sexta-feira, 18 de janeiro de 2013










Revolução em sala de aulaGraças à dedicação de uma professora de português, estudantes da periferia de Planaltina foram estimulados a perder a inibição e a colocar as ideias em forma de texto. O resultado? Dezesseis passaram no vestibular.  CORREIO BSB 18.01.13

Extra, extra! Alunos do 3ª ano do Ensino Médio do Centro Educacional Pompílio Marques de Souza, em Planaltina, experimentaram, no ano passado, uma cápsula do tempo imaginária, na qual depositaram seus sonhos de vida. Uns querem ser médicos, professores e promotores de Justiça; outros, arquitetos, empresários, enfermeiros, nutricionistas, advogados e jornalistas. Dezesseis jovens garantiram vaga para o sucesso e estão aprovados em universidades federais e estaduais de Goiás.

A viagem ao futuro foi possível graças à dedicação da direção e dos docentes, em especial, da professora de português Conceição Guisardi. Apaixonada pela profissão, ela enxergou na escola — localizada no bairro Mestre D’Armas, periferia da cidade —, uma possibilidade de dar saltos mais altos. Tudo começou em 2012, quando a mestra chegou ao colégio transferida de uma unidade educacional do Paranoá. “Os alunos tinham pavor de redação. Para mim, aquilo não era normal”, observou ela.

Em uma tentativa de eliminar o bicho-papão da cabeça deles, a professora decidiu reinventar. Em uma das primeiras atividades do ano, incentivou-os a escreverem uma carta para quem quisessem. A atividade se chamava cápsula do tempo. Nela, a ideia era que cada jovem contasse como se imaginava dentro de uma ou mais décadas. “Um aluno disse que tinha se tornado um médico e o outro, um advogado”, contou Conceição, orgulhosa.

Ela ainda usou e abusou da tecnologia como recurso pedagógico. Tornou-se amiga da turma no Facebook. Postava os conteúdos a serem estudados via mensagem. Tinha data e horário para isso. Corrigia-os discretamente quando escreviam palavras como “hipocrisia” sem h.

As postagens de Camila Nunes, 17 anos, e de Lucas Oliveira, da mesma idade, na rede social foram usadas na prova bimestral, confeccionada em cores e com as mesmas regras de vestibular: era proibido usar corretivo e as respostas tinham que ser marcadas com caneta azul ou preta. Caso alguém fosse pego “colando”, a avaliação seria anulada.

O texto “Saudade que já dói”, de Lucas, gerou duas questões subjetivas para serem analisadas e marcadas. O que deveria ser um sufoco trouxe estímulo. “Montei uma prova colorida, com fotos e publicações deles e imprimi tudo em casa. Eles quase enlouqueceram ao verem os próprios textos na avaliação”, emocionou-se. Enlouqueceram mesmo. Mais que isso. Sentiram-se importantes, capazes, estimulados.

Aprovação

O Centro Educacional Pompílio Marques de Souza recebe os louros da aprovação de 16 estudantes em universidades públicas do país. Todos passaram na Universidade Estadual de Goiás (UEG), sendo 11 para letras e os demais para pedagogia, matemática e história.

O grupo ainda se inscreveu em vestibulares de universidades federais. Maria Beatriz Soares, 18 anos, foi uma delas. Ela passou em direito na Universidade Federal de Mato Grosso e aguarda o resultado da Universidade de Brasília (UnB). “Nas questões discursivas, a redação ajudou muito a gente. Quero ser promotora de Justiça porque acho uma linda profissão”, destacou.

Joadyson Silva Barbosa, 17 anos, deixou de lado os pensamentos negativos e se dedicou ainda mais aos estudos. Tirou 860 pontos na redação (1.000 é a nota máxima) e passou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para odontologia, na Universidade Federal de Uberlândia (MG), mas agua rda resultado do vestibular para medicina na UnB. “Se eu não passar, vou tentar até conseguir. Medicina é tudo, é o meu sonho. Antes eu tinha complexo de inferioridade, mas vi que sou capaz”, admitiu o jovem.

A mãe, Gilmária Santana, trabalha como auxiliar de serviços gerais no colégio Pompílio Marques e não disfarça a felicidade. “Na família, ele é o espelho. Estuda o dia inteiro e não quer saber de Facebook ou videogame. Fico muito orgulhosa”, admite.

Joadyson ainda venceu um concurso de redação promovido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ano passado. Havia cerca de dois mil concorrentes. O trabalho literário tinha como tema “O papel da internet na educação”. O estudante escreveu num trecho da redação que “a internet transforma paradigmas e integra as pessoas, mostrando-se aliada no processo de educação, tanto nas questões sociais quanto nas científicas”.

