terça-feira, 29 de dezembro de 2009


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69% dos brasileiros não conversam sobre política
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Uma extensa pesquisa de opinião conduzida pelo instituto Vox Populi mostra que a imensa maioria dos eleitores não está nem aí para assuntos políticos. Segundo o levantamento, 69% dos entrevistados em todo o Brasil não conversam regularmente sobre política.

Trata-se de um desinteresse cristalizado. O resultado é muito semelhante em levantamentos anteriores. Em maio de 2008, segundo o Vox Populi, 65% relatavam não terem conversado sobre política –pelo que explica o relatório, em período recente ao da pesquisa. Em maio deste ano, o percentual foi de 66%. Agora, no estudo realizado de 31 de outubro a 5 de novembro, em 170 municípios, a taxa bateu em 69%.

Esse número explica em parte a razão de tantos escândalos políticos se sucederem e os eleitores aparentemente não se interessarem pelo tema. Em telejornais nas redes de TV aberta, a política é considerada um “matador de audiência”. Quando o locutor anuncia uma reportagem de Brasília, de conteúdo relacionado ao Congresso ou ao governo em geral, o número de TVs sintonizadas sempre despenca.
Fonte: Blog do Fernando Rodrigues 12/12
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Mais cultura: videoclip mobiliza pela aprovação da PEC 150
Para muitos artistas arte e política podem andar juntas. É o caso do músico Walter Dias que criou a canção Em artes, brasileiro para a campanha de mobilização pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 150. A PEC propõe aumentar os valores de investimento na área cultural nas cidades, estados e União.
A PEC está sendo apreciada pelo Congresso Nacional. Ela já foi aprovada na Comissão Especial e agora será votada pelo Plenário da Câmara. Em seguida ela irá ao Senado. A PEC 150 determina que os municípios, estados e a União deverão vincular ao orçamento anual um investimento mínimo na cultura, sendo: 1% Município; 1,5% estados e 2% governo federal. O relator da PEC 150 é o deputado Mineiro José Fernando Aparecido de Oliveira (PV).
“Se for aprovada, a proposta revolucionará a ação cultural no Brasil, gerando milhares de empregos e reavivando a cadeia produtiva no mercado cultural do nosso país”, afirma o músico Walter Dias. Ele também faz um apelo para que todos. vermelho.org.br


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Agilidade no Judiciário
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II Pacto Republicano deu origem a 12 regras no ano
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O II Pacto Republicano, assinado em abril de 2009 pelos chefes do Judiciário, Executivo e Legislativo, produziu no decorrer do ano 11 leis e uma emenda constitucional. De regulamentar o Mandado de Segurança e estruturar a Justiça Federal a disciplinar o uso da videoconferência nos processos, a edição das regras visa acelerar o trâmite das ações judiciais.
Confira as leis e do que elas tratam
Lei 11.900/2009
Origem: PL 4361/2008
Tema: Interrogatório por videoconferência.
Possibilita a realização de interrogatório do acusado por videoconferência.

Lei 11.925/2009
Origem: PLC 04/2006
Tema: Autenticação de cópias pelos advogados no processo trabalhista.
Possibilita a declaração de autenticidade dos documentos pelo advogado; dispõe sobre hipóteses de cabimento do recurso ordinário para instância superior em decisões terminativas; nova redação aos art. 830 e 895 da CLT.

Lei 11.965/2009
Origem: PLC 110/2008
Tema: Participação de defensores públicos em atos extrajudiciais.
Prevê a participação de defensores públicos na lavratura da escritura pública de inventário e de partilha, de separação consensual e de divórcio consensual; altera os arts. 982 e 1.124-A do Código de Processo Civil.

Lei 11.969/2009
Origem: PLC104/2006
Tema: Permissão para a carga rápida de processos aos advogados.
Permite aos advogados retirar os autos dos cartórios judiciais, por até uma hora, para melhor consulta ou mesmo a reprodução das folhas por meio de cópias; nova redação ao art. 40 do CPC.

Lei 12.011/2009
Origem: PLC 126/2009
Tema: Estruturação da Justiça Federal de primeiro grau.
A estruturação das Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais. Cria 230 Varas Federais, estruturadas com dois juízes (titular e substituto) cada, destinadas à interiorização da Justiça Federal de primeiro grau; destinação de até 10% dos cargos e funções para estruturação das Turmas Recursais dos Juizados Especiais; as varas serão implantadas de forma gradativa ao longo de 5 (cinco) anos.

Lei 12.012/2009
Origem: PLC 81/2008
Tema: Criminaliza o ingresso de aparelhos de comunicação móvel em penitenciárias.
Qualifica como crime o ingresso de aparelhos telefônicos de comunicação móvel (celular), rádio ou similar sem autorização legal, em penitenciárias; acrescenta o artigo 349-A ao Código Penal.

Lei 12.016/2009
Origem: PLC 125/2006
Tema: Nova Disciplina ao Mandado de segurança individual e regulamenta o MS. coletivo.
Amplia o conceito de autoridade coatora; regulamenta a hipótese de mandado de segurança por omissão de autoridade; amplia as formas de impetração.

Lei 12.019/2009
Origem: PLC 117/2009(PL 1.191/07)
Tema: Regulamenta a convocação de magistrados para instrução de processo de competência originária do STJ e STF.
Permitir uma maior celeridade nas ações penais originárias do STF e do STJ; atuação exclusivamente nos processos penais originários, o que aumentará a produtividade e a eficiência da instrução.

Lei Complementar 132/2009
Origem: PLC 137/2009 (PLP 28/2007)
Tema: Organiza a Defensoria Pública da União.
Organização da Defensoria Pública da União; prescreve normas gerais para Estados, Distrito Federal e Municípios.

Lei 12.063/2009
Origem: PLC 132/2009 (PL 2277/2007)
Tema: Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão - ADO
Disciplina a relação processual da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão.

