instituição “um território sagrado”. Isso, conforme o relatório, tinha como finalidade trazer para as cidades o que era feito pela esquerda na zona rural: “A criação de áreas livres ou liberadas para a montagem de bases de operações. (…) A transferência do trabalho das esquerdas dos operários para o meio estudantil está perfeitamente caracterizada por grande número de panfletos distribuídos aberta e acintosamente”, relata o documento, que faz referência específica à Federação dos Estudantes da UnB (Feub), presidida por Honestino Guimarães. O líder estudantil é definido no texto como “agitador decidido, que tem encontrado encorajamento na cobertura que alguns deputados da oposição lhe têm dado”. Honestino acabaria preso e morto nos porões da ditadura em 1973.


Inimigo
Na conclusão, o analista avalia que, até aquele momento, início de setembro de 1968, o governo não havia solucionado a questão. “Traduzido em uma série de medidas tomadas, não surtiram os efeitos almejados, como se vê na situação atual, em que se configuram nitidamente ações de guerra revolucionária em pleno curso.”


O analista reconhece que “muito terreno já foi perdido” e ressalta que seria necessário usar todos os meios na contraofensiva. “Caso o inimigo não seja combatido com todas as armas, a todo momento, por todos os meios e em qualquer terreno, as posições que já conquistou ficarão fortalecidas. E, assim, mais livre lhe ficará o caminho para a conquista de seu objetivo: a queda do regime”, conclui. No acervo do Cisa há centenas de informes relatando reuniões de alunos ou professores e até espionagem de discussão sobre o preço do bandejão.

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ENTREVISTA FERNANDO PIMENTEL

Um novo patamar com a China

Para o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, houve destravamento da relação bilateral Fonte: correioweb.com.br 17/04

Xian — Integrante da comitiva da presidente Dilma Rousseff, o ministro Fernando Pimentel volta ao Brasil com a sensação de que vender produtos de valor agregado para a China é questão de tempo. Nesta entrevista, ele elenca o que considerou mais positivo na área e avisa: “A China compreendeu e vai mudar seu patamar de investimentos no Brasil”.

O que o senhor destacaria como principal ponto da viagem?
Acho que, de uma maneira geral, houve um destravamento do comércio entre Brasil e a China. Isso é claramente visível. Por exemplo, a exportação de carne suína estava parada e foi autorizada agora.

Mas os empresários reclamaram. Disseram que ficou aquém

das pretensões em número

de empresas autorizadas...
Mas aí é preciso entender um pouco como a China funciona. A China tem uma tradição de cinco mil anos de império. Eles não fazem nada de uma vez só. É tudo aos poucos, de maneira pensada, gradual. Tenho certeza de que abrimos a porta e, por ela, vamos conseguir passar quantidades expressivas daqui para a frente de exportação. E não só de carne suína.

Que outras áreas?
Conseguimos a autorização de compra dos aviões da Embraer, 35. Virão mais. Tenho certeza de que, ao longo do ano, outras autorizações serão dadas. Tivemos ainda a autorização do funcionamento da fábrica. Na verdade, para voltar a funcionar a fábrica da Embraer, desta vez com o Legacy. O 145 era um avião médio, de 50 lugares, que ficou inviável. As empresas hoje ou compram aviões maiores que o 145 ou jatos executivos, como o Legacy, para 12 ou 15 passageiros. É o avião ideal para a China, um país grande que está crescendo. Além disso, conseguimos a missão comercial chinesa que vai ao Brasil em maio para comprar produtos de maior valor agregado.

O senhor acha possível essa

substituição de commodities

por produtos de maior valor

agregado do Brasil ou os chineses vão continuar comprando

commodities?
Não é substituir. É agregar valor nas commodities. Por que vender só o minério de ferro? Por que não transformá-lo em produtos siderúrgicos básicos?


O senhor acha que o Brasil está preparado para vender esses

produtos à China? O presidente da CNI tem dito que o Brasil tem que se preparar para esse salto...

É um processo. Estamos fazendo tudo ao mesmo tempo. Pedalando a bicicleta e consertando. É assim mesmo. Somos um país que hoje ainda tem deficiências graves de infraestrutura, mas todas essas deficiências estão identificadas e há condições de resolvê-las. Temos engenharia e não falta financiamento. É uma questão de tempo. Podemos e devemos investir nessa direção. Os chineses entenderam e querem mudar o patamar de investimentos no Brasil. Querem se tornar sócios de empresas brasileiras. Não tenho a menor dúvida de que alcançamos os objetivos em todos os campos.