Furacão na escola

Joyce Rodrigues, 16 anos, tirou 900 pontos na prova dissertativa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado. Ela, porém, estava no 2º ano e não poderá cursar administração. “A redação foi decisiva. Amo ler e acabo escrevendo bem”, raciocinou a jovem, que diz ler pelo menos três livros literários por mês. Entre eles, estão A hora da estrela, de Clarisse Lispector e Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Ravane Rabelo da Silva, 17 anos, passou para letras, na UEG, e prontificou-se a dar aulas de reforma ortográfica a professores do colégio. “Eu tinha muita dificuldade para escrever, mas a professora levantou minha autoestima”, garantiu. A mãe, Maria Leni Rabelo Campos, 50 anos, estava maravilhada. “O que aconteceu na escola foi uma revolução. Eu só tenho o que agradecer a professora. Ela mora no meu coração”, elogiou.

A professora Conceição teve o apoio do diretor Welton Rabelo. Ambos realizaram projetos e atividades o ano passado inteiro. Promoveram aulões, uma vez que os jovens não tinham condições de pagar cursinhos. Diversos simulados foram aplicados em turno contrário. Alunos disputavam quem tirava nota maior, quem desempenhava melhor as tarefas designadas.

 “Em 2012 passou um furacão na escola. Foi cansativo, mas quando se tem dedicação e vontade, as coisas funcionam. Os alunos do 3º ano deixaram bons exemplos para as outras turmas”, destacou Welton. “Eles são os mais ciumentos e dedicados que conheci em 14 anos de profissão”, concluiu Conceição. Fica a saudade.

Vagas na internet
O informatizado Sistema de Seleção Unificada (Sisu), gerenciado pelo Ministério da Educação (MEC), é um portal de ensino no qual instituições públicas de educação superior oferecem vagas para candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
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Prefeito faz discurso de aproximação aos movimentos sociais

Um dia depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconselhá-lo a abrir seu governo para a participação popular, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), discursou para representantes de movimentos sociais e pediu a ajuda da sociedade para debater as propostas para o município e ajudá-lo na comunicação com os paulistanos, para evitar a paralisação de projetos da nova gestão.  VALOR ECONÔMICO 18.01.13

"Tenho consciência da fragilidade de estar à frente do Poder Executivo sem contar com o apoio da população para resolver os nossos problemas", afirmou ontem, no lançamento da 4ª edição dos Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município, feita pelo Ibope e pela Rede Nossa São Paulo, que reúne mais de 100 entidades da sociedade civil (ver reportagem na página 10).

Segundo a pesquisa, segue baixa a confiança em instituições como a prefeitura, a Câmara Municipal, o Judiciário e o Tribunal de Contas do Município. O item com pior avaliação, dos 169 pesquisados, foi "honestidade dos governantes", com nota 2,9, de 10 possíveis. "Hoje, a sensação na cidade é que tem uma negociata por trás de todo empreendimento, por trás de toda iniciativa pública", disse o prefeito, que reclamar das inúmeras consultas do Ministério Público aos projetos e da necessidade de responder a uma série de órgãos para viabilizar cada empreendimento.

O petista evitou, porém, criticar a gestão anterior, do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que na campanha foi atacada por Haddad pelos casos de corrupção. A mudança de postura ocorreu logo após a eleição, quando Kassab se tornou um aliado importante para garantir a governabilidade na Câmara - o PSD tem a terceira maior bancada.

Haddad preferiu adotar o discurso de que essa sensação de negociatas é nutrida pela falta de comunicação. "Quando você se expõe e discute os problemas sem reservas, as pessoas passam a acreditar e ver a sinceridade dos seus argumentos. Quanto mais você explicar para as pessoas, mais vai angariar apoio para as difíceis decisões que o dia a dia te impõe", afirmou.

Haddad, contudo, buscou mostrar diferenças em relação a Kassab, que investiu pesado em propagandas na televisão para melhorar a avaliação do governo. Para o petista, o essencial é o diálogo com a sociedade. "Não vejo outra possibilidade do que ganhar a batalha da comunicação. E para isso não é a propaganda na TV, é disposição para debater e dialogar. Não é publicidade e propaganda", pontuou.

Segundo Haddad, a receita da cidade para investimentos é pequena e será preciso firmar parcerias com os governos estadual e federal, a iniciativa privada e a comunidade. O prefeito previu que eventuais problemas surjam disso e pregou o diálogo para resolver isso. "Se eu contava com recurso federal que não veio, vou dizer. Se um secretário meu falhou, vou dizer. Se eu falhei, vou dizer. É a única maneira de corrigir os erros", afirmou.

