Frei Betto Escritor, é autor de A arte de semear estrelas (Rocco), entre outros livros (www.freibetto.org — twitter: @freibetto)
Participei, nos últimos meses, de várias ferias do livro e outros eventos literários, como o Programa TIM Grandes Escritores. Entre outubro e novembro passados, estive nas feiras de Gravataí (RS), Caxias do Sul (RS), Belém (PA) e no Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Constatei o empenho dos promotores em promover o livro, despertar o interesse pela literatura e facilitar o contato entre leitores e escritores.
Ler é percorrer todos os períodos da história, penetrar conhecimentos científicos e técnicos, dar asas à imaginação, sem sair do lugar. Basta abrir o livro. É conhecer qualquer tema, da fabricação de vinhos à vida dos papas, bastando decifrar o código alfabético em folhas de papel ou no monitor de um equipamento eletrônico. Ler é sonhar, poetar, divagar, expandir a fantasia e cultivar a sensibilidade.
A diferença entre ler e ver TV é que, no primeiro caso, o leitor escolhe o que lhe interessa. Com a vantagem de não se submeter à avalanche publicitária e adequar a programação — no caso, a leitura — ao ritmo de sua conveniência. E, considerando a baixa qualidade de conteúdo na TV brasileira, ler é absorver cultura.
No Brasil, o consumo de livros ainda é ínfimo: 2,7 por habitante/ano. Na Argentina, seis. Há em nosso país cerca de 3 mil livrarias, 50% no estado de São Paulo. Aqui, o livro sofre o efeito Tostines: é caro porque vende pouco e vende pouco porque é caro. O governo, excetuando a compra de livros didáticos, não incentiva a produção e circulação de livros. São raros os municípios com bibliotecas públicas, e as poucas existentes nem sempre primam pela conservação das instalações e atualização do acervo. A informatização ainda engatinha e o leitor enfrenta, por vezes, barreiras burrocráticas para ter acesso ao livro.
Assim, não é de se estranhar que alunos da 8ª série não consigam redigir uma simples carta sem cometer graves erros de concordância e sintaxe. A situação piora quando se trata de interpretar um texto. Lê-se o período sem conseguir entendê-lo.
O amor aos livros nasce na infância. Criança que jamais viu os pais lerem ou vive numa casa desprovida de livros terá, com certeza, dificuldade de adquirir gosto pela literatura. Hoje em dia recomenda-se ler histórias para os bebês, de modo a favorecer as sinapses cerebrais e a elaboração de sínteses cognitivas. Ao ler ou contar uma história para crianças é normal ouvi-las recriarem em cima do que escutam. A imaginação entra em diálogo com o texto. A fantasia aflora, oxigenando o ouvido psíquica e espiritualmente.
Já a TV não propicia essa interação, apenas impõe à criança o conteúdo de sua programação. E, de certo modo, anula a fantasia infantil, como se a TV fosse capaz de substituir o saudável exercício de dar asas à imaginação.
Outrora, as feiras do livro tinham a característica de baratear o produto. Hoje, isso se torna cada vez mais raro. Apesar de o governo Lula ter desonerado tributos de editoras, tudo indica que o benefício não se estendeu aos leitores.
Felizmente há, pelo Brasil afora, bibliotecas montadas por iniciativas voluntárias, cujos acervos dependem de doações. Na capital paulista, é possível tomar emprestado um livro nas estações de metrô. E o índice de não devolução é mínimo — o que consola nossa autoestima ética nessa nação de tantos políticos corruptos. Em Brasília, um açougue dispõe livros em pontos de ônibus. Na Baixada Fluminense, uma dona de casa transformou seu quintal em biblioteca pública.
Tomara que o propósito de o poder público instalar uma biblioteca em cada município brasileiro torne-se realidade um dia. O Brasil estará a salvo no dia em que as novas gerações forem viciadas em livros.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Cesar Rocha é eleito acadêmico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas
Fonte: STJ.jus.br
A Academia Brasileira de Letras Jurídicas (ABLJ) tem novo acadêmico: o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha. Ele, que já era membro honorário, foi eleito acadêmico nesta terça-feira (6), na sede da entidade, no Rio de Janeiro (RJ). O ministro vai ocupar a cadeira 23, que pertencia à professora Lúcia Valle de Figueiredo, cujo patrono é o comercialista e professor Waldemar Ferreira. A posse é dia 16 de agosto.
