Para Waltercio Caldas, megaexposições não conseguem dar conta da globalização das ideias no mundo atual
Carioca diz que novas gerações não deveriam ignorar a história da arte e elogia americano Matthew Barney
Admirador confesso de Auguste Rodin (1840-1917), Constantin Brancusi (1876-1957) e Pablo Picasso (1881-1973), Waltercio Caldas lamenta que as novas gerações de artistas brasileiros ignorem a história da disciplina -"perde-se muito com isso". O artista plástico também afirma que não consegue imaginar um mundo sem livros, mesmo vivendo na era digital. (MARCOS FLAMÍNIO PERES)
Folha - Às vésperas de mais uma Bienal de Arte de São Paulo, como vê o conceito de grandes exposições?
Waltercio Caldas - São anacrônicas, porque, embora pretendam absorver o que está acontecendo no mundo, ele está muito mais complexo do que elas são capazes de suportar.
Por não conseguirem dar conta da globalização das ideias e da vertiginosidade do tempo, tornam-se específicas. Embora o discurso seja totalizador, acabam defendendo um ponto de vista muito particular. E essa contradição corrói esse tipo de evento.
Como vê a apropriação de seu trabalho pelos artistas contemporâneos?
Hoje em dia, alguns artistas consideram que se pode fazer arte sem ter noção da história da arte, sem ter noção de todas as conquistas anteriores. E tenho a impressão de perdemos muito com essa deliberada ignorância.
Livros e palimpsestos sempre foram recorrentes em sua obra. Como vê o futuro da palavra impressa com o advento das novas tecnologias?
Não consigo imaginar o futuro da humanidade sem palavra impressa e sem papel. Os livros têm características tão especiais que nunca serão substituídas. A mídia eletrônica oferece ao espectador uma participação na velocidade do mundo, em sua vertiginosidade, enquanto o livro atende mais à ideia de contemplação.
Usa Facebook ou Twitter?
Procuro evitar... Tenho uma relação muita íntima com o tempo. Acho extremamente desagradável me relacionar com uma imagem que é filtrada por uma luz artificial que nos chega por meio de um sinal eletrônico.
Como avalia os museus brasileiros e sua formação de acervo?
É um problema que temos por puro descaso nosso. São poucos os museus que têm política de aquisição, e, quando as têm, são muitas vezes esporádicas e temporárias. Isso faz com que as instituições às vezes não tenham um acervo que possam representar sua própria história.
E como mudar isso?
Bem, para usar os perfumes como metáfora, acho que o Brasil, em arte, está começando a produzir fragrâncias muito boas, mas conhece muito pouco do processo fixador. E, no entanto, ele é fundamental.
A falta de apelo exótico de sua obra foi um problema para sua aceitação no exterior?
Não, pois acho que o mundo é suficientemente complexo para incorporar trabalhos de toda natureza.
Não acha que existe hoje uma culturalização da arte, entendida a partir de conceitos como cor, etnia etc.?
Acho, e isso de certo modo substitui os "ismos" [as vanguardas]. Por terem se tornado densos demais, cederam lugar a ordens sociológicas, psicológicas, etnológicas... Sob esse ponto de vista, meu trabalho tem um viés bastante crítico. Uma obra é exatamente aquilo que ela é, ele não quer ser a representação de nenhuma outra coisa.
Qual o artista que mais chama sua atenção na cena atual?
Gosto muito do [americano] Matthew Barney. Acho que ele tem uma pegada na questão dos materiais que é bastante inovadora.
Um crítico já definiu seu humor como machadiano. Você se reconhece nele?
Isso me lisonjeia, porque o humor de Machado -quase uma ironia- é uma necessidade para o Brasil.
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Museu da Língua inaugura mostra interativa sobre Fernando Pessoa
FSP 24/08
Exposição parte de viés didático-sensorial para explorar obra do poeta e de seus heterônimos
Além do uso de recursos digitais, "Plural como o Universo" tem seção com livros, revistas e documentos raros
Acompanhado de seus heterônimos, o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) é o próximo autor a desembarcar em uma exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa.
"Fernando Pessoa, Plural como o Universo" abre hoje para o público e permanece em cartaz até janeiro do ano que vem.
O uso da palavra "plural" no título é justificado assim que o visitante chega à exposição. Na primeira sala, os heterônimos criados por Pessoa, entre eles Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares, ganham vida em cabines, em que o visitante entra para uma espécie de imersão privada.