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LITERATURA

As 127 pessoas do poeta

Livro de pesquisador pernambucano turbina ainda mais a biografia de Fernando Pessoa com detalhes tecidos em 734 páginas Fonte: correioweb.com.br 17/04

Fernando Pessoa era um sujeito sem imaginação. A afirmação é de efeito, mas passado o impacto, José Paulo Cavalcanti Filho explica e convence. Pessoa sofria de falta de imaginação porque não ia além de seu universo próximo para construir a criação literária que legou ao mundo. No entanto, era um gênio. E sabia muito bem disso. Já Cavalcanti sofre de encantamento. Várias vezes sucumbiu a Pessoa, e o fruto mais recente dessa entrega atende por Fernando Pessoa: uma quase autobiografia, tijolão de 734 páginas que pretende esgotar detalhes da vida do poeta português até então pouco explorados. Ou explorados de forma insuficiente, no entendimento de Cavalcanti. “Esse livro é um sonho de infância e um grande equívoco porque sonhos de infância não foram feitos para serem realizados. Eles permanecem grandiosos na sua dimensão de sonho, mas como sou imprudente, escrevi. E aí aconteceram momentos mágicos onde o livro começa de verdade”, avisa o autor.

A magia tem raízes plantadas pelo próprio Pessoa. Cavalcanti se deixou levar por essa premissa e partiu do princípio de que a biografia do poeta estava contida na sua própria escrita. Nos versos, na criação dos heterônimos, na correspondência e num ralo diário. “A biografia de todos os heterônimos contém a de Pessoa. Praticamente todos os poemas compõem a biografia dele. É uma colcha de retalhos”, avisa Cavalcanti. “Ele escreveu quase 30 mil páginas. Quase 60 livros de 500 páginas. Depois de ler isso várias vezes, percebi que podia contar a vida dele usando as frases dele. Não as que ele escreveu como um diário — só cinco anos de Pessoa são cobertos com diário e de maneira fragmentária. Mas estava tudo na obra. Percebi que podia dizer o que queria com palavras dele.”

Sem metáforas
Durante os últimos oito anos, o autor virou um detetive obcecado pela trajetória de Pessoa. Contratou um historiador e um jornalista, ambos portugueses, para ajudar na pesquisa. Saiu em busca de personagens citados em versos e livros para provar o quanto o poeta era literal e como as metáforas não cabiam nos versos. Encontrou figuras como a pequena que comia chocolate e o Esteves do poema Tabacaria. Convenceu um diretor de cemitério a abrir o túmulo de Mario de Sá Carneiro, amigo do poeta, para checar se não havia cartas perdidas no caixão e chegou a passear pela rua com óculos que alteravam a visão só para ver como Pessoa enxergava o mundo por trás de seus 12 graus de miopia.

Os heterônimos viraram uma ideia fixa. São, segundo a classificação da pesquisadora e escritora Teresa Rita Lopes, 72. Cavalcanti contabilizou 127. E para cada um escreveu uma possível biografia. Não se esquivou de polêmicas, como a homossexualidade do heterônimo Álvaro de Campos, um reflexo dos desejos do próprio poeta, na concepção do autor. As correspondências entre a biografia de Campos e a de Pessoa aparecem listadas como prova das intenções do poeta. O autor cavucou onde pôde para reconstituir o caso de amor de Pessoa com Ophélia Queiroz. Na esperança de encontrar alguma indicação de que o casal chegou ao ato sexual, saiu em busca de cartas inéditas. Não encontrou provas, mas se permitiu narrar a bela cena de despedida de Ophelia diante do corpo inerte do poeta, em novembro de 1935.


Dedicação
Para chegar à quase autobiografia, o autor construiu uma rotina carregada. Membro da Academia Pernambucana de Letras, consultor da Unesco e cabeça de um grande escritório de advocacia em Recife, Cavalcanti, 62 anos, passou a concentrar o tempo dedicado ao direito em uma janela das 9h às 17h. O resto era dedicado a Fernando Pessoa.


Cavalcanti confessa ter escrito o livro que gostaria de ler. Queria encontrar o homem por trás do gênio e as descrições oferecidas pelos autores dos mais de seis mil livros publicados sobre a obra do poeta nunca o saciaram. “Eu sempre quis ler um livro que não existia. Octávio Paz, o escritor mexicano, no início de um livro sobre Pessoa, diz que o poeta é sua obra e, em Pessoa, a vida é sua obra e a obra é sua vida. Ele queria se referir à desproporção abissal que cerca a obra de um gênio da mediocridade, da banalidade, de alguém que vive a sua vida num quadrado de quatro quilômetros”, explica. “Minha sensação é que os autores aceitaram essa tese sem muita visão crítica. E isso é falso porque, por trás da obra, tem um homem que acorda, toma café, se veste, sai para ganhar a vida, tem seus desassossegos. Fui fazendo esse livro como quem compõe um quebra-cabeça.”