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...E O HOMEM CRIOU DEUS A

pós receber o Jabuti como ilustrador, Ferreira Gullar revela ao Correio as inspirações do recém-lançado monólogo escrito para o teatro



“A primeira coisa que eu quis ser na vida foi pintor. Não deu certo.” Ainda bem. Caso contrário, o país talvez não conhecesse o neoconcretismo. Ferreira Gullar, um dos maiores expoentes da poesia nacional, seria anônimo. Obras como A luta corporal (1954) ou o célebre Poema sujo jamais viriam à tona. Árduos sacrifícios. Em se tratando de Gullar, porém, não há prejuízos. Depois do mérito literário alcançado, sobrou tempo para a pintura reger os poemas. Ou vice-versa.  CORREIO BSB 18.01.13


Quando subiu ao palco da Sala São Paulo, em 2011, para receber o Prêmio Jabuti pela obra Em alguma parte alguma, não seria nenhum absurdo imaginar que no ano seguinte ele poderia repetir o feito. Afinal, o mais tradicional prêmio literário nacional já o laureou algumas vezes. Dito e feito. Em outubro de 2012, Ferreira Gullar voltou a ser contemplado. Dessa vez, como ilustrador.


 Bananas podres reflete o melhor da habilidade plástica do poeta. Pinturas, recortes, colagens e desenhos reunidos em um curto, mas expressivo livro. Segundo trabalho de ilustrações a chegar ao público (o primeiro foi Zoologia bizarra, de 2010), a obra deu a Gullar oportunidade de exercitar uma paixão que o persegue desde a infância. “Era garoto em São Luís quando fiquei fascinado pela pintura. Fiz, pintei. Até me entregar à poesia”. O encantamento permaneceu: “Comecei a escrever sobre pinturas, frequentar os pintores. Eu, inclusive, sempre fui muito mais ligado aos pintores do que aos escritores. Até hoje”, contou, em entrevista ao Correio.


A disposição para exercer, profissionalmente, estilos menos recorrentes não se restringe às ilustrações. Depois de 26 anos sem divulgar qualquer obra dramatúrgica, Gullar reaparece para o teatro com o recém-lançado O homem como invenção de si mesmo, um ousado monólogo que apresenta os elementos vitais da vida como resultados da criativa mente humana. Sem exceções. Assim, temos o intelectual de volta às acirradas discussões culturais. Aos 82 anos, Gullar bebe de uma fonte inesgotável de vitalidade, que continua a render trabalhos (neste ano, há dois novos livros previstos) e uma das mais intrigantes mentes da cultura nacional.


Cinco perguntas / / Ferreira Gullar

Foram mais de 20 anos para voltar a fazer algo para o teatro. Por que tanto tempo?
Não sou uma pessoa que planeje a vida com uma preocupação profissional ou pensando em ganhar dinheiro. Não é essa minha cabeça. Faço as coisas pelo prazer e suscitado por coisas casuais, como foi o caso dessa peça (O homem como invenção de si mesmo). Nem estava pensando em escrever para o teatro. Não que eu tivesse algo contra, mas não funciono assim. Sou motivado pela vontade, pelo processo de vida, pelo espontâneo.

Como se deu o processo de criação do enredo?
Eu comecei a entender que a vida é uma coisa inventada. Estou convencido disso. O homem se inventa enquanto pessoa, enquanto ser humano. Nascemos incompletos. O homem não é capaz de sobreviver somente com as mãos, os pés, a boca, os dentes. Não sobrevive dispondo só disso. Então, ele precisa criar a lança, o machado, a roda, o avião, o computador. Ele vive em um mundo inventado. A cidade é uma coisa inventada. Não nasce espontaneamente.

O texto defende que Deus faz parte dessas invenções. A justificativa é a mesma?
Claro! Da mesma maneira que o homem nasce incompleto na questão física, ele nasce perplexo, indagando: “O que estou fazendo aqui?” e “o que é o mundo?”. Perguntas sem respostas. O mundo foi inventado ou sempre existiu? Não há resposta. Se você diz: “O mundo existe porque Deus o criou”, está tudo respondido. Deus é a resposta para as perguntas sem respostas. O homem inventou Deus para que esse o criasse. Como diz Waldick Soriano: “Eu não sou cachorro, não”. “Sou filho de Deus”, mas para isso, preciso criá-lo primeiro. Eu não quis escrever um tratado de filosofia sobre isso. Não tenho essa pretensão. São ideias minhas que quis expor. Acredito nelas. Não acho que sejam uma bobagem.