Esta é a segunda vez que Cesar Rocha é eleito para uma academia de letras. Em agosto de 2008, ele tomou posse na cadeira 22 da Academia Cearense de Letras (ACL), a mais antiga academia de letras do país, fundada em 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras (ABL), e que tem José de Alencar como um de seus patronos.
O ministro Cesar Rocha é autor das obras jurídicas “Cartas a um Jovem Juiz - Cada Processo Hospeda uma Vida”, Rio de Janeiro, Editora Elsevier - Campus (2009), “A Luta pela Efetividade da Jurisdição”, da Editora Revista dos Tribunais (2007), “Clóvis Beviláqua em Outras Palavras”, da Edições UFC (2007) e “Clóvis Beviláqua”, da Fundação Demócrito Rocha (2001). O magistrado é ainda coautor dos livros “Direito e Medicina – Aspectos Jurídicos da Medicina”, da Editora Del Rey (2000), “O Novo Código Civil – Estudo em Homenagem ao Professor Miguel Reale”, da Editora LTr (2003) e o mais recente: “Comentários à Nova Lei do Mandado de Segurança”, Editora Revista dos Tribunais, lançado este ano . Além da autoria e coautoria nas seis obras jurídicas, Cesar Rocha também é autor de prefácios de vários livros na área do Direito e de trabalhos doutrinários.
Mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará, em sua terra natal, o ministro Cesar Rocha tem especialização em Teoria Geral do Direito pela mesma instituição. Universidade que outorgou a ele os títulos de Professor Honoris Causa e de Notório Saber Jurídico, pela unanimidade de seu Colegiado Superior, em votação secreta. Neste ano, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Fortaleza (Unifor), por deliberação unânime do Conselho Universitário.
A Academia
Fundada em 1974, a ABLJ tem por missão zelar pela pureza do idioma pátrio na literatura jurídica, acompanhar a evolução do pensamento jurídico universal e contribuir para a sua construção. A entidade reúne nomes de grandes juristas do país.
A importância da Academia pode ser medida diante dos nomes que dela participam ou participaram formando seu patrimônio intelectual: Pontes de Miranda, César Salgado, Afonso Arinos, Alfredo Buzaid, Limongi França, Orlando Gomes, Pinto Ferreira, Miguel Reale, Othon Sidou (atual presidente da ABLJ), Arnaldo Sussekind, Nelson Saldanha, Cesarino Junior, Ives Gandra Martins, Roberto Rosas, entre outros.
Para ser eleito membro titular ou membro honorário da Academia, o jurista deve ser brasileiro e residir no Brasil, ter título de bacharel ou doutor em Direito, ser autor de livros jurídicos que revelem contribuição ao aprimoramento do Direito e da língua nacional. Também deve conquistar a maioria absoluta dos votos do colégio acadêmico.
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música
Bahia segue Venezuela na música erudita
FSP 07/07
Maestro leva à Europa orquestra juvenil inspirada em modelo do país sul-americano
Filho de um técnico em informática e de uma dona de casa, Yuri Azevedo, 18, não cresceu ouvindo música erudita. De longe, só "achava bonito".
Com a ajuda do maestro Ricardo Castro, tornou-se percussionista profissional e hoje se apresenta com a Orquestra Juvenil da Bahia (Yoba) em Londres, em um festival que inclui nomes como Maria Bethânia e Gilberto Gil.
Com uma centena de jovens músicos de 12 a 25 anos, muitos de origem pobre, a Yoba é o carro-chefe do Neojibá, projeto de inclusão social por meio da música fundado em 2007 pelo governo da Bahia.
O concerto na Inglaterra marca a primeira viagem do grupo à Europa. Mas não é a primeira vez que seus membros saem do Brasil.
Em 2009, 60 dos mais talentosos músicos do Neojibá foram à Venezuela fazer um intercâmbio pedagógico.
Tiveram aulas com professores do "El Sistema" venezuelano, rede de orquestras que desde 1975 engaja jovens a sair da margem pela educação musical e cuja maior vitrine é Gustavo Dudamel, 29, atual regente titular da Filarmônica de Los Angeles.
Foi daí que Ricardo Castro se inspirou para arquitetar algo similar na Bahia.