No escurinho, trechos de poemas são projetados sempre um a um. Para passar de um texto para outro, o visitante só precisa levantar a mão até um sensor.
Com curadoria de Carlos Felipe Moisés, poeta formado pela USP, e Richard Zenith, escritor e ensaísta americano radicado em Lisboa desde 1987, a exposição é rica de interações digitais do gênero.
"A opção de mostrar apenas trechos foi feita porque as poesias de Fernando Pessoa, em geral, eram muito extensas; "Ode Marítima", de Álvaro de Campos, por exemplo, tem cerca de 900 versos", explica Zenith.
Por esse viés didático-sensorial, é possível perceber também que o poeta português não criou desdobramentos de personalidade somente para diversificar a linguagem. Seus heterônimos também possuem biografias particulares.
Ricardo Reis, por exemplo, é um médico da cidade do Porto que estudou em colégio de jesuítas. Pessoa não atribui a ele data de morte -apenas de nascimento.
PARTE DOCUMENTAL Um labirinto com poemas em relevo nas paredes leva o visitante para um segundo salão. Ali, a cenografia de Helio Eichbauer coloca em evidência a parte documental da mostra.
E monta uma mesa de leituras, onde ficam espalhadas edições traduzidas para várias línguas (inglês, grego, russo, entre outras).
Entre os documentos, há revistas publicadas nas décadas de 10, 20 e 30 do século passado, como a "Portugal Futurista", marco do movimento modernista português. As peças foram emprestadas por um colecionador de Pernambuco, José Paulo Cavalcanti Filho.
Sobre a mesa, há ainda a projeção de um manuscrito do livro "Mensagem". Suas páginas podem ser viradas também por meio de um sensor. O original está na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Bienal do Livro de São Paulo lota e colapsa
Fsp 23/08
Público no sábado foi de 110 mil, recorde para um dia do evento; empresa que realiza feira quer deixar Anhembi
Organizadores admitem falha nos transportes, na alimentação e na sinalização, além de filas lentas e excessivas
A 21ª Bienal do Livro de São Paulo, encerrada ontem, teve no último sábado o maior público já registrado em único dia na história do evento.
Segundo a organização, aproximadamente 110 mil pessoas visitaram a feira literária anteontem.
A superlotação ressaltou as falhas na infraestrutura do evento, reconhecidas pela organização.
"Estamos fazendo um Bienal do século 21 num espaço de 1970. São Paulo é a capital de eventos da América Latina e precisa de um pavilhão de feiras mais moderno", disse Juan Pablo de Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, empresa que organizou a feira.
A Bienal é realizada nos formatos atuais desde 1970. Vera afirmou que uma alternativa ao Anhembi deverá ser estudada para as próximas edições.
Foram reconhecidos como falhos também pelos organizadores os serviços de alimentação, transporte e acesso ao pavilhão.
O número de restaurantes na feira literária mostrou-se insuficiente, e a sinalização que leva ao Anhembi foi considerada ruim.
Foi também deficiente o acesso aos ônibus que levam o público da estação de metrô Tietê para a Bienal, sempre com filas quilométricas.
Eduardo Mendes, diretor-executivo da CBL (Câmara Brasileira de Livros), afirmou que um dos pontos positivos desta Bienal foi a criação de um comitê curador para repensar o evento.
"Os curadores souberam fazer um programação que tivesse relevância cultural e também fosse popular. Pretendemos manter o comitê na próxima Bienal", disse.
Outra novidade bem avaliada pela CBL foi a arena gastronômica Cozinhando com as Palavras. A programação da tenda ressaltou a ligação da culinária com a obra de autores como Monteiro Lobato, entre outros.
Na tarde de ontem, foram divulgados dados preliminares de público.
O total de visitantes até as 12h de ontem foi de 703 mil pessoas. A estimativa é que até as 18h, quando os portões foram fechados, o número chegasse a 745 mil pessoas. Em 2008, última edição da Bienal, o público total somou 728 mil visitantes.
Os dados completos serão divulgados na quarta-feira.
Também foi divulgada a data da próxima Bienal: de 9 a 19 de agosto de 2012.
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O Rio das Olimpíadas e da Copa espera as respostas
Fsp 23/08 Foi a segunda vez em seis anos que os moradores de classe média alta de São Conrado sofreram com um tiroteio cerrado que levou pânico ao bairro.
