segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Bienal do Livro de São Paulo lota e colapsa

Fsp 23/08

Público no sábado foi de 110 mil, recorde para um dia do evento; empresa que realiza feira quer deixar Anhembi

Organizadores admitem falha nos transportes, na alimentação e na sinalização, além de filas lentas e excessivas


A 21ª Bienal do Livro de São Paulo, encerrada ontem, teve no último sábado o maior público já registrado em único dia na história do evento.
Segundo a organização, aproximadamente 110 mil pessoas visitaram a feira literária anteontem.
A superlotação ressaltou as falhas na infraestrutura do evento, reconhecidas pela organização.
"Estamos fazendo um Bienal do século 21 num espaço de 1970. São Paulo é a capital de eventos da América Latina e precisa de um pavilhão de feiras mais moderno", disse Juan Pablo de Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, empresa que organizou a feira.
A Bienal é realizada nos formatos atuais desde 1970. Vera afirmou que uma alternativa ao Anhembi deverá ser estudada para as próximas edições.
Foram reconhecidos como falhos também pelos organizadores os serviços de alimentação, transporte e acesso ao pavilhão.
O número de restaurantes na feira literária mostrou-se insuficiente, e a sinalização que leva ao Anhembi foi considerada ruim.
Foi também deficiente o acesso aos ônibus que levam o público da estação de metrô Tietê para a Bienal, sempre com filas quilométricas.
Eduardo Mendes, diretor-executivo da CBL (Câmara Brasileira de Livros), afirmou que um dos pontos positivos desta Bienal foi a criação de um comitê curador para repensar o evento.
"Os curadores souberam fazer um programação que tivesse relevância cultural e também fosse popular. Pretendemos manter o comitê na próxima Bienal", disse.
Outra novidade bem avaliada pela CBL foi a arena gastronômica Cozinhando com as Palavras. A programação da tenda ressaltou a ligação da culinária com a obra de autores como Monteiro Lobato, entre outros.
Na tarde de ontem, foram divulgados dados preliminares de público.
O total de visitantes até as 12h de ontem foi de 703 mil pessoas. A estimativa é que até as 18h, quando os portões foram fechados, o número chegasse a 745 mil pessoas. Em 2008, última edição da Bienal, o público total somou 728 mil visitantes.
Os dados completos serão divulgados na quarta-feira.
Também foi divulgada a data da próxima Bienal: de 9 a 19 de agosto de 2012.

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O Rio das Olimpíadas e da Copa espera as respostas

Fsp 23/08
Foi a segunda vez em seis anos que os moradores de classe média alta de São Conrado sofreram com um tiroteio cerrado que levou pânico ao bairro.
O primeiro conflito, em 2004, envolveu uma guerra entre as facções do tráfico que controlavam as favelas da Rocinha, a maior do Rio, e sua vizinha, a do Vidigal.
O segundo, na manhã do último sábado, decorreu do suposto encontro casual de policiais com carros de traficantes da Rocinha que voltavam de uma festa no Vidigal.
Nas duas vezes, o conflito saiu de seu território usual para derramar-se perigosamente, "fora de lugar", nas imediações de prédios e condomínios que abrigam parte da população de melhor renda da cidade. O que na primeira vez foi inusual, um descontrole dos personagens, desta vez não parece ter sido tão casual assim.
Festas e bailes são comuns nas favelas e conjuntos habitacionais de baixa renda, incluindo o tráfego de pessoal em veículos coordenados e com "seguranças" armados, para se defender de seus inimigos de outras facções ou de policiais.
Raramente uma patrulha policial enfrenta esses "bondes", seja por desequilíbrio na relação de forças, seja por um acordo tácito em que os próprios traficantes evitam, instrumentalmente, o confronto. Muitas vezes, eles sabem que "é burrice" levar o conflito para o asfalto. Por que, então, desta vez acabou sendo diferente?
Se tivermos uma investigação policial séria sobre o que aconteceu, teremos respostas a algumas perguntas que insistem em permanecer. Foi a primeira vez que patrulhas da PM viram um "bonde" naquele trecho? Os traficantes desta vez estavam interessados no confronto, por alguma razão? Há algum fato novo, nesse caso, relacionado à instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) em favelas da zona sul do Rio?
Os policiais foram atacados primeiro ou, pelo contrário, decidiram, mesmo sem tempo de pedir reforços, enfrentar heroicamente os traficantes que estavam em número superior?
A avaliação das causas e efeitos deste confronto "fora de lugar" pode reservar surpresas. O Rio das Olimpíadas e da Copa do Mundo espera as respostas.