Radicado na Suíça desde 1984, com uma sólida carreira internacional como pianista, ele voltou ao Brasil há três anos para assumir a sinfônica do Estado e paralelamente concretizar o Neojibá.
Gerido desde 2009 por uma OS (organização social), o Neojibá recebe do governo R$ 2,4 milhões anuais. Castro planeja ampliar o projeto, quem sabe, para todo o país.
"A nossa meta é a expansão sem interrupção, até que possamos levar a prática orquestral a todas as crianças", afirma ele, que também rege a Yoba este mês no Festival de Campos do Jordão.
"Em menos de três anos tocamos para mais de 60 mil pessoas em nove Estados, em um ritmo superacelerado. Ao contrário do que se espera dos baianos, né?", brinca.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Bienal de Berlim busca o real sem ser óbvia
Mostra é inspirada na obra do realista Adolph Menzel e reúne trabalhos marcados pelo caráter documental
fsp 06/07
O que é real, hoje? Essa é a questão central da sexta edição da Bienal de Berlim, que apresenta trabalhos que relacionam arte contemporânea a algo que se pode chamar de real.
"O que nos Espera Lá Fora" reúne obras de 43 artistas, em sua maioria trabalhos com caráter documental, com curadoria de Kathrin Rhomberg.
Até 8 de agosto, seis espaços distintos reúnem a Bienal, que tem como inspiração a obra de Adolph Menzel (1815-1905), um realista que se contrapôs ao grande ícone da arte alemã, Caspar David Friedrich (1774-1840).
Cerca de 60 trabalhos de Menzel estão expostos na suntuosa Alte Nationalgalerie (antiga galeria nacional), gravuras e aquarelas com detalhes do cotidiano. Mais do que mera representação, seus desenhos estão carregados de uma percepção do real que escapa do tradicional e do óbvio.
Essa tônica é enfatizada especialmente num edifício em restauração em Kreuzberg, bairro boêmio de estudantes e imigrantes turcos. Lá estão obras de 30 artistas, a maior parte da Bienal.
Por terem quase todos a mesma temática, a mostra ganha um discurso exageradamente retórico.
Lá, por exemplo, Minerva Cuevas apresenta um vídeo sobre manifestações de rua no México, Mohamed Bourquissa registra os imigrantes na periferia de Paris e Bernard Bazile é visto num filme sobre protestos de rua, também na França.
Ou seja, há um forte enfoque político na mostra, mas a repetição enfraquece o tema.
No entanto, isso não ocorre no Kunst-Werke, onde a Bienal de Berlim nasceu. De maneira audaciosa, a curadora deixa que o jovem Petrit Halilaj, 24, subverta totalmente a arquitetura do local, a partir da obra "Elas Têm Sorte em Serem Galinhas Burguesas", transformando o KW num galinheiro.
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OPINIÃO
FSP 06/07
Fumar tornou-se hábito primitivo e sem lugar no século 21
Acendo um cigarro. É horrível o aroma que ele exala. São infernais os males que produz.
Por favor, não fume. Fumar é hábito primitivo, sem lugar no século 21.
O fumante é um sujeito arcaico, um órfão ridículo dos romantismos modernos e das utopias malsãs, emparedado entre duas épocas.
Acabou a época em que fumar ajudava a viver a vida, feita de misérias incontornáveis, confrontos ideológicos sangrentos e paixões inúteis.
Vejo a foto dos soldados fumando no front inútil da Guerra de 1914, quando o hábito do cigarro se espalhou como peste. Vejo Faulkner e Kerouac, com o cigarro à boca, na inútil tarefa de fazer a literatura abarcar o mundo.
Era um tempo de urgências, pois a vida não valia grande coisa e não compensava medi-la na extensão, mas sim na intensidade dos atos, das palavras e das lutas.
Fumar significava suspender o tempo e criar um intervalo de bonança. Ou acelerar o tempo e sonhar, entre tragadas, que o futuro se precipitava sobre o presente, soprando revoluções.
Agora, fumar é anacronismo. Vivemos na melhor das épocas: os remédios corrigem os desesperos, as ideologias só propagam felicidades, a liberdade é problema da saúde pública. Fomos todos maravilhosamente "pervertidos pelo conforto", como previu Rimbaud.
Acendo um cigarro.