O primeiro conflito, em 2004, envolveu uma guerra entre as facções do tráfico que controlavam as favelas da Rocinha, a maior do Rio, e sua vizinha, a do Vidigal.
O segundo, na manhã do último sábado, decorreu do suposto encontro casual de policiais com carros de traficantes da Rocinha que voltavam de uma festa no Vidigal.
Nas duas vezes, o conflito saiu de seu território usual para derramar-se perigosamente, "fora de lugar", nas imediações de prédios e condomínios que abrigam parte da população de melhor renda da cidade. O que na primeira vez foi inusual, um descontrole dos personagens, desta vez não parece ter sido tão casual assim.
Festas e bailes são comuns nas favelas e conjuntos habitacionais de baixa renda, incluindo o tráfego de pessoal em veículos coordenados e com "seguranças" armados, para se defender de seus inimigos de outras facções ou de policiais.
Raramente uma patrulha policial enfrenta esses "bondes", seja por desequilíbrio na relação de forças, seja por um acordo tácito em que os próprios traficantes evitam, instrumentalmente, o confronto. Muitas vezes, eles sabem que "é burrice" levar o conflito para o asfalto. Por que, então, desta vez acabou sendo diferente?
Se tivermos uma investigação policial séria sobre o que aconteceu, teremos respostas a algumas perguntas que insistem em permanecer. Foi a primeira vez que patrulhas da PM viram um "bonde" naquele trecho? Os traficantes desta vez estavam interessados no confronto, por alguma razão? Há algum fato novo, nesse caso, relacionado à instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) em favelas da zona sul do Rio?
Os policiais foram atacados primeiro ou, pelo contrário, decidiram, mesmo sem tempo de pedir reforços, enfrentar heroicamente os traficantes que estavam em número superior?
A avaliação das causas e efeitos deste confronto "fora de lugar" pode reservar surpresas. O Rio das Olimpíadas e da Copa do Mundo espera as respostas.
MICHEL MISSE é professor de Sociologia e coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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O câncer será a próxima epidemia dos países pobres
El País
Em muitos países da África subsaariana, onde chegar aos 50 anos é um feito, uma típica doença de velhos pode passar despercebida para a população e os responsáveis pela saúde. Mas o câncer – ou, melhor dizendo, os vários tipos de câncer – não é um desconhecido para os mais pobres.
De fato, dos 12 milhões de casos que surgem a cada ano no mundo, segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), 60% dos diagnósticos se dão nas regiões de baixa ou média renda.E a porcentagem de falecimentos é ainda maior: 64% dos oito milhões de mortes que acontecem no mundo por causa de tumores. Tudo isso acontece num cenário muito negativo: só 5% do dinheiro usado no combate ao câncer se destina aos países que reúnem 80% dos casos, segundo Julio Frenk, autor de um artigo publicado esta semana no The Lancet.
Não há médicos, planos estatais nem remédios. A situação, além disso, só vai piorar, advertem os especialistas da União Internacional Contra o Câncer (UICC), que estão reunidos na cidade chinesa de Shenzen. Porque, ao contrário de outras doenças, o câncer aumentará. Assim, calcula-se que em 2020 os países pobres sofrerão com 70% da carga sanitária do câncer (um indicador que combina casos, mortes e anos de doença) frente a aproximadamente 50% no início do século 21. E em 2050, eles terão até 75% das mortes por esta doença, segundo um informe apresentado pelo grupo CanTreat (em português, Podemos Tratar), uma coalizão de sociedades científicas e universidades, e que conta com o apoio da fundação de Lance Armstrong.
O presidente da Sociedade espanhola de Oncologia Médica (SEOM), Emilio Alba, explica porque haverá esse aumento do câncer. “Antes, nos países pobres, as pessoas morriam por doenças infecciosas, mas à medida que se separa à água potável do esgoto, e as vacinas chegam, esta situação muda. Evitam-se as mortes de pessoas jovens, e o câncer é uma doença de pessoas mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos”. Além disso, há dois fatores que são causa direta do câncer e que estão no auge nos países pobres: “o tabagismo e a obesidade”. Com esta combinação, o aumento está servido.