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Dance, ria, beba, celebre a data: é um funeral ganense

Fonte: The New York Times 17/04

Às 2h da manhã de um sábado no Bronx, a pista de dança estava lotada, as bebidas fluíam e um grupo de mulheres jovens com cortes de cabelo estilosos e saltos altos tinha acabado de chegar, prontas para cair na noite.

Poderia ser qualquer clube noturno ou festa de casamento – exceto pelas camisetas, pôsteres e CDs com a foto de uma mulher mais velha e elegante. A festa do barulho era, na verdade, o velório de Gertrude Manye Ikol, uma enfermeira de 65 anos de Gana que morreu dois meses antes. A alguns quarteirões dali, os convidados saíam de um funeral ainda mais animado.

Os irlandeses podem ser conhecidos por seus velórios festivos, mas os ganenses aperfeiçoaram o funeral exagerado. E na cidade de Nova York, essas festas ancoram o calendário social da comunidade cada vez maior de imigrantes da nação do oeste da África.

Quase todos os finais de semana, nos auditórios das igrejas e clubes da cidade, há eventos que duram a noite inteira, com open bar e música de rachar os vidros. Enquanto as famílias guardam dinheiro para cobrir as despesas com os funerais, equipes prósperas de DJs, fotógrafos, videógrafos, bartenders e seguranças mantêm tudo funcionando enquanto ganham um bom dinheiro.

Pode ou não haver um corpo presente, ou um clérigo. As crenças expressas podem ser cristãs evangélicas, católicas romanas ou seculares. A pessoa pode ter morrido em Nova York ou na África, há alguns dias ou até meses antes. Mas os funerais todos servem ao mesmo fim, como festas beneficentes para as famílias em luto e reuniões noturnas para enfermeiras ganenses, estudantes e taxistas dançarem para esquecer a dura vida de imigrantes em Nova York.

“Para nós é uma celebração, mas para um norte-americano, eles veem como um lugar de tristeza”, gritou Manny Tamakloe, 27, mecânico de aeronaves, mais alto do que a música enquanto bebia uma Guinness no velório de Ikol. “Se você for ganense e vier aqui, verá 10 ou 12 pessoas que conhece e elas o apresentarão a alguém. E antes de você perceber, acaba conhecendo todo mundo.”

“Por que você vai ao bar”, perguntou ele, “se pode vir aqui e ter tudo de graça?”

Casamentos, batizados e aniversários são todos muito celebrados nos círculos ganenses, mas poucos se igualam à escala e ao nível de decibéis de um funeral. Quando Kojo Ampah, 34, não tem planos para o final de semana, ele telefona para o seu amplo círculo de colegas expatriados para perguntar: “Ei, tem algum velório acontecendo?”

Geralmente abertos para todos, os funerais se tornaram maiores e mais frequentes nos últimos anos à medida que a população de ganenses na cidade de Nova York cresceu e se estabeleceu, dizem líderes comunitários. As estimativas do último censo mostram que há cerca de 21 mil ganenses na cidade, principalmente no Bronx, em comparação aos 14 mil que havia em 2005.

As festas são muito esperadas, promovidas com semanas de antecedência com publicidade online - “Reserve esta data”, dizia uma, “quando eu celebro a vida da minha mãe” – ou com pilhas de panfletos encerados nos restaurantes e mercearias africanos. Os panfletos costumam parecer pôsteres de teatro, com fotos da família e dos amigos em luto, conhecidos como os “carpideiros-chefe”, além dos créditos do mestre de cerimônias e da equipe técnica.

Um funeral bem frequentado tem um grande prestígio social – e quanto maior a festa, melhor. Numa noite de sexta-feira, quando Tamakloe já tinha ido a dois velórios, ele descreveu os arranjos para o memorial a um estranho que aconteceria no Bronx.

“Todo mundo está dizendo que este será o velório mais quente do ano”, disse ele.

O engenheiro Henry Boateng passou meses planejando o funeral de seu pai, Albert Ernest Boateng, que morreu em julho em Gana, neste sábado. Ele prevê que pelo menos 300 pessoas aparecerão.

As festas são um costume importado diretamente de Gana, onde os funerais são conhecidos mundialmente por seu tamanho e extravagância. Os caixões lá às vezes lembram carros alegóricos; o de um atleta pode ter a forma de uma bola de futebol, o de um pescador, a forma de um barco.

Em Gana, “o gasto mais significativo que você terá na vida não é o do seu casamento, mas o do seu funeral”, disse Brian Larkin, professor de antropologia que estuda a cultura do oeste da África.

“As pessoas entram numa exibição competitiva”, disse ele.