MICHEL MISSE é professor de Sociologia e coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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O câncer será a próxima epidemia dos países pobres

El País

Em muitos países da África subsaariana, onde chegar aos 50 anos é um feito, uma típica doença de velhos pode passar despercebida para a população e os responsáveis pela saúde. Mas o câncer – ou, melhor dizendo, os vários tipos de câncer – não é um desconhecido para os mais pobres.

De fato, dos 12 milhões de casos que surgem a cada ano no mundo, segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), 60% dos diagnósticos se dão nas regiões de baixa ou média renda.E a porcentagem de falecimentos é ainda maior: 64% dos oito milhões de mortes que acontecem no mundo por causa de tumores. Tudo isso acontece num cenário muito negativo: só 5% do dinheiro usado no combate ao câncer se destina aos países que reúnem 80% dos casos, segundo Julio Frenk, autor de um artigo publicado esta semana no The Lancet.

Não há médicos, planos estatais nem remédios. A situação, além disso, só vai piorar, advertem os especialistas da União Internacional Contra o Câncer (UICC), que estão reunidos na cidade chinesa de Shenzen. Porque, ao contrário de outras doenças, o câncer aumentará. Assim, calcula-se que em 2020 os países pobres sofrerão com 70% da carga sanitária do câncer (um indicador que combina casos, mortes e anos de doença) frente a aproximadamente 50% no início do século 21. E em 2050, eles terão até 75% das mortes por esta doença, segundo um informe apresentado pelo grupo CanTreat (em português, Podemos Tratar), uma coalizão de sociedades científicas e universidades, e que conta com o apoio da fundação de Lance Armstrong.

O presidente da Sociedade espanhola de Oncologia Médica (SEOM), Emilio Alba, explica porque haverá esse aumento do câncer. “Antes, nos países pobres, as pessoas morriam por doenças infecciosas, mas à medida que se separa à água potável do esgoto, e as vacinas chegam, esta situação muda. Evitam-se as mortes de pessoas jovens, e o câncer é uma doença de pessoas mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos”. Além disso, há dois fatores que são causa direta do câncer e que estão no auge nos países pobres: “o tabagismo e a obesidade”. Com esta combinação, o aumento está servido.

Logicamente, a CanTreat não quer assustar, mas quer uma reação. E dá o exemplo de como a ONU enfrentou a Aids, com uma agência (ONUAids) e financiamento (o Fundo Mundial). Na verdade, a situação de início é tão ruim que lembra a de dez anos atrás em relação ao HIV (vírus da Aids), quando já se falava da doença crônica nos países ricos e não havia tratamentos nos demais. Por exemplo, enquanto nos Estados Unidos a taxa de cura do câncer de mama é de 84%, em Gâmbia é de 12%. Ou ainda, 85% das crianças com um tumor se recuperam no mundo rico, frente a 15% nos outros países. O resultado é que nos países desenvolvidos mais de 50% dos pacientes com câncer se curam. No restante, 80% das pessoas são diagnosticadas quando já não pode fazer mais nada.

A solução passa por uma abordagem global do problema. “Este tema precisa ser tratado pela ONU”, disse o assessor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Andreas Ullrich. A primeira batalha é a falta de fundos. Dos US$ 21 milhões (R$ 36,9 milhões) de ajuda externa dedicada a programas de saúde pública por ano, segundo a OMS, não há nenhuma parte específica para o câncer. E, além disso, se ela existisse, seria difícil de usar: na África e em menor medida na América Latina e no sudeste asiático não há planos estatais contra a doença.