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OPINIÃO LITERATURA
Piva deixa obra marcada pela provocação
FSP 06/07
Poesia belicosa do escritor paulistano, morto no último sábado, se declara pela "violência" contra a "lógica"
Em momentos assim, quando fica claro que tudo é um haver da morte, me ocorre dizer publicamente o quanto me sinto grato a Roberto Piva por me ter dado a chance de editar a sua obra, ainda longe do reconhecimento devido.
Até agora, incluindo o que escrevi sobre ela, foram apenas arranhões na grandeza da sua poesia.
Os seus livros, vistos em conjunto, parecem resultar de três surtos produtivos. O primeiro, alimentado pela intertextualidade com os beats e a poesia modernista, inclui "Paranóia" (1963) e "Piazzas" (1964).
O segundo, de traços psicodélicos e experimentais, reúne o melhor da obra de Piva: "Abra os Olhos e Diga Ah!" (1975), "Coxas" (1979), "20 Poemas com Brócoli" (1981) e "Quizumba" (1983).
O terceiro se refere ao período recente, iniciático e mais convencional, constituído por "Ciclones" (1997) e "Estranhos Sinais de Saturno" (2008).
A forma livre do seu verso pode ser associada ao ditirambo dionisíaco: sem regularidades métricas ou rima, tudo se submetendo ao jorro de ritmos exaltatórios e declamativos, que celebram a alegria de viver, os transportes da mesa, o tesão do corpo.
Ainda comum a toda a obra de Piva é o esquema de oposições. Alguns críticos viram nisso sinal de limitação. Não é o caso.
A produção insólita de contrastes e as identificações surpreendentes que decorrem deles desmontam qualquer maniqueísmo e abrem o verso para uma impressionante liberdade semântica. Geram exatamente o que há de mais histriônico, teatral, contundente e arrebatador nos poemas.
PEÇAS DE XADREZ Assim, "crepúsculo" e "aurora", "maconha" e "licor", "box" e "tênis" tornam-se peças de um xadrez gramatical de escolhas urgentes. D.H. Lawrence ou Valéry? Artaud ou Hegel? De Chirico ou Mondrian? Sade ou Eliot?
Piva elege os primeiros termos das oposições, onde também se alinham "Barrabás" (contra "Cristo"), "corpo" (versus "mente"), "gambás" ("cegonhas" jamais).
A sua poesia belicosa se declara pela "violência" contra a "lógica", pelas "baterias" contra os "violões", em favor do "ânus" contra a "vagina". E justamente porque não há ecumenismo, nem oposições óbvias, os poemas ganham caráter explosivo de manifesto, provocação e nonsense.
Nesse jogo extremo, o leitor está nu: não há lugares comuns que habilitem estratégias de legibilidade. O poema solicita uma experiência real de incompreensão, desamparo, de descolamento dos clichês, os quais, fingindo tudo comunicar, apenas celebram a mediocridade e naturalizam os interditos.
O procedimento empreendido por Piva, muitas vezes simplificado como surrealista, é básico em toda experiência poética radical: despojar-se dos sentidos, para acumular energia suficiente para a percepção de outros sentidos, que rompam brutalmente a inércia cognitiva.
ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária na Unicamp
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concursos 165 podem ir para a cadeia
Fonte: correioweb 06/07
PF deve pedir a prisão preventiva de acusados de fraudes. Hoje, mais 45 que fizeram provas para a Anac e a Abin prestarão depoimentos. Desses, 12 foram empossados
A Operação Tormenta, investigação que levou a Polícia Federal a identificar um profundo esquema de fraudes em concursos públicos, pode levar para atrás das grades os primeiros culpados. Ao concluir a fase de depoimentos dos envolvidos no escândalo — até agora, 165 pessoas —, a polícia admitiu que há indícios suficientes para que o delegado responsável pelo inquérito, Victor Hugo Rodrigues Alves, peça a prisão preventiva dos suspeitos de comandarem a máfia. Todos deverão responder por estelionato e receptação. Foram detectadas fraudes em pelo menos cinco seleções nacionais: Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Agência Brasileira de Investigação (Abin), Receita Federal(1), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para a própria PF. As pessoas aprovadas e que tomaram posse perderão os cargos.