Logicamente, a CanTreat não quer assustar, mas quer uma reação. E dá o exemplo de como a ONU enfrentou a Aids, com uma agência (ONUAids) e financiamento (o Fundo Mundial). Na verdade, a situação de início é tão ruim que lembra a de dez anos atrás em relação ao HIV (vírus da Aids), quando já se falava da doença crônica nos países ricos e não havia tratamentos nos demais. Por exemplo, enquanto nos Estados Unidos a taxa de cura do câncer de mama é de 84%, em Gâmbia é de 12%. Ou ainda, 85% das crianças com um tumor se recuperam no mundo rico, frente a 15% nos outros países. O resultado é que nos países desenvolvidos mais de 50% dos pacientes com câncer se curam. No restante, 80% das pessoas são diagnosticadas quando já não pode fazer mais nada.
A solução passa por uma abordagem global do problema. “Este tema precisa ser tratado pela ONU”, disse o assessor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Andreas Ullrich. A primeira batalha é a falta de fundos. Dos US$ 21 milhões (R$ 36,9 milhões) de ajuda externa dedicada a programas de saúde pública por ano, segundo a OMS, não há nenhuma parte específica para o câncer. E, além disso, se ela existisse, seria difícil de usar: na África e em menor medida na América Latina e no sudeste asiático não há planos estatais contra a doença.
Outro dos futuros problemas da batalha para dar uma resposta ao câncer é o acesso aos medicamentos – novamente a situação se parece com a da Aids. Com a diferença de que os remédios são ainda mais caros (calcula-se que é a doença mais cara de se tratar no mundo), e que não bastam. Contra o HIV chegou-se a uma solução na qual três comprimidos por dia servem para começar. No câncer, muitas terapias não são orais, mas é preciso administrá-las via intravenosa, como a quimioterapia. Ou, o que é mais difícil e custoso ainda, pelas complicadas máquinas de radioterapia.
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LUIZ FELIPE PONDÉ
A abençoada
Fsp 23/08
Tememos que nossa vida seja um atestado definitivo de nossa insignificância. E quase sempre é
ADORO O teatro. Brinquei de teatro na juventude. Esta foi minha primeira traição à medicina. Mas já tinha um filho e já era casado. É quase impossível fazer teatro e ter uma vida familiar normal no Brasil, dadas as condições em que trabalham os profissionais envolvidos com o teatro.
Isso deveria ser objeto de preocupação de todos, mas nossos oficiais da educação e da cultura se ocupam com coisas menores, como a burocracia das produtividades e das quantidades que sempre atrapalha a criação efetiva do que importa.
Aliás, a avassaladora tendência fascista de nossa época deveria ceder lugar a projetos educacionais verdadeiros. Mas não. Em lugar de projetos que eduquem os mais jovens para a condição humana, vivemos sob a tutela de burocratas que inventam todo dia modos de controlar nossas vidas, o que comemos, o que sentimos e o que pensamos, chegando ao cúmulo de querer "roubar" os direitos autorais dos outros, usurpando tudo em nome da "justiça social" -belo conceito, mas que serve a todo tipo de invasão da propriedade alheia e mau-caratismo ideológico. E vai piorar.
Que tal se levássemos o teatro a todas as escolas, tornando aulas de interpretação, dramaturgia e direção teatral parte do currículo obrigatório dos alunos?
O teatro educa nossa alma e nosso corpo, nos ensinando palavras que dão nome aos nossos espantos, medos e alegrias. Fazendo-nos debruçar sobre o humano em nós, este mesmo humano que vive acuado na banalidade das horas.
Poder educar com Shakespeare, Tchekhov, Sófocles, Nelson Rodrigues, entre outros, nos levaria a anos luz de distância da burocracia das produtividades e das quantidades que contamina as escolas, afogando-as na quase total insignificância espiritual.
Mas, sei que divago, sonhando com um mundo onde a educação não seria o terreno baldio que é. Habitado por todo tipo de utopias falsas e pequenos egos.
Recentemente assisti a um espetáculo no Teatro da Cultura Inglesa, "Piscina (sem água)", do britânico Mark Ravenhill, vencedor do 14º Cultura Inglesa Festival. Este espetáculo deveria ser levado a toda parte porque fala de algo essencial: a ambiguidade e a mediocridade humanas travestidas de bons sentimentos.
O enredo trata de um grupo de amigos artistas no qual uma delas é infinitamente superior aos outros. Fica rica e famosa com sua arte. O ódio ao sucesso da "amiga" os leva à loucura. Mas este ódio, escondido atrás de palavras doces, fala da dificuldade que temos de encarar o óbvio: nem todos nós temos talento e a maioria de nós é e sempre foi medíocre.