Outro dos futuros problemas da batalha para dar uma resposta ao câncer é o acesso aos medicamentos – novamente a situação se parece com a da Aids. Com a diferença de que os remédios são ainda mais caros (calcula-se que é a doença mais cara de se tratar no mundo), e que não bastam. Contra o HIV chegou-se a uma solução na qual três comprimidos por dia servem para começar. No câncer, muitas terapias não são orais, mas é preciso administrá-las via intravenosa, como a quimioterapia. Ou, o que é mais difícil e custoso ainda, pelas complicadas máquinas de radioterapia.

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LUIZ FELIPE PONDÉ

A abençoada

Fsp 23/08

Tememos que nossa vida seja um atestado definitivo de nossa insignificância. E quase sempre é

ADORO O teatro. Brinquei de teatro na juventude. Esta foi minha primeira traição à medicina. Mas já tinha um filho e já era casado. É quase impossível fazer teatro e ter uma vida familiar normal no Brasil, dadas as condições em que trabalham os profissionais envolvidos com o teatro.
Isso deveria ser objeto de preocupação de todos, mas nossos oficiais da educação e da cultura se ocupam com coisas menores, como a burocracia das produtividades e das quantidades que sempre atrapalha a criação efetiva do que importa.
Aliás, a avassaladora tendência fascista de nossa época deveria ceder lugar a projetos educacionais verdadeiros. Mas não. Em lugar de projetos que eduquem os mais jovens para a condição humana, vivemos sob a tutela de burocratas que inventam todo dia modos de controlar nossas vidas, o que comemos, o que sentimos e o que pensamos, chegando ao cúmulo de querer "roubar" os direitos autorais dos outros, usurpando tudo em nome da "justiça social" -belo conceito, mas que serve a todo tipo de invasão da propriedade alheia e mau-caratismo ideológico. E vai piorar.
Que tal se levássemos o teatro a todas as escolas, tornando aulas de interpretação, dramaturgia e direção teatral parte do currículo obrigatório dos alunos?
O teatro educa nossa alma e nosso corpo, nos ensinando palavras que dão nome aos nossos espantos, medos e alegrias. Fazendo-nos debruçar sobre o humano em nós, este mesmo humano que vive acuado na banalidade das horas.
Poder educar com Shakespeare, Tchekhov, Sófocles, Nelson Rodrigues, entre outros, nos levaria a anos luz de distância da burocracia das produtividades e das quantidades que contamina as escolas, afogando-as na quase total insignificância espiritual.
Mas, sei que divago, sonhando com um mundo onde a educação não seria o terreno baldio que é. Habitado por todo tipo de utopias falsas e pequenos egos.
Recentemente assisti a um espetáculo no Teatro da Cultura Inglesa, "Piscina (sem água)", do britânico Mark Ravenhill, vencedor do 14º Cultura Inglesa Festival. Este espetáculo deveria ser levado a toda parte porque fala de algo essencial: a ambiguidade e a mediocridade humanas travestidas de bons sentimentos.
O enredo trata de um grupo de amigos artistas no qual uma delas é infinitamente superior aos outros. Fica rica e famosa com sua arte. O ódio ao sucesso da "amiga" os leva à loucura. Mas este ódio, escondido atrás de palavras doces, fala da dificuldade que temos de encarar o óbvio: nem todos nós temos talento e a maioria de nós é e sempre foi medíocre.
Voltando ao tema da educação, ao contrário do que tentam dizer muitos especialistas em educação, os mais jovens, sim, aguentam que falemos coisas assim pra eles.
Justamente porque são mais jovens, são menos infectados por esta doença mortal chamada medo da vida (que, cá entre nós, dá medo mesmo). Eles não precisam que fiquemos mentindo sobre algo que, no fundo e no silêncio de si mesmos, sabem: temos medo de ser medíocres e de que nossa vida seja um atestado definitivo de nossa insignificância. E quase sempre é.
A peça fala de arte e de amizade, mas vai muito além. A arte serve apenas como "desculpa" para falar do ressentimento da maioria contra a beleza da amiga "abençoada" (termo do próprio texto pra se referir a ela).
Fosse a "abençoada" uma engenheira numa fábrica de foguetes, o problema seria o mesmo: ressentimento e inveja por parte dos colegas medíocres. Em épocas como a nossa, na qual a sensibilidade dos ressentidos é vista como "direito à igualdade", este texto deveria ser gritado em voz alta em todos os cantos do mundo.
Ao final da peça, a "abençoada" descobre o que os "amigos" fazem pelas suas costas (não vou dizer o que eles fazem, trate de ir ver a peça). Ela grita: "Vocês são uns medíocres!" Ouvir isso é um "alívio", diz um dos medíocres.
Alívio para uma alma que derrete de medo diante do fracasso de sua vida. A fala da "abençoada" abre para seus "amigos" a chance de viver de outra forma. A sinceridade pode curar um covarde. Experimente um dia.