Estão marcados para hoje depoimentos de 45 suspeitos de irregularidades. Desses, 36 fizeram provas para a Anac, sendo que 11 tomaram posse — oito como analistas e três como técnicos. Uma dessas pessoas é irmã de um policial rodoviário federal, que desviou cadernos e gabaritos dos testes e já foi defenestrado do serviço público. Outros nove integrantes da máfia participaram do concurso da Abin, dos quais um assumiu como oficial de inteligência, ou seja, como “araponga”. Os dois certames que resultaram em uma nova fase de investigação da PF foram realizadas pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB).
Desencadeada há três semanas, a Operação Tormenta teve início em fevereiro, quando a PF detectou indícios de que 53 candidatos se infiltraram na própria corporação após pagarem até R$ 180 mil para terem acesso às respostas. Na ocasião, as autoridades prenderam 12 pessoas — entre eles o dono de uma universidade em São Paulo e um policial rodoviário federal responsável por fazer o transporte das provas. No entanto, o que deveria ser um corte na própria carne se revelou um dos maiores esquemas já desbaratados no país com alvo em concursos públicos.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a quadrilha atuava há pelo menos 16 anos no país. Em 1994, o grupo deu início ao esquema atuando no conturbado concurso para a Receita Federal, em que 41 pessoas envolvidas no esquema teriam sido aprovadas. A prova foi questionada na Justiça Federal e os concorrentes tiveram ganho de causa. O resultado da seleção seria homologado exatamente uma semana depois que a PF divulgou a Operação Tormenta.
Assim, todos os candidatos aprovados ficaram impossibilitados de receber os salários retroativos a 1994. “Isso daria um prejuízo de R$ 123 milhões aos cofres público”, ressaltou, durante a divulgação da operação, o diretor de Inteligência da PF, Marcos David Salém. A investigação apurou também que a quadrilha fornecia documentos falsos como diplomas a um custo de R$ 30 mil para que os candidatos se tornassem aptos a disputar determinadas seleções.
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou que nenhum concurso público será cancelado devido às fraudes. De acordo com ele, os processos de seleção não precisariam ser suspensos porque todos os fraudadores foram afastados, o que garante a legalidade do concurso. Segundo Corrêa, a intenção da PF é justamente apontar as falhas dos concursos públicos para que os órgãos competentes repensem o atual modelo de seleção.
Silêncio Até o fechamento desta edição, as instituições organizadoras e os órgãos envolvidos mantiveram silêncio sobre as investigações da Polícia Federal.
A Anac, que fez concurso em 2009, informou, por meio da assessoria de imprensa, desconhecer as fraudes detectadas e que os problemas na seleção para o órgão “poderiam ser melhor respondidos pelo Cespe, entidade contratada para fazer a seleção”. O Cespe, por sua vez, alegou, também por meio da assessoria de imprensa, não haver sido notificado oficialmente sobre as irregularidades detectadas pela polícia e, portanto, não ter condições de comentar sobre a investigação. O mesmo discurso foi apresentado pela Agência Brasileira de Inteligência, que realizou concurso em 2008.
Desde o início da Operação Tormenta, 12 concursos já foram investigados. Desses, 10 foram organizados pelo Cespe, um pela Escola de Administração Fazendária (Esaf) e um pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Até o momento, cinco tiveram irregularidades confirmadas, mas a PF não identificou ligações das fraudes com as empresas contratadas para fazer as seleções. No mês passado, o Cespe chegou a responder que o transporte dos malotes lacrados com os cadernos de questões era feito pela própria empresa e com acompanhamento dos coordenadores de aplicação de prova da organizadora, que são servidores da UnB.
O argumento do Cespe, na ocasião, foi o de que o desvio das provas da PF e da OAB teria ocorrido “nas dependências da Polícia Rodoviária Federal e não no momento do transporte”. As investigações colocaram em discussão as fragilidades do sistema de aplicação de provas para concursos públicos. O ponto fraco da organização está no transporte dos cadernos de provas, momento em que ocorre o desvio dos documentos.
1 - Na Receita, propina maior Os candidatos a vagas de auditor da Receita Federal, carreira com um dos mais altos salários entre os servidores públicos do país, pagavam até R$ 270 mil à máfia dos concursos para ter acesso as respostas dos cadernos de provas.