Voltando ao tema da educação, ao contrário do que tentam dizer muitos especialistas em educação, os mais jovens, sim, aguentam que falemos coisas assim pra eles.
Justamente porque são mais jovens, são menos infectados por esta doença mortal chamada medo da vida (que, cá entre nós, dá medo mesmo). Eles não precisam que fiquemos mentindo sobre algo que, no fundo e no silêncio de si mesmos, sabem: temos medo de ser medíocres e de que nossa vida seja um atestado definitivo de nossa insignificância. E quase sempre é.
A peça fala de arte e de amizade, mas vai muito além. A arte serve apenas como "desculpa" para falar do ressentimento da maioria contra a beleza da amiga "abençoada" (termo do próprio texto pra se referir a ela).
Fosse a "abençoada" uma engenheira numa fábrica de foguetes, o problema seria o mesmo: ressentimento e inveja por parte dos colegas medíocres. Em épocas como a nossa, na qual a sensibilidade dos ressentidos é vista como "direito à igualdade", este texto deveria ser gritado em voz alta em todos os cantos do mundo.
Ao final da peça, a "abençoada" descobre o que os "amigos" fazem pelas suas costas (não vou dizer o que eles fazem, trate de ir ver a peça). Ela grita: "Vocês são uns medíocres!" Ouvir isso é um "alívio", diz um dos medíocres.
Alívio para uma alma que derrete de medo diante do fracasso de sua vida. A fala da "abençoada" abre para seus "amigos" a chance de viver de outra forma. A sinceridade pode curar um covarde. Experimente um dia.
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ENTREVISTA DA 2ª GILSON DIPP
Magistratura não tem blindagem contra corrupção
Fsp 23/08
NACIONAL DE JUSTIÇA, MINISTRO DIZ TER FICADO SURPRESO COM AMPLITUDE DE IRREGULARIDADES
A magistratura não tem uma blindagem contra a corrupção, admite o ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça, espécie de fiscal dos juízes. Às vésperas de ser substituído por Eliana Calmon, ele diz que as inspeções do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em 17 tribunais mostraram que as "maçãs podres" -os juízes sob suspeição- não eram tão pontuais como ele imaginava. "Isso foi surpreendente, chocante", diz. Nos dois anos em que Dipp foi corregedor, o CNJ puniu 36 magistrados.
Folha - O que mudou no Judiciário com as inspeções do CNJ?
Gilson Dipp - A mudança se deu com a criação do próprio CNJ, hoje uma sigla respeitada. As inspeções e as audiências públicas foram um passo adiante. A inspeção não se restringe ao aspecto disciplinar. É uma radiografia dos tribunais, das varas e dos cartórios.
O que mais o impressionou nessa radiografia? Me impressionou muito a imensa desigualdade entre os Judiciários federais e os estaduais. A grande maioria dos Judiciários estaduais têm deficit de funcionários, poucos são concursados. Os cargos de comissão geralmente estão concentrados nos tribunais. Muitas vezes o juiz do interior é abandonado, com funcionários cedidos pelo município sem nenhum preparo específico.
Qual foi a irregularidade que mais o surpreendeu? O que me impressionou foi uma prática recorrente em alguns Estados, não estou generalizando: a liberação de altos valores em cautelares, medidas liminares em detrimento de grandes empresas e grandes bancos, a favor de pseudo credores basicamente insolventes e sem qualquer garantia de caução. É um total desvirtuamento da autonomia do juiz. Um verdadeiro abuso de poder.
Nas inspeções nos Estados, o sr. encontrou mais "maçãs podres" do que imaginava? Sim. Nós imaginávamos que os casos de "maçãs podres" eram muito pontuais. Na verdade, não foram tão pontuais assim. Isso foi surpreendente, chocante. Mostrou a todos nós que a magistratura não tem uma blindagem contra atos de corrupção e irregularidades.
Em 2007, o sr. disse que caiu o mito do juiz intocável. E os tribunais que não cumprem determinações do CNJ? Os tribunais sempre foram ilhas desconhecidas e intocáveis. Quando tiveram que prestar contas das atividades administrativas, orçamentárias e disciplinares a um órgão de coordenação nacional, a reação foi grande. Hoje a resistência é pequena. Alguns tribunais eram compostos de barões, duques, fidalgos, e com um rei a cada dois anos. Esse mito está caindo.