Lei 12.153/2009
Tema:
Cria os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos estados e municípios. Com a utilização desses Juizados, causas em que estados e municípios são réus e que não ultrapassam 60 salários mínimos terão tramitação mais rápida.
Emenda Constitucional 61/2009
Origem: PEC 324/2009
Tema: Modifica a Composição do Conselho Nacional de Justiça.
O presidente do STF passa a ser membro necessário e, em suas ausências e impedimentos, será substituído pelo vice-presidente do STF; retirado o limite de idade para os membros do CNJ.

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Vale-cultura, na mão do trabalhador
ROBERTO MUYLAERT
A LEI Rouanet dá incentivos fiscais a empresas. Projeto do então ministro Sérgio Paulo Rouanet, lançado em 1991, criou forte concentração de renda também na área cultural.
Assim, 80% dos recursos aplicados no ano passado contemplaram o Sudeste, com 60% para Rio de Janeiro e São Paulo. Do total de investimentos, 50% foram destinados a apenas 3% dos autores de projetos.
Muitas áreas da cultura nunca tiveram acesso à Lei Rouanet. Em compensação, espetáculos de roqueiros famosos já foram contemplados com renúncia fiscal paga pela população como um todo.
A concentração geográfica durante o período de vigência da atual lei de incentivos impressiona. Foram apresentados, no Sudeste, 23 mil projetos, e R$ 3 bilhões foram captados. No Sul, 7.000 projetos e R$ 477 mil captados.
No Nordeste, respectivamente, 4.700 e R$ 293,5 mil. No Centro-Oeste, 3.000 e R$ 145 mil. Na região Norte, 786 projetos e R$ 40 milhões.
Quanto à concentração econômica, alguns dos campeões de captação em 2008 foram o Instituto Itaú Cultural (R$ 29 milhões), a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (R$ 14 milhões), a TV Cultura (R$ 10 milhões), a Orquestra Sinfônica de São Paulo (R$ 8,2 milhões). Instituições como Estação Língua Portuguesa, Instituto Tomie Ohtake e MAM, de São Paulo, também demonstram dependência vital da renúncia fiscal.
Por outro lado, entre 2002 e 2008, a Petrobras respondeu por R$ 1 bilhão de patrocínio cultural, seguida da Eletrobrás (R$ 204 milhões), do Banco do Brasil (R$ 139 milhões) e do BNDES (R$ 75 milhões).
Como assinala Yacoff Sarcovas, produtor cultural e esclarecido conhecedor das leis de incentivo fiscal, os projetos culturais não são pagos pelos orçamentos das empresas privadas, mas pelas deduções de impostos, com patrocínios de estatais.
Breve elas serão alteradas por nova lei em que as empresas precisarão colocar a mão no bolso para financiar em parte suas iniciativas culturais, a partir de critérios públicos para avaliação dos projetos apresentados.
Para que essa visão se altere, os empresários, assim como a população, precisam ser levados pela mão para entender a razão pela qual cultura é importante. Muito ocupados, eles em geral não estão muito ligados aos eventos culturais nem cultivam o hábito da leitura.
A população brasileira também não se destaca pela fruição cultural: 20% só assistem à TV aberta (novela também é arte cênica), 8% vão ao museu, 13% ao cinema, 17% compram livros.
Em 1995, escrevi um livro sobre marketing cultural, hoje superado. Ao fazer palestras pelo Brasil, em lançamentos, senti a aflição de potenciais produtores culturais locais ao descobrir que, após a aprovação do seu projeto, começava a verdadeira batalha, sem possibilidade de sucesso: a de conseguir patrocinador.
Isso porque o pequeno produtor só tem acesso ao nível gerencial com poder apenas para dizer não, o que ele só descobre após infinitas idas e vindas às empresas, sem sucesso.
Claro que os detentores de grandes eventos têm acesso aos altos empresários. Mais fácil ainda é o patrocínio das instituições criadas pela própria empresa, em que os recursos de incentivos fiscais saem de um bolso da calça para entrar no outro, com o governo pagando 100% da conta.
Nada contra equipamentos culturais gerados com tais recursos, ao contrário, eles servem muito bem à população. O que dá pena é a ilusão seguida de decepção de centenas de pequenos produtores, que, a essa altura, nem tentam mais o patrocínio.
O vale-cultura é mais democrático, com potencial de uso efetivo por quem precisa, cartão magnético como se fosse vale-refeição.
São R$ 7 bilhões anuais de renúncia fiscal possível beneficiando os trabalhadores de empresas cadastradas, com vales-cultura de R$ 50 por mês.
Só que os segmentos culturais previstos na primeira redação do vale-cultura contemplavam apenas sessões de cinema, teatro, compras de livros, CDs e DVDs, com concentração elitista nas cidades mais ricas do país, onde a demanda acabaria sendo muito superior à oferta.
O texto aprovado com emenda do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) incluiu revistas. Trata-se do único bem de consumo (além de jornais) que pode ser consumido em 30 mil bancas de cidades grandes e pequenas de todo o país, ofertando 4.000 títulos diferentes e 400 milhões de exemplares impressos por ano.
Agora, sim, um vale-cultura democrático, como presente de Natal para a população brasileira.