Quadrilha desbaratada
A origem O responsável por encabeçar todo o sistema de fraude pagava propina às pessoas com acesso às provas. Depois, revendia as cópias dos cadernos aos clientes por meio de distribuidores
O desvio Mediante pagamento, uma pessoa responsável pela segurança e com acesso aos cadernos de questões fazia o desvio das provas um dia antes da realização do exame
Os vendedores Depois de receber as cópias das provas do líder da quadrilha, os distribuidores as revendiam diretamente para os candidatos ou para aliciadores
Os aliciadores Esses eram os responsáveis por negociar as provas com os candidatos. Com o esquema já montado, acertavam com os “clientes” e garantiam que o pagamento fosse realizado
O mercado Confirmado o esquema para uma determinada seleção, os vendedores e aliciadores saíam em busca de candidatos inscritos que desejassem comprar o caderno de perguntas antecipadamente
Os falsificadores Responsáveis por falsificar diplomas e certificados para candidatos que não contavam com a formação necessária para concorrer para determinada vaga em concurso
Os especialistas Até professores estariam envolvidos no esquema e muitos deles deram aulas em cursos preparatórios. Ficavam responsáveis por resolver as questões copiadas no caderno de perguntas
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Professora defende ampliação das formas de avaliar alunos
UnB.BR 05/07
Benigna Villas Boas afirma que só as provas não são suficientes para medir o conhecimento. Palestra aconteceu durante o curso de formação de docentes
Em uma sala de aula, algumas dezenas de alunos se debruçam sobre as carteiras. Em cima da mesa, apoiada entre os cotovelos, está a prova. E com uma caneta, que percorre ansiosamente os espaços em branco entre as palavras, estudantes tentam provar seu valor. Mostrar quanto de conhecimento adquiriram nas aulas que assistiram ali mesmo, naquele espaço. Só que o modelo tradicional de avaliação pode ser uma armadilha. Como medir em algumas questões o complexo processo de aprendizado de um estudante?
Quem faz a pergunta é a professora Benigna Maria Freitas Villas Boas. Doutora em educação, ela fala a outros tantos professores que chegaram recentemente à Universidade de Brasília para ensinar o que aprenderam. E avaliar, principalmente pelas provas, o quanto conseguiram ensinar. A necessidade de ampliação do atual modelo de avaliação das instituições de ensino foi o enfoque principal do curso de formação dos novos docentes da UnB ocorrido nesta quinta-feira, 1º de julho, no Anfiteatro 12.
Benigna questiona o uso de provas como único método de avaliação e defende que outras ferramentas, como relatórios e entrevistas, sejam usadas nas salas de aula. Segundo ela, as provas deixam marcas que acompanham o estudante por toda vida acadêmica e profissional. “É muito importante nos questionarmos sobre que marcas queremos que permaneçam em nossos alunos”, provocou.
Ela acredita que a lógica das provas é excludente. Todos são analisados ao mesmo tempo e do mesmo jeito por meio de comparações. “Professores lotam os anfiteatros com a aplicação de provas. Como saber se aquele horário, aquele momento ou aquele dia é ideal para que cada um mostre o que sabe?”, indaga. A maior valorização dos resultados em detrimento do processo de aprendizagem reduz os espaços de solidariedade e estimula a competição. “O grande negócio é passar de ano. Não é aprender”, sentencia.
A professora mostrou aos docentes depoimentos colhidos de seus alunos sobre a relação deles com as notas e a escola. “Nunca acho que me saí bem em uma avaliação. Percebo isso pelo medo que sinto em fazer um trabalho ou prova. Sempre fico contando os pontos para ver se consegui a média. Acho que isso não é bom”, revela um dos depoimentos. “A escola gostava daqueles que eram estudiosos e pouco questionadores”, conta outra. “Tenho alunos que até hoje têm dor de barriga na véspera de uma prova. Como isso pode ser bom?”, questionou Benigna.
AVALIAÇÃO FORMATIVA - Uma reinvenção do atual modelo é a proposta da professora. A avaliação formativa analisa o que o estudante aprendeu e o que não foi assimilado, mas não interrompe o processo de aprendizagem. “Devem ser proporcionados meios para que o aluno aprenda”. Além da prova, outros procedimentos como relatórios, portfólios, entrevistas e auto-avaliações devem ser adotados. O feedback dos professores também é importante nesse processo. “Se não houver retorno das atividades, o momento de aprender passa”, afirma.