Foi difícil afastar o juiz federal Weliton Militão dos Santos [da Operação Pasárgada]? O CNJ tomou uma decisão unânime, muito consciente e baseada nas provas existentes. Não fez mais do que sua obrigação e nada que fosse difícil. Na verdade, os tribunais ainda têm muitas dificuldades de tocar processos administrativos disciplinares para eventuais punições de seus integrantes. Sobre os mesmos fatos apreciados pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região [que apenas censurou o juiz], o CNJ chegou a uma decisão diametralmente oposta. É o papel do CNJ e é a sua obrigação.
Foi difícil aposentar o ministro Paulo Medina, do STJ, juiz prestigiado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais? É sempre muito penoso ser o relator de um processo que investiga um colega de tribunal. No caso, houve a decisão unânime do colegiado de penalizá-lo com a aposentadoria compulsória. Eu e meus colegas do conselho não fazemos isso sem traumatismos. É um colega que eu conhecia há muitos anos. Mas ou assumo a condição de corregedor ou temos que reconhecer que o CNJ não é capaz de tomar decisões drásticas.
A aposentadoria compulsória é um prêmio ou uma pena sem condenação definitiva? É a pena mais grave prevista na atual lei da magistratura. Ela não é um prêmio. A pecha que recai sobre o magistrado o atinge como pessoa, com atribuições de honra e de cidadania. Não estou falando do caso específico, mas quando se aposenta o juiz está se retirando o magistrado do local que lhe propiciava as práticas de atos irregulares. Isso não é pouco.
Para alguns juízes, o CNJ extrapola sua competência ao entrar em decisões judiciais. O CNJ jamais entra na autonomia do juiz. Salvo quando a decisão revela abuso de poder. Há inúmeras apurações a pedido dos próprios tribunais, porque eles não tinham autoridade de fazer um procedimento disciplinar. O CNJ não extrapola. O ideal seria não haver irregularidade por parte de juízes.
O fato de o ministro Celso de Mello, do STF, determinar que voltassem ao cargo dez juízes aposentados pelo CNJ compromete o conselho? Absolutamente. É um caso pontual em que houve o afastamento de dez magistrados. É uma decisão ainda provisória, proferida isoladamente. Não vejo como essa decisão comprometa a autonomia do CNJ. O processo veio para cá a pedido do próprio corregedor do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. Mas isso são percalços que o CNJ está correndo, já correu e vai correr. Há decisões muitas vezes incompreendidas, porque estamos aqui no chão, no front, e não fechados em gabinetes.
O ministro Dias Toffoli afirmou que o CNJ atropelou os princípios da ampla defesa e do contraditório, no caso do "auxílio-voto" para juízes convocados pelo TJ-SP. Confesso que não vi a decisão. Parece que se discutia a possibilidade de os juízes que receberam o "auxílio-voto" fazerem a devolução desses valores, e que eles não foram intimados. Acho que a decisão não desvirtua e não afronta o CNJ. Às vezes erramos e podemos sofrer o crivo e, ainda bem, apenas do STF.
O ministro Cezar Peluso mantém a disposição do antecessor, Gilmar Mendes, de apoiar as inspeções? Ele sempre manifestou a intenção de ser bem intransigente com todos os deslizes administrativos e disciplinares. Sempre recebemos todo o apoio dele. As inspeções e audiências tendem a diminuir. Já sabemos os problemas recorrentes da magistratura. As inspeções no futuro, serão pontuais para apurar determinados fatos, mesmo com alguma amplitude. Não serão inspeções que deslocam muitos funcionários.
A atuação do CNJ será mantida pela nova corregedora, ministra Eliana Calmon? Tenho absoluta confiança que ela vai desenvolver um trabalho eficiente. Não só pela sua postura, como também pelas manifestações que tem feito dar continuidade ao trabalho que foi iniciado. O aprimoramento do Judiciário é um caminho sem volta.
domingo, 22 de agosto de 2010
País tem de investir R$ 43 bi em portos
Segundo Ipea, aplicação prevista no PAC representa apenas 23% dos recursos necessários para a modernização
Deficiência no sistema portuário do Norte obriga o Centro-Oeste a escoar a produção por Santos e Paranaguá
FSP 22/08
Os portos estão defasados, não têm capacidade para receber navios de maior porte e os investimentos no setor, apesar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), são insuficientes.