ROBERTO MUYLAERT , 74, jornalista, é editor, escritor e presidente da Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas). Foi presidente da TV Cultura de São Paulo (1986 a 1995) e ministro-chefe da Secretaria da Comunicação Social (1995, governo FHC). FSP 24/12
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Educação - Falta sensibilidade nas salas de aula
Professores da educação infantil não estão atentos às necessidades individuais dos alunos, o que prejudica qualidade de ensino.
Ouvir um aluno com atenção deveria ser natural ao trabalho de qualquer professor, especialmente daquele que ensina crianças pequenas. Mas a realidade em sala de aula é bem distante disso. Pesquisa realizada por aluna do mestrado da Faculdade de Educação mostra que os professores da educação infantil não são formados para dar atenção adequada a cada um dos alunos. Mas essa sensibilidade é essencial para identificar os anseios dos estudantes e aumentar a qualidade de ensino.
Leonília de Souza Nunes, autora do estudo Escuta Sensível do professor: uma dimensão da qualidade da educação infantil, propõe na dissertação defendida em novembro que os futuros educadores tenham uma nova postura em sala de aula: a da escuta sensível. O conceito, estudado em outras áreas do conhecimento como a Psicologia, ainda não faz parte do currículo dos cursos de Pedagogia no Brasil.
A ideia é mostrar ao universitário que é possível sim e, acima de tudo, é essencial ter sensibilidade com as crianças, dar atenção exclusiva a cada uma delas e manter o diálogo permanente em sala. “Se o professor tem sensibilidade para ouvir a criança e respeitar a sua individualidade, ele pratica a escuta sensível e é capaz de planejar suas ações de acordo com as necessidades apresentadas pelos alunos”, defende Leonília.
METODOLOGIA - A pesquisadora acompanhou, durante os meses de abril e agosto, duas professoras e 35 crianças, entre 4 e 5 anos de idade, em um centro municipal de educação infantil de Palmas, Tocantins. Nesse período, Leonília teve acesso aos planos de aula, trabalhos e regimentos da escola. A expectativa era encontrar um ambiente acolhedor nos colégios.
Mas, em muitos momentos, percebeu claramente o distanciamento das professoras em relação às crianças e a utilização de métodos nada construtivos para “educar” os alunos. Ela conta que uma das professoras dava desenhos de carinhas pretas para os desobedientes e carinhas amarelas para os comportados. “Essa atitude gera preconceito. A criança pode imaginar que, se o outro é negro, não é boa coisa”, critica.
Na observação dos métodos pedagógicos dos educadores, a pesquisadora identificou que os professores não conseguiam perceber, nas brincadeiras ou no silêncio das crianças, como as necessidades e os medos interferiam na formação deles. “A principal consequência é a insegurança. Algumas crianças tinham pavor de ir à escola. Outras, dificuldade de aprender o conteúdo. Essa sequela elas carregarão para o futuro. Pode abalar a autoestima da criança e a própria individualidade”, reflete.
FORA DOS CURRÍCULOS - Para Fátima Guerra, orientadora de Leonília, a pesquisa apresenta uma nova perspectiva para o professor no Brasil, principalmente os do ensino infantil. “Existem algumas ações isoladas, mas a escuta sensível não faz parte da cultura de formação do educador. Se você observar o currículo da Pedagogia, não vai encontrar nenhuma disciplina que trabalhe o assunto. Isso leva o professor a ter dificuldade de ouvir e de manter diálogos com as crianças”, explica a professora da Faculdade de Educação.
Com 22 anos de carreira docente, 16 deles dedicados à educação infantil, Leonília conta que sempre se preocupou em ouvir os alunos, mesmo em salas com até 35 crianças. “Já trabalhei em escolas particulares e públicas. Escolas que ficavam na periferia, onde os alunos chegavam com a roupinha rasgada. Trabalhei com alunos com diferentes deficiências. Essa experiência contribuiu muito para que eu desenvolvesse uma escuta sensível”, relata, justificando o interesse no assunto.
Leonília defende a ideia de que a dar atenção a cada aluno, mesmo em salas cheias, não é uma utopia. “No Brasil, existem professores que atravessam a nado um rio para dar aula. Alunos que estudam debaixo de árvores. Mesmo com todas as condições desfavoráveis, as crianças têm um excelente desenvolvimento de leitura, raciocínio lógico e matemático. Aí está a sensibilidade do professor. Se eu não tivesse trabalhado em sala de aula, diria que era um trabalho utópico”, ressalta.
Ela apresentará o resultado da pesquisa, em janeiro, a 500 professores da educação infantil de Palmas. Com eles, ela discutirá o conceito de escuta sensível. Também apresentará os quatro indicativos de qualidade que considera fundamentais para a educação: empatia, sensibilidade, diálogo e espelhamento de sentimento. Características que os professores que sabem ouvir com atenção seus alunos conseguem desenvolver. A pesquisadora ainda vai desenvolver um curso para trabalhar a escuta sensível com os professores dos municípios de Araguaina e Gurupi, em Tocantins.
UnB.br 23/12


domingo, 20 de dezembro de 2009


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Joias de bolso

Espalhados pelo Distrito Federal, pequenos teatros cumprem o duplo papel de inserir a comunidade e realizar o sonho de artistas em ter o próprio palco




Grandes temporadas, casa cheia, sucesso de público. Quando essas expressões são ouvidas, logo se imagina um teatro com centenas de pessoas a aplaudir de pé o fim do espetáculo. Essa, no entanto, é a realidade de casas com menos de 100 m², situadas, em geral, nos subsolos de comerciais, desconhecidas do grande público brasiliense. Os teatros de bolso, com capacidade para até 100 pessoas, têm pipocado pelo Distrito Federal nos últimos cinco anos. Oferecem uma experiência diferenciada: contato do público com a criação teatral, em espetáculos das companhias locais e envolvimento em atividades culturais. “Os espaços mantidos por grupos pequenos são muito interessantes”, acredita o dramaturgo Plinio Mósca, que administrou um teatro de bolso por sete anos e hoje procura parceria para estabelecer outro projeto.

Com 25 anos de carreira, Plínio Mósca acredita na força da geração de cultura por meio da programação variada e com longas temporadas proporcionadas pelo formato. “Quando se mantém um teatro de bolso com ensaios, oficinas e espetáculos, proporciona-se uma agenda maleável. Você pode ter uma peça infantil pela manhã e uma mais adulta e audaciosa no fim da noite”, complementa.