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ENTREVISTA DA 2ª
GILSON DIPP

Magistratura não tem blindagem contra corrupção

Fsp 23/08

NACIONAL DE JUSTIÇA, MINISTRO DIZ TER FICADO SURPRESO COM AMPLITUDE DE IRREGULARIDADES

A magistratura não tem uma blindagem contra a corrupção, admite o ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça, espécie de fiscal dos juízes. Às vésperas de ser substituído por Eliana Calmon, ele diz que as inspeções do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em 17 tribunais mostraram que as "maçãs podres" -os juízes sob suspeição- não eram tão pontuais como ele imaginava. "Isso foi surpreendente, chocante", diz. Nos dois anos em que Dipp foi corregedor, o CNJ puniu 36 magistrados.

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Folha - O que mudou no Judiciário com as inspeções do CNJ?
Gilson Dipp -
A mudança se deu com a criação do próprio CNJ, hoje uma sigla respeitada. As inspeções e as audiências públicas foram um passo adiante. A inspeção não se restringe ao aspecto disciplinar. É uma radiografia dos tribunais, das varas e dos cartórios.

O que mais o impressionou nessa radiografia?
Me impressionou muito a imensa desigualdade entre os Judiciários federais e os estaduais. A grande maioria dos Judiciários estaduais têm deficit de funcionários, poucos são concursados. Os cargos de comissão geralmente estão concentrados nos tribunais. Muitas vezes o juiz do interior é abandonado, com funcionários cedidos pelo município sem nenhum preparo específico.

Qual foi a irregularidade que mais o surpreendeu?
O que me impressionou foi uma prática recorrente em alguns Estados, não estou generalizando: a liberação de altos valores em cautelares, medidas liminares em detrimento de grandes empresas e grandes bancos, a favor de pseudo credores basicamente insolventes e sem qualquer garantia de caução. É um total desvirtuamento da autonomia do juiz. Um verdadeiro abuso de poder.

Nas inspeções nos Estados, o sr. encontrou mais "maçãs podres" do que imaginava?
Sim. Nós imaginávamos que os casos de "maçãs podres" eram muito pontuais. Na verdade, não foram tão pontuais assim. Isso foi surpreendente, chocante. Mostrou a todos nós que a magistratura não tem uma blindagem contra atos de corrupção e irregularidades.

Em 2007, o sr. disse que caiu o mito do juiz intocável. E os tribunais que não cumprem determinações do CNJ?
Os tribunais sempre foram ilhas desconhecidas e intocáveis. Quando tiveram que prestar contas das atividades administrativas, orçamentárias e disciplinares a um órgão de coordenação nacional, a reação foi grande. Hoje a resistência é pequena. Alguns tribunais eram compostos de barões, duques, fidalgos, e com um rei a cada dois anos. Esse mito está caindo.