A professora explica que os alunos precisam ser preparados para atuarem de acordo com esse novo modelo. “Toda formação deles foi baseada em notas”, diz. De acordo com ela, a aplicação desse processo de avaliação precisa ser feito em parceira com alunos e professores. “Os docentes não conseguem fazer isso sozinhos. Eles podem elaborar esses critérios com os alunos”.
INCLUSÃO - Desenvolvido pelo Decanato de Ensino e Graduação, o programa de formação de professores teve início em fevereiro deste ano e tem como propósitos apresentar a universidade aos professores em estágio probatório e provocar reflexões. Isso inclui os procedimentos administrativos, a progressão na carreira, os métodos de ensino e a trajetória da universidade. O reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, explicou que a universidade vive um momento de crescimento, com aumento do número de professores. Por isso, é importante que os novos docentes conheçam a instituição. “É necessário inserir os professores no contexto histórico e de identidade da UnB. Não estamos aqui somente para dar aulas. Estamos construindo a história da universidade”.
acesse e prestigie eventos culturais em nossa Capital Federal
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Livro: A íris do olho da noite do escritor Menezes Y Morais
Escritor Menezes y Morais, como é conhecido, nasceu em Altos, Piauí. Radicado em Brasília desde 1980, lidera o movimento Coletivo de Poetas que existe há 19 anos e que realiza saraus em todo o Distrito Federal.
Jornalista e escritor José Roberto da Silva
Livro “A outra orelha de van gogh” de José Roberto da Silva
A poesia de Zé Roberto é de marinhagem terrestre seduzida pelas musas, sereias da poesia. “A outra orelha de van gogh” é título duplo pois ecoa o silêncio que se segue ao amor, sendo o mais enigmático e dionisíaco; um livro “borgeano”, refletindo nos labirintos de espelhos a essência da luta na cidade transbabylônica. Zé é daqueles que anuncia: “de todos os artefatos, ainda prefiro a poesia”. Jornalista, inspirado no movimento de Poesia Concreta dos anos 60, sua poesia rápida, dinâmica, com a linguagem do cartaz, que transmite, fotografa ambientes e sensações.
Reflexão !!!!!!
Pedaços da memória
Numa ilha perdida no oceano, deixaram de nascer criancinhas. Homens e mulheres viviam em paz, não se atraíam, viviam todos como irmãos, na inocência natural da carne.
Um missionário foi lá para saber o que estava acontecendo. E ficou horrorizado: homens e mulheres andavam nus, na maior intimidade, nem sabiam o que era sexo. Na mesma hora, o missionário rasgou a batina e fez pequeninas tangas para que as mulheres pelo menos escondessem o que fosse possível.
Na primeira noite, o missionário foi dormir, mas não conseguiu. Os machos procuravam desesperadamente as fêmeas, muito se fornicou à custa das pequeninas tangas que excitaram os homens e deram mais prazer às mulheres. Meses depois, nasciam criancinhas naquela ilha perdida no oceano. O missionário as batizava, pois lá ficara para sempre.CARLOS HEITOR CONY Folha sp 27.04
Lançamento do livro de Climério Ferreira
Poesia Mínima & Frases Amenas é o mais recente livro do Climério Ferreira, uma grande obra construída, tijolo a tijolo, com a argamassa da síntese em que as palavras se fazem de cimento e dão liga ao concreto.
Livro Poesia Mínima & Frases Amenas de Climério Ferreira
É possível ler o livro sem parar. Aliás, este é o primeiro impulso. Mas logo se percebe que, como um bom vinho, o melhor mesmo é degustar, sem pressa. Até porque a síntese poética tem o poder de provocar reações, remeter a lembranças.
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JUSTIÇA
Promotoria troca processo por doação de livros em São Carlos
DE RIBEIRÃO PRETO - Suspeitos de cometerem crimes federais leves em São Carlos (232 km de São Paulo) estão se deparando com uma proposta inusitada do Ministério Público Federal: doar livros em vez de responder ao processo.
O acordo começou a ser proposto há sete meses para casos em que a punição é inferior a dois anos e para suspeitos sem antecedentes criminais. Se enquadram nessa situação crimes como falso testemunho, contrabando, descaminho e desacato, por exemplo. Fonte: www.folha.uol.com.br
Antônio Miranda
Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela). Professor e ex-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975. Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970. Foi Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília de 2007 a 2010.