Negócio rentável? Nem tanto. Grande parte dos grupos que abriu o próprio teatro oferece ingresso gratuito e busca sustentação por meio de políticas públicas ou aulas de atuação, figurino, cenografia. Em grande parte, os teatros de bolso do DF estão ligados às associações de artistas, com objetivo de desenvolver atividades junto à comunidade. “É uma forma de incentivar a participação e promover a inclusão cultural por meio do teatro”, explica o bonequeiro Aírton Maciano. Após 23 anos de teatro popular, ele decidiu montar o Espaço Cultural Bagagem, em 2004, por exigência do público infantil que acompanhava o seu trabalho no Gama e cobrava apresentações frequentes.

Desde então, o Bagagem recebe pessoas de todo o DF no pequeno espaço no subsolo, que serve como escritório, teatro e camarim. “O ator tem de se vestir, maquiar e concentrar antes da entrada do público. Quando a sala atinge a lotação, com 60 pessoas, o espetáculo se torna extremamente intimista. Ainda mais quando voltado para crianças, que desconhecem o limite do palco”, destaca. No andar térreo, funcionam a oficina de bonecos e a recepção ao público ocasional, que passa pelo local em busca de bate-papo e descontração.

A atividade junto aos moradores locais rendeu frutos em Taguatinga e chegou a extrapolar a capacidade do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, fundado por Chico Simões, em 2005, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A sede escolhida fica em loja no Mercado Sul de Taguatinga, comprada com as economias do artista. A partir dos recursos públicos para fomentar programação, Chico fortaleceu o trabalho desenvolvido com a companhia Mamulengo Presepada. “Foi possível desenvolver cursos regulares, produzir revistas e vídeos. A vizinhança, altamente marginalizada, transformou-se com o trabalho coletivo”, conta Chico Simôes.

Com o fim do convênio com o governo, a companhia se mudou mais uma vez de sede para voltar a atuar junto à comunidade de Taguatinga. O teatro de bolso, entretanto, continua mais que vivo e no mesmo local.
CrB 25/10
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Garantia a juiz deu mais credibilidade ao Judiciário

O Judiciário no Brasil só passou a ser mais bem visto depois que os juízes passaram a ter mais garantias. Quem conta isso é um dos autores do livro Justiça no Brasil – 200 Anos de História, Paulo Guilherme de Mendonça Lopes, em entrevista concedida a Beth Russo, da TV OAB.
Paulo Guilherme, que é autor do livro ao lado de Patrícia Rios, ambos sócios do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, disse que, na época do Brasil colônia, administrar a Justiça, em um país com um amplo território e pouco povoado, era complicado.
Ele disse que os juízes, à época, não tinham garantias e podiam, por exemplo, ter o salário retirado a qualquer momento. Assim, ficavam sujeitos às vontades de poderosos. A Justiça, de acordo com ele, era muito fraca, corrupta e desacreditada no Brasil colônia. Além disso, ainda tinha outra questão que dificultava o acesso ao Judiciário, pois se a parte quisesse recorrer, tinha de ir a Portugal.
conjur.com.br
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Governo envia nova Lei Rouanet ao Congresso
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Texto fortalece fundo público, alimentado pela União, e exige que empresas coloquem recursos próprios em projetos incentivados

Projeto de lei enfrentou resistência nas áreas econômicas; Ministério da Cultura define novos critérios para aprovação

Investimento direto
A partir de 2010, devem ser disponibilizados, num fundo gerido pelo MinC, R$ 800 milhões. "O fortalecimento e a desburocratização do fundo é a grande novidade, porque põe fim à busca do patrocínio", diz Manevy. O dinheiro, quase todo do Orçamento, será distribuído por meio de bolsas e prêmios. "Vamos construir uma rede de pareceristas, formada por especialistas de cada área, que escolherá os projetos."
A migração de dinheiro para um fundo divide o setor cultural. Alguns defendem que só assim se abre espaço para manifestações menos moldadas ao mercado, que tendem a encontrar as portas fechadas nas salas dos grandes patrocinadores, interessados em expor suas marcas. Para outros, a centralização de poder nos corredores do ministério pode dar origem a favorecimentos indesejados.
Outra mudança que deve causar ruído diz respeito à exigência de contrapartida empresarial. A proposta prevê que, para usar benefício fiscal, as empresas devam colocar ao menos 20% de recursos próprios num projeto. O texto estabelece três diferentes tetos de renúncia: 40%, 60% e 80%.

FSP 16/12
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Uso da rede aumenta, mas 65% da população com mais de dez anos está fora da rede
Pesquisa feita pelo IBGE revela que 104,7 milhões de brasileiros (65,2% da população acima de dez anos) não têm internet. O acesso à rede, porém, registrou alta de 75% e passou de 32 milhões para 56 milhões de pessoas no país no período entre 2005 e 2008. A pesquisa ouviu 391 mil pessoas acima de dez anos que entraram na internet pelo menos três meses antes da entrevista.
FSP 12/12
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


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Paulo Freire é anistiado 45 anos após exílio

Em Brasília, 3 mil professores e educadores de todas as regiões do Brasil e de outros 22 países acompanharam a cerimônia
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu nesta quinta-feira (dia 26) a anistia política /post mortem/ ao educador Paulo Freire, falecido em 1997. A cerimônia ocorreu durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica que conta com 3 mil professores e educadores de todas as regiões do Brasil e de outros 22 países, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Presente na cerimônia, a viúva, Ana Maria Araújo Freire, se emocionou ao falar do marido. “Hoje, Paulo, você pode descansar em paz. Sua cidadania plena, sem vazios e sem lacunas, foi restaurada, como você queria, e proclamada, como você merece”, disse. A homenagem ao pernambucano que revolucionou as técnicas de ensino em todo o mundo foi marcada pela emoção.
O educador pernambucano foi afastado da coordenação do Plano Nacional, instituído meses antes pelo MEC, e aposentado compulsoriamente da cadeira de professor de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Após ser preso por 70 dias em uma cadeia de Olinda (PE), partiu para o exílio, retornando ao Brasil somente em 1980.
Em razão da perseguição política que resultou em 16 anos de exílio, a Comissão de Anistia concedeu indenização de R$ 100 mil – teto da prestação única, que prevê 30 salários mínimos para cada ano de perseguição comprovada.
Fonte:  brasildefato.com.br 27/11/2009
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À própria custa S.A.