Co mo, então, Ferreira Gullar responde aos enigmas humanos?
Eu fico sem as respostas. Acho a religião fundamental para a vasta maioria das pessoas. Feliz aquele que acredita. Não falo do fanatismo, do sectarismo. Isso é o oposto, algo negativo. Mas a religião como amor pelo ser humano, como tentativa de entender a vida, é importante. Quem tem isso convive mais tranquilamente. Tem mais consolo do que uma pessoa como eu. Mas tampouco sou um ateu mal-humorado, negativo: “Deus não existe, o mundo é um absurdo”. Nada disso. O incompreensível ultrapassa a capacidade humana de entender, pela sua vastidão, pela amplitude. Por isso mesmo, torna-se fascinante e extraordinário.

Aos 82 anos, há algo que o deixe temeroso?
Eu, às vezes, fico deprimido. Mas não tenho razão para isso. Pela minha vida, meu histórico, não acho que há motivo. Acho que seja algo biológico. Tenho meus filhos, netos. Pessoas carinhosas ao meu re dor. Minha companheira, Cláudia. Meus amigos, pessoas tão gentis. Meus leitores, tão generosos comigo. Então, não há motivo. Bate uma certa depressão, mas passa. Só pode ser biológica, porque lógica não é! (risos). Nada que me atrapalhe. Na maior parte do tempo, estou trabalhando, discutindo. E rende. Sou insultado por tudo quanto é canto! (risos). Há pouco, publicaram uma antologia da literatura negra. E fui dizer que não há literatura branca, nem negra. Há literatura e ponto. Escrita por negros e brancos. Eu inventei de escrever isso. Para quê? Embora eu tenha dito que o maior escritor brasileiro é um mulato, sem nenhuma dúvida: Machado de Assis. As pessoas são cheias de preconceitos. Principalmente, quando falamos das minorias, mulheres ou gays. Não existe mais opinião. Existe preconceito. Se o cara mencionar uma opinião crítica sobre isso, ele é preconceituoso. Mas discuto sem raiva. É uma das funções do escritor.



             

O homem como invenção de si mesmo
De Ferreira Gullar. Editora José Olympio, 80 páginas. Preço médio: R$ 29,90.



domingo, 13 de janeiro de 2013


Leitura
Não é prioridade
Tempo dedicado aos livros é ainda muito pequeno entre os brasileiros, ficando atrás de países como Argentina
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Verdadeiro parâmetro para avaliar a leitura de livros pelo País, o comportamento do leitor brasileiro pode até ter mudado, mas muito timidamente, segundo estudos recentes. Os hábitos de leitura definitivamente não estão entre as prioridades dos brasileiros, mesmo com o aumento da escolaridade e o estímulo da internet.  O POPULAR 13.01