DETRÁS DEL ESPEJO, poemas de Antonio Miranda,
traducción y prólogo de Elga Pérez-Laborde. www.abraceeditora.com
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PARA VIVER COM POESIA
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar: um estribilho antigo, o carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que um dia teve o próprio vento...
Mário Quintana
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O tempo é lento demais para os que esperam... rápido demais para os que temem... longo demais para os que sofrem... curto demais para os que celebram... mas para os que amam, o tempo é eterno. (Henry Van Dyke)
Nicolas Behr - Poesia Pau-Brasília
Nicolas Behr (Nikolaus von Behr) nasceu em Cuiabá, em 1958. Cursou o primário com os padres jesuítas em Diamantino, MT, onde os pais eram fazendeiros. Mudou-se para a capital aos 10 anos e queria ser geólogo, arqueológo ou historiador. Mora em Brasília desde 1974. http://www.nicolasbehr.com.br/
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POESIA
Versos de bar em bar
A geração mimeógrafo, que tem emNicolas Behr o mais conhecido representante na cidade, fez escola e tem seguidores. Uma delas é Mira Alves, poetisa que busca divulgar o trabalho distribuindo seus livretos em bares e restaurantes de Brasília. Informações: miraa1. ecosol@gmail.com ou 8157-4119.
Poeta Jorge Amâncio
Jorge Amancio é fundador do Centro de Estudos Afro Brasileiro e do Grupo Cultural Axé Dudu. Faz parte da Academia de letras do Brasil - secção DF, do Coletivo de Poetas de Brasília e do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Já participou de diversas antologias e publicou em 2007 o livro NEGROJORGEN. É coordenador do projeto Poemação – Sarau Videoliteromusical, que acontece na Biblioteca Nacional de Brasília. Mantém os blogs negrojorgen.blogspot.com e poemacao.blogspot.com.
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"Vivemos em um continente cheio de anacronismos. Por isso é um terreno fértil para a literatura. O escritor não pode escapar dessas percepções, mesmo que só queira contar uma história de amor"SERGIO RAMÍREZ escritor nicaraguense
Marcos Freitas
Brasília/DF . “Escrever é fácil: você começa com uma letra Maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias.” Neruda. "Temos a arte para que a verdade não nos destrua..."; Nietzsche http://emversoeprosa.blogspot.com/
Lançamento ( 2010) mf
Livro de Marcos Freitas - URDIDURA DE SONHOS E ASSOMBROS (Poemas Escolhidos 2003-2007).
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“ Pode-se conhecer facilmente o caráter de um homem pela relação que ele mantém com o idioma (...).Elegância demasiada é suspeita, porque encobre um vazio.(...)O brasileiro, até mesmo no sentido filosófico, fala com sinceridade.Ele ainda deve criar sua própria linguagem.Isso também o obriga a pensar com sinceridade."João Guimarães Rosa
Jorge Ferreira
Empresário e escritor (poeta). Mineiro da cidade de Cruzília. Proprietário de bares em Brasília: Feitiço MIneiro, Armazém do Ferreira, Bar Brasília, Bar Brahma, Mercado Municipal ...
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Durante dias e dias o país inteiro discutiu uma miragem, um não-fato, algo que não existia. E na discussão se leu de tudo, analistas com julgamentos definitivos sobre a questão, acadêmicos soltando sentenças condenatórias, jornalistas atirando flechas na miragem.
O livro massacrado não defendia a norma “inculta”. Apenas seguia recomendações do Ministério da Educação, em vigor desde 1997, de não desprezar a fala popular. Era uma recomendação para que os jovens alfabetizados, que aprendem a falar corretamente, não desprezem pessoas do seu próprio meio, que não tiveram acesso à chamada norma culta.
Livro singelo de versos e causos do mineiro Jorge Ferreira foi escrito com entusiasmo para presentear os amigos no dia dos seus 50 anos. O bom texto traz imagens claras e potentes: seu próprio eu, que ele mesmo estranha; o pai que partiu antes da hora; o tio morto com seu terno azul de lisras claras e a gravata ainda cheiranda naftalina; uma Paulinha que se foi porque tudo tem seu fim; uma homenagem ao amigo que a política, cruel, abateu, mas voltará. Curtam este livro extraindo dele as palavras de um bom companheiro.