Bibliotecas comunitárias nascidas de iniciativas particulares levam a literatura a cidades carentes do Distrito Federal

A história das bibliotecas não começa com os livros. Muito antes de nascerem esses objetos tão atacados quando a intenção é oprimir o conhecimento, o homem já catalogava seus conhecimentos em espaços físicos reservados para tal. O livro é apenas uma das formas de armazenar a escrita inventada pelo homem muito antes de Gutemberg popularizar a prensa. A biblioteca nasce, antes de tudo, de um desejo de agregar o conhecimento. Luiz Costa, Dilma de Fátima Mendes, Sebastião José Borges, Geraldo Marques Damas e Luiz Rodrigues de Lima sabem muito bem disso. Sentiram essa comichão antes mesmo de poderem manusear um livro. Todos cresceram em ambientes desprovidos de literatura, com pouco acesso à educação formal, mas com uma sensibilidade capaz de guiá-los em direção ao mundo das letras. Sem recursos ou apoio do governo, dentro de suas próprias casas e em áreas pobres do Distrito Federal, eles montaram pequenas bibliotecas para atender à comunidade do bairro e vislumbraram na iniciativa uma alternativa à falta de lazer que pontua as cidades mais pobres da região. Os espaços são simples, abrem diariamente ou a pedidos e contm uma variedade razoável de livros. Literatura, publicações didáticas, enciclopédias e dicionários estão em todas essas bibliotecas frequentadas principalmente por crianças e adolescentes. Todos os volumes foram doados depois de um boca a boca que espalhou a intenção dos bibliômanos. Veja abaixo as histórias dessas iniciativas mantidas por vontade própria graças à demanda intensa das comunidades.



Biblioteca Alice Maria

Bisol Cascão — Guarita da Ceasa
A guarita que um dia serviu à vigilância na entrada da Ceasa estava abandonada. Ocupada por sem tetos e ponto de consumo de drogas, a pequena casinha assustava os frequentadores do local até ganhar reforma, 10 estantes e 5 mil livros. “A biblioteca ainda é novinha e pouco frequentada e o pessoal ainda não está acostumado”, explica Antonio José Laurindo, vigilante responsável pelo local. A média de visitantes é de três a quatro pessoas por dia, mas Laurindo não desanima diante das mesas e das paredes branquinhas de tão novas. Reabilitada por iniciativa da rede de postos Gasol como parte de um projeto que, desde 2007, ajudou a incrementar 54 bibliotecas públicas no Distrito Federal em parceria com administrações regionais, a guarita da Ceasa não exige registro dos visitantes. Quem quiser pode preencher uma ficha com dados pessoais, mas não há obrigatoriedade. “É para não intimidar e não ter aspecto formal”, avisa Alexandre Abreu, coordenador do espaço.



Biblioteca Luiz Lima — Visão do Futuro — Recanto das Emas

Quando já passa das 20h e um menino bate na porta em busca de um livro, Luiz Rodrigues de Lima fica feliz da vida. A biblioteca é pra isso mesmo. Não tem hora para precisar de livro. Lima aprendeu a ler aos 33 anos. Hoje, aos 46, não quer que ninguém da redondeza deixe de exercitar, por conta da falta de livros, uma das práticas que mais o fascina. O técnico em ar-condicionado reformou a casa, construiu um segundo andar e transformou parte do quarto em que dormia com a mulher em biblioteca. Ali, não há espaço para sentar e ler, por isso os livros estão catalogados e os frequentadores são convidados a levar os volumes para casa. Machado de Assis tem prateleira especial porque é o preferido de Lima, mas divide o espaço dos 4 mil livros com toda a literatura brasileira e uma boa leva de publicações didáticas. A iniciativa fez tanto sucesso que Lima exportou a ideia para outras cidades e estados. Já ajudou a montar seis bibliotecas no Distrito Federal e outros estados, todas com livros doados que guarda na casa de um amigo em Santa Maria. “Cansei de ouvir gente falando ‘Luiz, vou parar de estudar porque não tenho como comprar livro’”, confessa. A primeira biblioteca comunitária de Lima nasceu em Santa Maria, onde morava em 2002. Quando se mudou para o Recanto das Emas, trouxe junto a ideia.



Biblioteca Luiz Lima — Brazlândia

Inspirado na ideia de Luiz Rodrigues de Lima, Geraldo Marques Damas reformou uma sala de uma igreja da Assembléia de Deus em Brazlândia para receber a pequena biblioteca comunitária de 8 mil livros. “Meu objetivo é um trabalho social, divulgar e fazer com que as pessoas tenham uma prática da leitura principalmente nos assentamentos próximos, onde as pessoas enfrentam muitas dificuldade”, explica Damas. O espaço será batizado com o nome de Lima, que ajudou na doação de livros. “Ainda estamos em processo de catalogação, mas não temos restrição de assunto”, avisa Damas, que comemora o lote de 2 mil livros didáticos da biblioteca.