É o que mostra a 3º edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência. De acordo com pesquisa, a leitura ocupa apenas a quinta posição entre as atividades preferidas dos brasileiros. O tempo médio dedicado a ela varia entre uma a três horas por semana, baixo em relação a países como o mesmo patamar de escolarização, como a Argentina.
Mesmo assim – quase paradoxalmente –, o Brasil vem sendo considerado um gigante do ramo editorial. Pelos menos no que se refere a negócios. Segundo a Associação Internacional de Editores, o mercado verde-amarelo já é o 9º maior do mundo.
Dados da Câmara Brasileiras do Livro dão conta de que em 2011 foram vendidos no País 469,5 milhões de exemplares, que geraram um faturamento de ostensivos R$ 4,837 bilhões para o setor. Não é à toa que o mercado vem atraindo transnacionais, que aos poucos tendem a engolir livrarias familiares que trabalham com somente uma ou duas unidades.
MUDANÇAS
O novo quadro ajuda a explicar mudanças substanciais em cidades como Goiânia, onde livrarias que fizeram história no comércio tradicional sucumbiram à migração do público para lojas de grandes redes em shoppings. Foi o caso da Livraria Cultura Goiana, inaugurada em 1967 no Centro da cidade, que agonizou até julho de 2008, quando cerrou as portas diante da crise financeira. Cada vez mais raras, a livrarias antigas do Centro de Goiânia, entre elas muitos sebos, sobrevivem hoje da venda do tripé clássicos no formato pocket, livros de ficção usados e literatura didático-escolar.
Leitores persistem no hábito de frequentá-las, garimpando preciosidades, como a estudante Bárbara Teles, 14 anos, que faz questão de ir a livrarias do Centro. O motivo pelo qual ela circulava por estes locais na semana passada era buscar livros didáticos da escola. Mas também aproveitava para encontrar algo extra.
“Aqui mesmo já encontrei boas surpresas, como um Sherlock Holmes”, cita ela, lembrando o clássico detetive criado por Arthur Conan Doyle. “Essa figura ainda é muito importante para nós. É ela que segura as pontas da livraria em meses dos ano em que o movimento escolar é baixo”, ressalta o gerente da livraria Páginas Antigas, Max de Brito, referindo a clientes como Bárbara. Com experiência de anos, ele reconhece, no entanto, que as livrarias de rua já não podem mais se fiar só na venda da produção literária.
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Cinema incentiva compra de livros
A jornalista Pollyana Reis: “Gosto de ler clássicos, romances e literatura para adolescentes”
A força mercadológica hoje está concentrada em livrarias de shoppings, a exemplo de redes como Cultura, Fnac e Saraiva, presentes na capital goiana. Para o coordenador de produtos editorias da Fnac, Clayton Moreira, o mercado consumidor de livros observou mudança substancial nos últimos dez anos, tempo em que atua no ramo. O POPULAR 13.01
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“Há busca maior pela leitura”, garante. Ele nota principalmente aumento do interesse entre jovens e crianças, incentivadas pelos pais. Também de acordo com o coordenador, o cinema – por paradoxal que possa parecer – tem sido um grande incentivador na busca por livros de ficção entre os mais jovens.
“O caso do personagem Percy Jackson (do escritor norte-americano Rick Riordan) é um exemplo. Depois de assistirem às adaptações no cinema, eles vêm procurar os livros. Como as histórias são baseadas em mitologia, acabam buscando livros sobre o tema”, afirma. O profissional destaca também que a maior parte do público adulto já entra decidido sobre o que vai levar. “Só cerca de 30% dos frequentadores vêm para degustar”, calcula.
Professora de inglês Cláudia Tolentino, 32 anos, gosta de ler sobretudo livros sobre esoterismo, mas confessa que não cultiva muito o hábito de frequentar livrarias. “Quando vou, sou atraída pelo conjunto entre o título e a capa. Essa história de que se compra o livro pela capa é verdadeira”, brinca ela, observando que já chegou a se decepcionar depois. O preço, segundo ela, ainda é um dos desestimulantes na hora de adquirir o livro. “Até em torno de 50 reais ainda é viável levar. Acima disso, já deixa de ser atrativo.”
DENSIDADE
O universitário Rodrigo Magalhães dos Santos, 23, por sua vez, diz que está no momento de investir em leituras densas. Quando foi abordado pela reportagem em uma livraria da cidade, ele lia trechos de O Mundo Como Vontade e Representação, obra-prima do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.
“A questão que mais dificulta a leitura é o tempo. Vivemos uma época em que é difícil conciliar leitura com trabalho, estudo, vida social”, analisa ele, que vem tentando investir em clássicos filosóficos estimulado por amigos e pela família.
Mestranda, a jornalista Pollyana Reis, 22, tem se dedicado especialmente à literatura nacional, seu objeto de estudo. “Mas gosto muitos de ler clássicos, romances e literatura para adolescentes”, cita, lembrando também do estímulo que teve há alguns anos com a saga Harry Potter, na pré-adolescência. “Tento ler de tudo. Não tenho restrição”, garante.
Na pilha de livros que levava ao balcão de pagamento estavam A Cabana (do canadense William P. Young), Um Dia (do inglês David Nicholls) e uma compilação do modernista brasileiro Oswald de Andrade.
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Em Rio Verde, última livraria foi fechada há seis anos
Quando se mudou para Rio Verde, em 2004, a professora universitária Fernanda Ribeiro Queiroz de Oliveira encontrou três livrarias na cidade. Como tinha acabado o mestrado e recém-iniciado o curso de doutorado, a sua demanda por livros era enorme.O POPULAR 13.01
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A facilidade de encontrar obras acadêmicas ou literárias na cidade, no entanto, não duraria muito para a educadora. Logo os três estabelecimentos foram fechados e, há quase seis anos, não existe mais nenhuma livraria na cidade.
Apesar da existência de faculdades públicas e particulares e da explosão demográfica das últimas décadas, nenhum novo empreendimento do segmento de livros surgiu nos últimos anos. A única biblioteca pública do município está fechada há cerca de um ano devido a uma reforma. Atualmente, só existe uma banca de revistas e jornais para atender uma população de quase 200 mil habitantes. Ali, alguns livros de autores locais e best sellers são colocados à venda, mas a saída é pequena.
EXPERIÊNCIA DE SUCESSO
A última tentativa de comercialização de livros usados em Rio Verde foi realizada no final da década de 1990, pelo professor Gilberto José de Faria Queiroz. O sebo funcionou durante dois anos e, segundo o antigo dono, o motivo do fechamento não foi a falta de leitores, mas a sua própria carência de tempo para se dedicar ao negócio. Hoje, aposentado, afirma que “morre de vontade” de retomar o “sebinho”.
O comércio de livros seminovos e usados começou com um acervo de 600 títulos e, graças às constantes trocas com o público, terminou dois anos depois com cerca de 2 mil obras. “É um negócio de baixa renda, mas que se mantém facilmente”, conta.
Frequentador inveterado de lojas de livros usados em todo o País, ele acredita que os sebos são mais eficazes do que as próprias bibliotecas públicas na formação de leitores. “É um ambiente mais agradável e muito menos carrancudo”, compara.
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Livrarias e bibliotecas “intimidam”, diz pesquisadora
(Fernando Machado)
13 de janeiro de 2013 (domingo)
Mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal de Goiás, Fernanda Ribeiro Queiroz de Oliveira acha que está na hora de livrarias e bibliotecas deixarem de ser ambientes “apenas para apreciadores de café e pessoas que usam blusa amarrada no pescoço”. “Os espaços públicos e comerciais de leitura precisam ser mais convidativos e menos intimidadores”, argumenta a professora e escritora.
Atualmente morando em Brasília, ela conta que percebeu em várias cidades onde trabalhou, inclusive Rio Verde, que alguns “guardiões” de bibliotecas não emprestam os livros para crianças e adolescentes para evitar que estraguem. Segundo ela, muitas bibliotecas parecem verdadeiros mausoléus, ambientes opressores para os que não se sentem à vontade com o universo “letrado”. Ao invés de dessacralizar a figura do leitor, dentro do senso comum o ato de ler é colocado como algo para predestinados.
Fernanda não acredita que a falta de livrarias com endereço físico ocorra por falta de clientela ou porque “brasileiro não gosta de ler.” “O ser humano é movido pela simbolização de sua realidade e não existe indivíduo sobre a terra que não se interesse por uma boa leitura”, afirma. Um dos principais problemas é mesmo o custo do livro. “A verdade é que o trabalhador que ganha salário mínimo não consegue dispor de 40 reais para gastar em um único livro por mês.”