Outro grande gargalo está nos acessos por rodovias e ferrovias, que precisam, em muitos casos, ser construídos ou duplicados.
O diagnóstico é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à Presidência da República, que estima em R$ 42,9 bilhões o valor necessário para tirar os entraves à expansão dos portos -e, portanto, ao comércio exterior. O PAC prevê R$ 9,8 bilhões até o fim deste ano -23% do necessário.
A falta de interligação ferroviária e rodoviária obriga a safra do Centro-Oeste a ser escoada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), percorrendo distância maior.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) afirma que falta investimento para escoar a safra do Centro-Oeste por Santarém, Vila do Conde (ambos no Pará) ou Itaqui, onde um projeto de expansão do porto de São Luís (MA) está atrasado há pelo menos três anos.
O problema da dragagem começa a ser resolvido e há projetos já em andamento para aprofundar os canais de navegação nos principais portos do país, como Santos.
Para Alexandre Mattos de Andrade, diretor da consultoria Macroplan, os investimentos são insuficientes diante da previsão de aumento da demanda por portos. Para a soja, por exemplo, a expectativa é que a produção cresça 130% até 2023.
acesse e prestigie eventos culturais em nossa Capital Federal
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Livro: A íris do olho da noite do escritor Menezes Y Morais
Escritor Menezes y Morais, como é conhecido, nasceu em Altos, Piauí. Radicado em Brasília desde 1980, lidera o movimento Coletivo de Poetas que existe há 19 anos e que realiza saraus em todo o Distrito Federal.
Jornalista e escritor José Roberto da Silva
Livro “A outra orelha de van gogh” de José Roberto da Silva
A poesia de Zé Roberto é de marinhagem terrestre seduzida pelas musas, sereias da poesia. “A outra orelha de van gogh” é título duplo pois ecoa o silêncio que se segue ao amor, sendo o mais enigmático e dionisíaco; um livro “borgeano”, refletindo nos labirintos de espelhos a essência da luta na cidade transbabylônica. Zé é daqueles que anuncia: “de todos os artefatos, ainda prefiro a poesia”. Jornalista, inspirado no movimento de Poesia Concreta dos anos 60, sua poesia rápida, dinâmica, com a linguagem do cartaz, que transmite, fotografa ambientes e sensações.
Reflexão !!!!!!
Pedaços da memória
Numa ilha perdida no oceano, deixaram de nascer criancinhas. Homens e mulheres viviam em paz, não se atraíam, viviam todos como irmãos, na inocência natural da carne.
Um missionário foi lá para saber o que estava acontecendo. E ficou horrorizado: homens e mulheres andavam nus, na maior intimidade, nem sabiam o que era sexo. Na mesma hora, o missionário rasgou a batina e fez pequeninas tangas para que as mulheres pelo menos escondessem o que fosse possível.
Na primeira noite, o missionário foi dormir, mas não conseguiu. Os machos procuravam desesperadamente as fêmeas, muito se fornicou à custa das pequeninas tangas que excitaram os homens e deram mais prazer às mulheres. Meses depois, nasciam criancinhas naquela ilha perdida no oceano. O missionário as batizava, pois lá ficara para sempre.CARLOS HEITOR CONY Folha sp 27.04
Lançamento do livro de Climério Ferreira
Poesia Mínima & Frases Amenas é o mais recente livro do Climério Ferreira, uma grande obra construída, tijolo a tijolo, com a argamassa da síntese em que as palavras se fazem de cimento e dão liga ao concreto.
Livro Poesia Mínima & Frases Amenas de Climério Ferreira
É possível ler o livro sem parar. Aliás, este é o primeiro impulso. Mas logo se percebe que, como um bom vinho, o melhor mesmo é degustar, sem pressa. Até porque a síntese poética tem o poder de provocar reações, remeter a lembranças.
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JUSTIÇA
Promotoria troca processo por doação de livros em São Carlos
DE RIBEIRÃO PRETO - Suspeitos de cometerem crimes federais leves em São Carlos (232 km de São Paulo) estão se deparando com uma proposta inusitada do Ministério Público Federal: doar livros em vez de responder ao processo.
O acordo começou a ser proposto há sete meses para casos em que a punição é inferior a dois anos e para suspeitos sem antecedentes criminais. Se enquadram nessa situação crimes como falso testemunho, contrabando, descaminho e desacato, por exemplo. Fonte: www.folha.uol.com.br
Antônio Miranda
Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela). Professor e ex-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975. Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970. Foi Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília de 2007 a 2010.