Biblioteca Casa da Memória da Arte Brasileira — Granja do Torto



Luiz Costa saiu de Serra dos Aimorés, no Espírito Santo, aos 12 anos. Chegou a Brasília em 1969. O pai vendeu a roça para ser vigia de bloco na capital. Para o jovem Costa, os planos de um concurso público já estavam traçados. Acontece que o rapaz desenhava e pintava muito bem. Não aguentou a ideia de uma repartição e desviou a própria trajetória. Virou pintor. Quando conseguiu construir uma obra capaz de sustentar a mulher e os dois filhos, começou então a investir em projeto maior. A biblioteca instalada num espaço de 350 m² no quintal da casa, que serve também de ateliê, é exclusivamente dedicada à arte brasileira. Tem um pouco de tudo relacionado ao tema, de catálogos de exposições até livros de luxo, passando, claro, pela literatura especializada e crítica. “Só a arte não me satisfez. Sempre fui muito zeloso pela pintura brasileira, que é muito mal cuidada”, conta. “Temos perto de 3 mil volumes focados em arte brasileira.” Costa atende somente com hora marcada e gosta especialmente do público infantil. Pensando nas crianças, montou uma estrutura para oferecer aulas e promover palestras. “Normalmente, quem leva são as escolas particulares. Aproveito e dou uma palestra sobre a responsabilidade e o privilégio de ter nascido ser humano e depois entro na arte, na pintura e na ecologia. Isso virou um hobby”, avisa. A coleção de livros deve ser consultada no local e o artista vai entrar com pedido no Ministério da Cultura para transformar a biblioteca em ponto de cultura. Costa conseguiu reunir exemplares preciosos como uma enciclopédia dedicada a esmiuçar os acervos dos mais importantes museus brasileiros. Ele mesmo compra os livros ou troca por pinturas.



Biblioteca Comunitária do Bosque — São Sebastião

Quando mudaram para São Sebastião, em 1999, Dilma de Fátima Mendes e Sebastião José Borges ficaram preocupados com a carência de lugares destinados à cultura e o índice de reprovação nas escolas locais. Sete anos depois, montaram a Biblioteca Comunitária do Bosque. Com o salário de vigilante e o de doméstica, Sebastião e Dilma alugaram um espaço e colocaram uma coleção de livros doados. Depois de quase quatro anos, o aluguel pesou no orçamento e a biblioteca foi transferida para a garagem da casa. Hoje, as prateleiras do casal abrigam mais de 10 mil livros, a maioria de didáticos. “Para manter a biblioteca ,faço bazares com doações”, avisa Dilma. “Quando o jovem está inserido na cultura e no estudo, não se envolve com delinquência”, diz Borges.

Correioweb 30/11
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Tribunal do tribunal – NOV/2009
O "Índice de Confiança na Justiça", pesquisa realizada pela Escola de Direito da FGV, quis saber como o brasileiro enxerga as últimas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). Citando o julgamento do caso do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do caseiro Francenildo, o do mensalão e a decisão sobre a extradição do italiano Cesare Battisti, os pesquisadores perguntaram aos entrevistados se elas foram parciais ou não: 40,5% responderam que foram "pouco" ou "nada imparciais", contra 30,3% que as consideraram imparciais; 29,2% não souberam responder.

TRÊS A TRÊS
A pesquisa, feita com 1.550 pessoas de sete capitais brasileiras a cada três meses, tem o intuito de avaliar a imagem do Judiciário brasileiro sob os critérios de "eficiência, imparcialidade e honestidade". FSP  30/11


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


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Grandes empreendedores

Cientes das dificuldades financeiras, grupos mesclam aulas, apresentações e projetos sociais para manter o teatro de portas abertas

Marina Severino



Financeiramente estáveis na Europa, onde os teatros de bolso são reconhecidos pelo governo como centros de pesquisa e, por isso, subsidiados, o formato é recente no Brasil e não possui políticas públicas asseguradas. Em Brasília, eles começam a ser vistos pela nova geração como uma forma de vivência cênica. Aberta no início deste ano em uma comercial da W4 Norte, a Escola Teatral Confins-Artísticos (Etca) garante a manutenção do espaço próprio com aulas de teatro e o aluguel do local, composto por salas de aula, lanchonete, estúdio para gravação musical e um pequeno teatro de 30 lugares, com iluminação e sistema de som. “Começamos a trabalhar na Universidade de Brasília (UnB),em 2002, e vimos que seria vantajoso ter sede para dar continuidade aos projetos autorais”, conta o proprietário, Gustavo Rainecken.

A programação do teatro de bolso ainda é tímida, com apresentações dos alunos a cada três meses e algumas montagens desenvolvidas pela equipe espalhadas ao longo do ano. “Apesar da boa recepção, ainda não existe uma tradição consolidada entre o público. É insustentável deixar uma temporada em cartaz por muito tempo”, afirma Rainecken. Para atrair audiência, os espetáculos da companhia têm abordagem diferenciada — são apresentados em encontros com música e degustação.

Conquistar público também representa um desafio para o diretor Cláudio Chinaski, que abriu o Espaço Cultural Mosaico em 2008. “Costumo brincar que Brasília tem 500 pessoas interessadas em teatro. O restante da população não busca esse tipo de entretenimento, apenas quando há divulgação pesada. Apesar disso, a casa enche em função do público que acompanha o nosso trabalho.” Além da administração, Cláudio atua como produtor cultural e convida grupos de outras cidades a se apresentarem no local, como o paulistano Club Noir, que está em cartaz hoje com a peça Comunicação a uma academia.

Cursos
Apesar das dificuldades, alguns grupos mais antigos provam que manter teatro de bolso e escola é uma realidade possível e rentável. A Companhia da Ilusão, instalada há 15 anos na 510 Sul, mantém um curso de formação com duração de dois anos que atende a 14 turmas por semestre, todas agendadas com montagens de comédia, tragédia grega, teatro do absurdo e drama realista. Uma área específica da companhia se responsabiliza pela produção e pesquisa para novos espetáculos.

No Mapati, os 20 anos de teatro de bolso mostram uma trajetória de adaptações — antes, o lugar fazia parte da residência da proprietária, Tereza Padilha, até a transferência, em 1995, para a 707 Norte. “É muito difícil manter um espaço pequeno porque tudo custa caro. Há demanda com limpeza de cortina, segurança, ventilação. Quando a coisa apertava, fazíamos festas para levantar fundos”, lembra Tereza, que ampliou a atuação do Mapati para abrigar colônia de férias e projetos sociais, mas continua as aulas de teatro, com 10 turmas.