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013




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O mundo inteirinho se enche de graça
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VALOR ECONÔMICO 11.01

Sem Vinicius de Moraes, a música brasileira deixaria de ter um de seus maiores hits mundiais - a "Garota de Ipanema" - e a carreira musical de Antonio Carlos Jobim talvez tivesse tomado outro rumo. Também sem Jobim (e sem João Gilberto), Vinicius talvez não houvesse decidido mergulhar de cabeça no universo da composição popular, embora já tivesse se aventurado nessa área nos tempos de estudante (compondo com os irmãos Paulo e Haroldo Tapajós) e tenha crescido em família ligada à música - a mãe cantava e tocava piano; o pai e um jovem tio tocavam violão.

Vinicius chegou a Jobim por intermédio do jornalista e musicólogo Lúcio Rangel, no bar Vilarino, no Rio. Estava à procura de alguém para compor a música da peça "Orfeu da Conceição" e Rangel sugeriu seu nome. Após perguntar, timidamente, se iria "ter um dinheirinho nisso", Jobim aceitou e eles começaram imediatamente o trabalho, que rendeu canções belíssimas, como "Se Todos Fossem Iguais a Você" e "Lamento no Morro". Em seguida, mais clássicos: "Chega de Saudade", "Eu Sei Que Vou Te Amar", "Insensatez". E a amizade que durou a vida inteira. Ao lado, os dois se apresentam com o cantor Agostinho dos Santos na década de 1960.

Depois disso, não houve volta e o poeta já razoavelmente conhecido se reuniu aos jovens compositores da recém-criada bossa nova para espalhar belas letras pelo país e até compor, sozinho, algumas canções, como a pungente "Serenata do Adeus". Essas parcerias produziram clássicos da MPB: "Você e Eu", "Minha Namorada" (com Carlos Lyra), "Canto de Ossanha", "Samba da Bênção", "Samba em Prelúdio" (com Baden Powell), "Arrastão" e a trilha sonora da peça "Deus lhe Pague" (com Edu Lobo), "Samba de Orly", "Valsinha" (com Chico Buarque), só para citar algumas canções e alguns parceiros.

Mais tarde, já nos anos 70, caiu no samba com Toquinho - seu parceiro em sucessos até hoje lembrados, como "Tarde em Itapuã", "Regra Três", "Onde Anda Você", "Sei lá (A Vida Tem Sempre Razão)" - esta última integrante da trilha sonora que compuseram para a novela "Nossa Filha Gabriela". A dupla, aliás, também assinou várias músicas de outras telenovelas históricas, como "Fogo sobre Terra" e "O Bem Amado".