DETRÁS DEL ESPEJO, poemas de Antonio Miranda,
traducción y prólogo de Elga Pérez-Laborde. www.abraceeditora.com
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PARA VIVER COM POESIA
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar: um estribilho antigo, o carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que um dia teve o próprio vento...
Mário Quintana
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O tempo é lento demais para os que esperam... rápido demais para os que temem... longo demais para os que sofrem... curto demais para os que celebram... mas para os que amam, o tempo é eterno. (Henry Van Dyke)
Nicolas Behr - Poesia Pau-Brasília
Nicolas Behr (Nikolaus von Behr) nasceu em Cuiabá, em 1958. Cursou o primário com os padres jesuítas em Diamantino, MT, onde os pais eram fazendeiros. Mudou-se para a capital aos 10 anos e queria ser geólogo, arqueológo ou historiador. Mora em Brasília desde 1974. http://www.nicolasbehr.com.br/
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POESIA
Versos de bar em bar
A geração mimeógrafo, que tem emNicolas Behr o mais conhecido representante na cidade, fez escola e tem seguidores. Uma delas é Mira Alves, poetisa que busca divulgar o trabalho distribuindo seus livretos em bares e restaurantes de Brasília. Informações: miraa1. ecosol@gmail.com ou 8157-4119.
Poeta Jorge Amâncio
Jorge Amancio é fundador do Centro de Estudos Afro Brasileiro e do Grupo Cultural Axé Dudu. Faz parte da Academia de letras do Brasil - secção DF, do Coletivo de Poetas de Brasília e do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Já participou de diversas antologias e publicou em 2007 o livro NEGROJORGEN. É coordenador do projeto Poemação – Sarau Videoliteromusical, que acontece na Biblioteca Nacional de Brasília. Mantém os blogs negrojorgen.blogspot.com e poemacao.blogspot.com.
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"Vivemos em um continente cheio de anacronismos. Por isso é um terreno fértil para a literatura. O escritor não pode escapar dessas percepções, mesmo que só queira contar uma história de amor"SERGIO RAMÍREZ escritor nicaraguense
Marcos Freitas
Brasília/DF . “Escrever é fácil: você começa com uma letra Maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias.” Neruda. "Temos a arte para que a verdade não nos destrua..."; Nietzsche http://emversoeprosa.blogspot.com/
Lançamento ( 2010) mf
Livro de Marcos Freitas - URDIDURA DE SONHOS E ASSOMBROS (Poemas Escolhidos 2003-2007).
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“ Pode-se conhecer facilmente o caráter de um homem pela relação que ele mantém com o idioma (...).Elegância demasiada é suspeita, porque encobre um vazio.(...)O brasileiro, até mesmo no sentido filosófico, fala com sinceridade.Ele ainda deve criar sua própria linguagem.Isso também o obriga a pensar com sinceridade."João Guimarães Rosa
Jorge Ferreira
Empresário e escritor (poeta). Mineiro da cidade de Cruzília. Proprietário de bares em Brasília: Feitiço MIneiro, Armazém do Ferreira, Bar Brasília, Bar Brahma, Mercado Municipal ...
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Durante dias e dias o país inteiro discutiu uma miragem, um não-fato, algo que não existia. E na discussão se leu de tudo, analistas com julgamentos definitivos sobre a questão, acadêmicos soltando sentenças condenatórias, jornalistas atirando flechas na miragem.
O livro massacrado não defendia a norma “inculta”. Apenas seguia recomendações do Ministério da Educação, em vigor desde 1997, de não desprezar a fala popular. Era uma recomendação para que os jovens alfabetizados, que aprendem a falar corretamente, não desprezem pessoas do seu próprio meio, que não tiveram acesso à chamada norma culta.
Livro singelo de versos e causos do mineiro Jorge Ferreira foi escrito com entusiasmo para presentear os amigos no dia dos seus 50 anos. O bom texto traz imagens claras e potentes: seu próprio eu, que ele mesmo estranha; o pai que partiu antes da hora; o tio morto com seu terno azul de lisras claras e a gravata ainda cheiranda naftalina; uma Paulinha que se foi porque tudo tem seu fim; uma homenagem ao amigo que a política, cruel, abateu, mas voltará. Curtam este livro extraindo dele as palavras de um bom companheiro.