Criado em 2005 como uma extensão do Cena Contemporânea, o Espaço Cena é um caso à parte entre os teatros do bolso. Sem cursos na programação, parte dos recursos de escritório é mantida pelo projeto permanente do festival junto ao Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O orçamento se complementa com o aluguel do espaço, a R$ 180 por apresentação. “Dessa forma, podemos manter o Cena aberto ao público durante todo o ano para pesquisas em nosso material de arquivo, ciclos de leitura e exibição em vídeo de espetáculos de todo o mundo”, detalha o idealizador do projeto, Guilherme Reis.

Ouça entrevista com Guilherme Reis e Tereza Padilha


Onde assistir



Caleidoscópio

(CLSW 102 Bl. C, Galeria; 3344-0444)
A partir de 30 de outubro, Estação Felicidade, direção de Túlio Guimarães. Não recomendado para menores de 14 anos.

Companhia da Ilusão

(SCRS 510, Bl. C, Entrada 18; 3242-3544)
Espetáculos a partir de 17 de novembro.

Espaço Cena

(205 Norte, Bl. C, Lj. 25; 3349-3937)
Hoje, às 20h, Preso entre ferragens, direção de João Antônio. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

Espaço Cultural Mosaico

(714/715 Norte, Bl. D, Lj. 16; 3032-1330)
Hoje, às 20h, Comunicação a uma academia, adaptação de texto de Franz Kafka com direção de Roberto Alvim. Entrada franca. Não recomendado para menores de 14 anos.

Escola Teatral Confins-Artísticos

(SCLRN 711, Bl. C, Lj. 5; 3274-8160)
Programação aberta.

Mapati

(707 Norte, Bloco K, Lj. 5; 3347-3920)
Espetáculos a partir de 20 novembro.

Invenção Brasileira

(Mercado Sul de Taguatinga, QSB 13, Bl. B; 3352-5054)
Programação aberta.

Espaço Cultural Bagagem

(Setor Central do Gama, Qd 40, Lt. 16; 3556-6605)
Dias 30 e 31, às 20h, El titiriteiro de Banfield, com o bonequeiro argentino Sergio Mercurio. Entrada franca e classificação indicativa livre.

CrB 25/10
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Instituto mapeia a literatura do Brasil no exterior

Milton Hatoum, Rubem Fonseca e Chico Buarque estão entre os autores mais lembrados hoje por estudiosos de literatura brasileira no exterior, à frente de nomes como Euclydes da Cunha (1866-1909) e Manuel Bandeira (1886-1968).
Esse é um dos resultados iniciais de um mapeamento sobre como a produção literária do Brasil é recebida em outros países. Os primeiros números, aos quais a Folha teve acesso, serão divulgados hoje, na abertura do "2º Conexões Itaú Cultural: Encontro Internacional de Literatura Brasileira", no Rio.
Machado de Assis ainda é o autor mais citado pelos estrangeiros, mas a pesquisa mostra um aumento no interesse pela literatura produzida a partir dos anos 80. Quase 70% dos entrevistados têm interesse na produção contemporânea; só 5% disseram não ter (o restante não informou).
A falta de empenho do governo na criação de uma entidade para divulgar a literatura brasileira -algo como o Instituto Goethe, da Alemanha, e o Cervantes, da Espanha- está entre os principais problemas identificados. A maioria dos tradutores, por exemplo, nem sabia que poderia pedir apoio à Fundação Biblioteca Nacional.
O "Conexões" segue até quarta, com participação de pesquisadores e escritores como Hatoum, Moacyr Scliar e Luiz Ruffato (grátis; www.conexoesitaucultural.org.br).
FSP  30/11


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Os astros do expediente

Ir ao cinema e ler livros vão além do entretenimento. Segundo especialistas em carreira, profissionais que consomem cultura trabalham melhor e são mais criativos. Logo, cobiçados pelas empresas




“Nunca me perguntes o assunto de um poema. Um poema sempre fala de outras coisas”, diz Mário Quintana em seu livro Da preguiça como método de trabalho. E são exatamente essas outras coisas, minúcias que transcendem o cotidiano, que especialistas em carreira recomendam a profissionais interessados em tornar o ambiente de trabalho mais agradável e, consequentemente, mais produtivo. “A formação cultural é suplemento da formação técnica. Ela vai ser a responsável pela compreensão diferenciada da realidade, o que é muito valorizado nas empresas”, analisa Priscila Azevedo, coordenadora do Departamento de Carreiras da Veris Faculdade/ IBMEC Educacional.

Conhecer outras realidades, sentir culturas diferentes e fugir da visão do dia a dia ajudam o profissional a aumentar o seu rendimento e a livrar-se do esgotamento de ideias, comum no mundo empresarial. “Nas empresas, tudo é muito corrido, assim, quem tem uma bagagem cultural e consegue fazer a conexão com o que trabalha sai na frente”, aposta Márcia Garcia, diretora do Grupo Labor.

Foi o que percebeu o chefe e os colegas de trabalho de Samya Mileine, 23 anos. A bancária sempre gostou de ir a peças teatrais, tanto que um dia se inscreveu em uma oficina de teatro oferecida pelo Sindicato dos Bancários do Distrito Federal. Hoje, ela e outros bancários montaram uma companhia. “O teatro melhorou meu trabalho, isso repercutiu de tal maneira que vários colegas já me perguntaram quando será a próxima oficina para eles também participarem”, conta a brasiliense.

O consumo de cultura e arte geralmente é feito em seus momentos de lazer. Por isso, mesmo que a cultura seja importante na carreira, as escolhas pessoais por entretenimento não podem ser baseadas somente no pensamento da empresa, mas sim nas preferências pessoais. Até porque dificilmente alguém absorve o que não gosta no seu tempo vago.

“Ninguém diz: você precisa saber isso ou aquilo para fazer o diferencial. É toda uma bagagem que você vai adquirindo com o tempo”, comenta Fábio Saad, gerente de mercado financeiro da recrutadora Robert Half. “Além disso, o funcionário nunca sabe em que situação vai ter que usar seus conhecimentos. Não dá para prever. Por isso, é preciso estar sempre aberto a todas as manifestações culturais. Pode ser que surja um cliente de outro país e é bom você conhecer a cultura dele, por exemplo”, complementa Carmen Cavalcanti, diretora da Rhaiz Soluções em Recursos Humanos.