Foi difícil afastar o juiz federal Weliton Militão dos Santos [da Operação Pasárgada]?
O CNJ tomou uma decisão unânime, muito consciente e baseada nas provas existentes. Não fez mais do que sua obrigação e nada que fosse difícil. Na verdade, os tribunais ainda têm muitas dificuldades de tocar processos administrativos disciplinares para eventuais punições de seus integrantes. Sobre os mesmos fatos apreciados pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região [que apenas censurou o juiz], o CNJ chegou a uma decisão diametralmente oposta. É o papel do CNJ e é a sua obrigação.

Foi difícil aposentar o ministro Paulo Medina, do STJ, juiz prestigiado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais?
É sempre muito penoso ser o relator de um processo que investiga um colega de tribunal. No caso, houve a decisão unânime do colegiado de penalizá-lo com a aposentadoria compulsória. Eu e meus colegas do conselho não fazemos isso sem traumatismos. É um colega que eu conhecia há muitos anos. Mas ou assumo a condição de corregedor ou temos que reconhecer que o CNJ não é capaz de tomar decisões drásticas.

A aposentadoria compulsória é um prêmio ou uma pena sem condenação definitiva?
É a pena mais grave prevista na atual lei da magistratura. Ela não é um prêmio. A pecha que recai sobre o magistrado o atinge como pessoa, com atribuições de honra e de cidadania. Não estou falando do caso específico, mas quando se aposenta o juiz está se retirando o magistrado do local que lhe propiciava as práticas de atos irregulares. Isso não é pouco.

Para alguns juízes, o CNJ extrapola sua competência ao entrar em decisões judiciais.
O CNJ jamais entra na autonomia do juiz. Salvo quando a decisão revela abuso de poder. Há inúmeras apurações a pedido dos próprios tribunais, porque eles não tinham autoridade de fazer um procedimento disciplinar. O CNJ não extrapola. O ideal seria não haver irregularidade por parte de juízes.

O fato de o ministro Celso de Mello, do STF, determinar que voltassem ao cargo dez juízes aposentados pelo CNJ compromete o conselho?
Absolutamente. É um caso pontual em que houve o afastamento de dez magistrados. É uma decisão ainda provisória, proferida isoladamente. Não vejo como essa decisão comprometa a autonomia do CNJ. O processo veio para cá a pedido do próprio corregedor do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. Mas isso são percalços que o CNJ está correndo, já correu e vai correr. Há decisões muitas vezes incompreendidas, porque estamos aqui no chão, no front, e não fechados em gabinetes.

O ministro Dias Toffoli afirmou que o CNJ atropelou os princípios da ampla defesa e do contraditório, no caso do "auxílio-voto" para juízes convocados pelo TJ-SP.
Confesso que não vi a decisão. Parece que se discutia a possibilidade de os juízes que receberam o "auxílio-voto" fazerem a devolução desses valores, e que eles não foram intimados. Acho que a decisão não desvirtua e não afronta o CNJ. Às vezes erramos e podemos sofrer o crivo e, ainda bem, apenas do STF.

O ministro Cezar Peluso mantém a disposição do antecessor, Gilmar Mendes, de apoiar as inspeções?
Ele sempre manifestou a intenção de ser bem intransigente com todos os deslizes administrativos e disciplinares. Sempre recebemos todo o apoio dele. As inspeções e audiências tendem a diminuir. Já sabemos os problemas recorrentes da magistratura. As inspeções no futuro, serão pontuais para apurar determinados fatos, mesmo com alguma amplitude. Não serão inspeções que deslocam muitos funcionários.

A atuação do CNJ será mantida pela nova corregedora, ministra Eliana Calmon?
Tenho absoluta confiança que ela vai desenvolver um trabalho eficiente. Não só pela sua postura, como também pelas manifestações que tem feito dar continuidade ao trabalho que foi iniciado. O aprimoramento do Judiciário é um caminho sem volta.

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