Não só. Toda uma geração de letristas da década de 70 em diante bebeu na fonte de Vinicius, como Paulo César Pinheiro, Cacaso, Tite de Lemos, Abel Silva, Vitor Martins, Fernando Brant, Hermínio Bello de Carvalho e Fátima Guedes - todos autores de canções igualmente memoráveis. (Luíza Mendes Furia)


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Dois irmãos num tempo de trevas
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Volta a meia, entra em discussão as relações entre o intelectual e o artista com o poder, o poder que realmente é poder, ou seja, o poder econômico e político, que geralmente estão entrelaçados.

Acredito que a questão nunca foi posta com tanta clareza durante o nascimento do nazismo na Alemanha, após a primeira guerra mundial. Destaque especial, entre outros, para os irmãos Mann, vindos de uma família do norte da Alemanha, Lübeck, que durante muito tempo foi sede da Liga Hanseática que dominou o Báltico e grande parte da Europa, com o famoso lema "Navegar é preciso", frase de Pompeu que muitos atribuem a Fernando Pessoa e até a Caetano Veloso.

Em 1925, Heinrich Mann escreveu "Intelecto e Ação", em que diz com clareza e simplicidade: "um intelectual que se liga ao grupo no poder trai o intelecto".

E em artigo seguinte, é mais explícito: "Para ser capaz de realizar, nenhuma hesitação é possível; realizar é achar-se no pleno domínio de si mesmo. De outro modo, é claro que aquele que duvida perderá sua coragem em face dos novos contemporâneos que não têm dúvidas sobre coisa alguma. A sociedade os apóia, são os seus salvadores. Não havendo esperado isso, o estado mental daquele que duvida agora lhe parece anárquico. Começa a se sentir alienado em relação ao mundo, ele, o homem que certa vez o dominou. Retira-se, sua casa se transforma numa ilha com um fosso ao redor. A atividade e os gestos da vida continuam durante alguma tempo, mas realmente só em função do passado, já são pó antes que ele os reduza a isso, ou seja, ao mesmo pó".

Heinrich sempre ficou à sombra de seu irmão mais famoso, que ganhou o Nobel e é considerado um segundo Goethe nas letras alemãs. Mesmo assim, ele emplacou um sucesso internacional que o cinema consagrou, "O Anjo Azul", adaptação de seu extraordinário romance, "Professor Unrat oder das Ende eines Tyrannen", que fez de Marlene Dietrich uma das maiores estrelas do século 20.

Por sua vez, antes mesmo de comprar briga com o poder que surgia na Alemanha depois de Versalhes (os nazistas fizeram uma pilha de seus livros para queimá-los em praça pública), Thomas Mann escreveu seu "Um Apelo à Razão":

"Há momentos de nossa vida em comum em que a arte não consegue se justificar na prática; em que a urgência interior do artista lhe falha, em que as necessidades mais imediatas de nossa existência o fazem engolir o próprio pensamento; em que a crise e a desgraça gerais o abalam demasiado, de tal modo que tudo aquilo que chamamos de arte, a feliz e apaixonada preocupação com valores eternamente humanos, chega a parecer ocioso, efêmero, um bem supérfluo, uma impossibilidade mental."

Em contexto bastante diverso, mas com as mesmas desconfianças a respeito da arte e da atividade intelectual, Jean Paul Sartre, que também ganharia o Nobel mais tarde, num estudo sobre Faulkner (outro premiado com o Nobel), declarou que "a arte é uma generosidade inútil".

Também em outro contexto, outro gigante das letras alemãs, Schopenhauer ameaçava uma linha de pensamento paralelo: "No momento em que se começa a falar, se começa a errar. Meu segundo lema é: assim que nossos pensamentos conseguiram se moldar em palavras, eles não mais são sentidos pelo coração e, no fundo, deixam de ser sérios".

Os dois irmãos, apesar da amizade que os unia, acabaram se separando, Heinrich ficou para enfrentar a Alemanha que passara a desprezar, Thomas, embalado pelo sucesso internacional de "A Montanha Mágica" e "Morte em Veneza", iniciou uma diáspora pessoal que incluiu a Itália, os Estados Unidos e, finalmente, a Suíça, onde morreu aos 80 anos em Zurique.

De qualquer forma, os dois irmãos de Lübeck marcaram o período entre as duas guerras mundiais, são referências para se compreender a natureza humana no que ela tem de mais contraditório: a aspiração do belo e do bem em confronto com a realidade que Heinrich mostrou em "Anjo Azul", mostrando a repugnante decadência física e moral do Professor Unrat.