Sempre
bem-vindo
Assim, o profissional não precisa ter vergonha de suas preferências, seja porque elas não são as mais sofisticadas, como frequentar uma exposição ou ir a um cinema alternativo, seja porque não são o que está na moda. Uma hora ou outra, ele pode usar um conhecimento que nunca imaginou que pudesse ser necessário. “Quando falamos em cultura, abrangemos várias coisas. Toda hora, você demonstra cultura, então, o que é chamado cultura inútil também é bem-vindo”, acredita Fábio Saad, gerente de mercado financeiro da recrutadora Robert Half.

Dessa forma, o gosto pela arte, pela música e pela literatura pode gerar afinidades tanto com colegas de trabalho quanto com clientes, o que aumenta a rede de relacionamentos e melhora o trabalho em equipe. “A cultura é muito rotulada, o profissional tem que saber que a empresa e o recrutador não estão avaliando o tipo de cultura, mas se ele se interessa por alguma coisa extra”, analisa Carmen Cavalcanti, diretora da Rhaiz Soluções em Recursos Humanos. Já a diretora Márcia Garcia adota uma postura mais ponderada. “O profissional tem que levar para a empresa o que realmente for necessário para o crescimento em seu trabalho.”

Apesar de as empresas desejarem que seus funcionários cheguem com uma boa formação cultural, é preciso também que elas invistam nesse processo. Essa é a opinião da coordenadora do Programa de Arte e Cultura da Universidade Católica de Brasília, Renata Sthepanes. Segundo ela, as organizações também devem dar a sua colaboração para o ócio criativo dos funcionários. “O empresário pode promover um coral ou uma feira de talentos, isso vai melhorar a imagem da empresa e aumentar os rendimentos”, analisa a coordenadora que já organizou grupos de coral em duas empresas em São Paulo. “A resposta sempre é positiva”, garante.
CrB 25/10
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Sociólogo diz que invisibilidade da ralé é problema grave do Brasil moderno



A desigualdade social talvez seja o tema mais recorrente nas conferências, seminários e debates do 33º Encontro Anual da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), que ocorre em Caxambu (MG).
O assunto, que se desdobra nas diferenças de classe, gênero, cor e idade, é, para alguns cientistas sociais, o principal problema a ser pesquisado na sociedade brasileira.
Essa é a opinião do sociólogo Jessé Souza, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que está lançando, no evento, o livro A ralé brasileira (Editora UFMG), que organizou com artigos seus e de outros autores. “A ralé é a grande questão esquecida. O Brasil não tem 500 problemas, mas um grande problema, que é essa desigualdade abissal do qual decorre mais de mil problemas”, afirmou.
De acordo com levantamento estatístico contido no livro, um terço dos brasileiros vivem sob condições precárias e excluídos sócio-culturalmente.
Para Jessé, o problema da ralé é “a questão mais importante no Brasil moderno” e está associado a outros problemas como a segurança pública, o trabalho informal, o racismo e o preconceito regional. Apesar da importância social que tem,  “a desigualdade não é nem percebida enquanto tal. Nós a naturalizamos”, na avaliação do sociólogo. Ele, no entanto, acredita que esse pensamento não é algo racional, mas tem uma função mais eficiente justamente por ser “pré-reflexivo”.
“As ideias estão dentro da cabeça para justificar nosso comportamento”, assinala. “Queremos que matem a ralé, mas ninguém vai dizer 'eu odeio pobre, eles têm mais é que morrer'. O comportamento efetivo, a ação do brasileiro, porém, vai ser de bater palma”, disse referindo-se ao episódio  em que um policial militar matou um homem que fazia uma mulher refém, em Vila Isabel, Rio de Janeiro, há cerca de um mês.
Segundo Jessé, a imagem do PM dando um tiro certeiro no homem - repetida várias vezes na televisão - dá margem a críticas à mídia brasileira que, para ele, “é conservadora” e pautada pelo interesse econômico. Na sua avaliação, a mídia reproduz um comportamento predominante no país, “mesquinho, medíocre, avesso ao debate”.
O professor critica os seus pares, inclusive autores da sociologia clássica brasileira, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Raimundo Faoro, Fernando Henrique Cardoso, além do antropólogo Roberto Da Matta, que, na sua opinião, ajudaram a construir e perpetuar o mito da "brasilidade", com conceitos sofisticados”. Para ele, a criação do mito foi extremamente eficiente, “está em todas as células dos brasileiros. Ela é uma verdadeira cegueira [por meio da qual] nós possamos nos perceber e nos autocriticar”.
“A nossa ciência se construiu em continuidade e não em crítica. A ciência social foi montada para uma sociedade que é autoindulgente [tolerante com seus erros], que não é autocrítica”, opina. Em sua avaliação, “o debate científico, assim como o debate público e do censo comum, é pobre e fragmentário e não capta a totalidade. É exatamente isso do que o dinheiro precisa”.
Além do mito da brasilidade e da baixa autocrítica, a sociedade também se caracteriza pela ausência de transformações políticas e revoluções sociais, segundo Jessé Souza. “O Brasil é uma sociedade que se modernizou apenas economicamente. Não houve processo de aprendizagem coletiva por meio da luta”, diz o professor ao lembrar o processo que ocorreu na Revolução Francesa, no século 18, quando a ralé teve voz ativa, diferentemente da população brasileira excluída.
De acordo com ele, o livro também mostra como, em vez da luta, a ralé brasileira compartilha do consenso que legitima a desigualdade e a exclui. A importância do livro, na visão dele, é a possibilidade de reflexão. “Não existe crescimento de sociedade sem autocrítica”, acredita Jessé. JdeBras 27/10 

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