Como em Gana, os convidados dos velórios em Nova York não precisam conhecer o morto nem mesmo a família. Mas espera-se que eles exprimam suas condolências para a família, abram espaço na pista de dança e doem US$ 50 a US$ 100 – embora muitos não paguem – para ajudar a enviar o corpo de volta para a África ou cobrir outros gastos. Uma grande festa pode levantar milhares de dólares.

De fato, os funerais são o centro de uma economia vibrante. Henry Ayensu, dono de uma gráfica chamada Cre8ive House no Bronx, diz que imprimiu panfletos para 12 funerais ganenses nos últimos dois meses, muito mais do que o de costume.

Os fotógrafos são essenciais. Seis trabalharam no funeral de Ikol em 4 de março, e cada um levou um laptop, uma impressora colorida e um assistente. Eles tiraram fotos dos presentes, imprimiram-nas no local e as venderam por US$ 10 a US$ 20 cada.

Os funerais se tornaram tanto uma mina de dinheiro que às vezes faltam pretextos para eles, disse Ampah. Um novaiorquino, por exemplo, pode dar uma festa para o marido da sobrinha de um primo que morreu em Gana, mesmo que os dois nunca tenham se encontrado e muito pouco do lucro seja destinado à família na África.

Ampah disse que um taxista que ele conheceu ganhou US$ 6 mil num evento desses. “As pessoas não reclamam de pagar porque estão felizes por vir demonstrar apoio e se divertir”, disse ele.

Os funerais costumam começar por volta das 22h com bênçãos religiosas, cerimônias e discursos em inglês e Twi, uma língua de Gana. À meia-noite, a dança começa. Às 2h da manhã, chegam os penetras, e a festa chega ao auge.

Do lado de fora do funeral de Ikol, que aconteceu no saguão de uma igreja perto da avenida Tremont no Bronx, pessoas que chegavam tarde estavam paradas ao lado de seus carros, trocando jaquetas e calças jeans pela espécie de toga tradicional em vermelho e preto, as cores do luto. Meia dúzia de seguranças guardavam a porta.

“Quando eles forem embora, já serão 5h da manhã – sempre”, disse Carlos Rozano, um segurança que trabalhou em mais de uma dezena de funerais ganenses.

Do lado de dentro, o mestre de cerimônias elogiava Ikol por ser um católico devoto e um amigo leal, com a voz amplificada por uma torre de alto-falantes de 4,5 metros. A música começou, e lá pelas 2h, o salão pulsava com os sons da highlife, uma variedade de jazz ganense, músicas de big-band e ritmos africanos. Uma câmera de vídeo capturava a cena, que era projetada numa tela gigante acima do palco.

Francis Insaidoo, um bioquímico que recentemente se mudou para Nova York, disse que os funerais o fazem lembrar que ele pertence a uma comunidade. “Sinto que não estou sozinho”, disse ele.

Ele disse que não conhecia Ikol, mas seu colega de apartamento sim. O colega, bebendo uma cerveja, reconheceu com um dar de ombros que na verdade também não o conhecia.

“Você vem pela festa”, disse Insaidoo.

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G20 vai medir desequilíbrios que colocam economia global em risco

Fonte: BBC BRASIL 15/04

Ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, reunidos nesta sexta-feira em Washington, decidiram colocar em prática uma série de indicadores para identificar países cujas políticas podem representar riscos para a economia global.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo é "localizar os países que têm maiores desequilíbrios e sugerir medidas para que esses desequilíbrios sejam sanados".

O sistema deverá medir os tipos de desequilíbrios perigosos que podem ter contribuído para a recente crise econômica mundial.

Entre os dados avaliados estarão níveis de dívida e déficits ou superávits elevados na balança comercial.

O G20 reúne as principais economias avançadas e em desenvolvimento, entre elas o Brasil, e responde por 85% do PIB (Produto Interno Bruto) global. A partir da crise mundial, o G20 se transformou no principal fórum de discussão sobre uma reforma no sistema financeiro internacional.

Países
Pela proposta, todos os países do G20 serão monitorados. No entanto, um grupo de sete países que respondem por mais de 5% do PIB do G20 estarão sujeitos a uma análise mais profunda.

Segundo o comunicado final do encontro, essa decisão reflete "o maior potencial de efeitos colaterais das economias maiores".

Ao anunciar a medida, a ministra de Economia da França, Christine Lagarde, atualmente na presidência do G20, não citou especificamente os sete países que seriam incluídos nesse grupo.

Lagarde disse, porém, que a França está entre eles. Estados Unidos, China, Japão e Alemanha também estão incluídos.

A proposta acordada pelos ministros em Washington precisa agora ser endossada pelos chefes de governo e de Estado do G20 em sua próxima reunião, na França.

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