Por sua vez, Thomas teve a lucidez para retomar o tema do "Doktor Faustus" e mostrar a humanidade enferma num sanatório suíço numa montanha realmente mágica.


Carlos Heitor Cony FOLHA SP 11.01

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


Não basta parecer novo ( FERREIRA GULLAR ).
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Falando francamente, nada me alegra mais do que deparar-me com uma obra de arte que, além de suas qualidades artísticas, seja inovadora. Não poderia ser de outro modo, pois costumo dizer que a arte existe porque a vida não basta. E quando digo vida, nela incluo, claro, também a arte que já existe. E queremos mais. Daí porque o surgimento do novo é inerente à própria criação artística. Nenhum artista quer fazer o que já fizeram ou o que ele próprio já fez. Por isso que fazer arte é fazer o novo.  Só que o novo não precisa ser um paletó de três mangas, que nunca ninguém se deu ao trabalho de fazer pelo simples fato de que as pessoas têm apenas dois braços. O novo, autenticamente novo, não é uma criação a partir de nada, mas, sim, uma manifestação inusitada que surge do trabalho do artista, do processo expressivo em que está mergulhado. Esse processo não tem a lógica comum ao trabalho habitual, já que o trabalho criador é, essencialmente, a busca do espanto. Falo das artes plásticas, uma vez que, na poesia, se dá o contrário, o espanto está no começo: é o novo inesperado que faz nascer o poema.  Sem dúvida, a história da arte mostra que houve momentos em que a necessidade do novo --o esgotamento do atual-- levou a um salto qualitativo que determinou uma ruptura com a tendência em voga. Exemplo disso foi quando Claude Monet pintou a célebre tela "Impression, Soleil Levant", que determinou o surgimento do impressionismo.  Este foi um caso especial, já que para ele concorreram fatores diversos, que vão desde a implantação das estradas de ferro, que facilitaram a ida das pessoas ao campo, até a nova teoria das cores, que as explicava como resultado da vibração da luz solar sobre a superfície das coisas. O pintor, então, sai do ateliê, vai pintar ao ar livre e a pintura se torna também o registro do "devenir", da mudança cromática da paisagem com o passar das horas. Mas isso é a explicação teórica; na prática, a pintura impressionista revela uma nova beleza, um novo encantamento.  Essa é a visão geral, porque, na verdade, cada um daqueles pintores revelou alguma beleza nova a nossos olhos. Até que Paul Cézanne provoca uma nova ruptura nessa nova linguagem.  É a partir de então --particularmente com o cubismo-- que a busca do novo se acelera, talvez até em consequência do dinamismo da vida moderna. A própria sociedade --a economia, a produção industrial, as descobertas científicas-- muda a cada dia. E assim, de certo modo, o novo, que era consequência natural da criatividade artística, tornou-se o objetivo do artista. Mais do que fazer arte, ele deseja agora fazer o novo, que passou a ser um valor em si mesmo.  Sucede que a busca do novo pode conduzir à desintegração da linguagem artística, o que ocorreu com as artes plásticas durante o século 20. Não tendo mais linguagem, os que tomaram esse rumo passaram a usar as coisas mesmas como meio de expressão, bastando, para isso, deslocá-las de sua situação usual e pô-las num museu ou numa galeria de arte.  Mas há artistas que, sem voltar ao tradicional, criam novas linguagens, como, por exemplo, Alexandre Dacosta, que se vale de múltiplas relações formais e vocabulares para nos instigar a imaginação e nos divertir.  Ele atua nos mais diversos campos da expressão visual, mas aqui vou me ater aos dois livros que editou recentemente e que se intitulam "Tecnopoética" e "Adjetos". São criações de gratificante originalidade, em que ele mescla objetos, cores, palavras, signos visuais, postos todos a serviço de um senso de humor que explora o nonsense.  Ao contrário de outros artistas que tentam se impor pelo gigantismo das obras, Alexandre inventa pequenos objetos, às vezes "máquinas inúteis", à la Picabia.  Exemplo: O "receptor descartável de impropérios", e outro, chamado "suruba", feito de tomadas elétricas encaixadas umas nas outras. Há um outro, que consiste num sapato com rodas de patins e uma hélice que o faria levantar voo.  Ele define seus objetos como "utensílios capazes de deslocar a percepção para uma invertida reflexão do cotidiano". Trata-se de uma das manifestações mais inteligentes e criativas dentre as que vi ultimamente nesse gênero de arte. FOLHA SP 06.01